9 de setembro de 2026 - por raulsena1
Você tem se sentindo triste e meio sem perspectivas? Isso pode ocorrer porque você está se esquecendo de cumprir com suas atividades secundárias. Se você joga videogame, é provável que já entendeu a referência. Mas para quem não joga, vou explicar melhor.
Quando você joga um RPG ou qualquer outro jogo, existe sempre um objetivo final. Você quer subir de nível, ficar mais forte, avançar na história… Mas, no meio do caminho, existem várias coisas que você pode fazer que não te levam direto pra esse objetivo, mas tornam a experiência mais divertida. Ir atrás de um chapéu específico, customizar um carro no GTA, coisas que “não têm nada a ver com nada”. Isso é o que chamamos de missão secundária.
Como isso é algo presente em diversos jogos, fui pesquisar se essa lógica também se aplica à vida real. Se nós humanos também precisamos dessas distrações que não levam a lugar nenhum, mas que fazem sentido de uma outra forma e o que eu descobri me surpreendeu! Existem pesquisas que comprovam que algumas “atividades secundárias”, são extremamente importantes para nossa felicidade!
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Relacionamentos: o maior preditor de felicidade
A primeira “missão secundária” que nos impacta significativamente é a conexão humana. Numa sociedade que só pensa em dinheiro, cuidar dos relacionamentos virou quase um hobby.
Existe um estudo de Harvard sobre desenvolvimento adulto que acompanha pessoas há 85 anos. A conclusão é simples: a qualidade dos relacionamentos humanos é o maior preditor de felicidade e saúde ao longo da vida.
Quando os pesquisadores compararam isso com dinheiro, fama e sucesso, nenhum desses fatores conseguiu substituir o efeito de boas relações. Gente que multiplicou seu patrimônio por 10 ou 100 vezes, mas não tinha um círculo próximo de qualidade, simplesmente não ficava mais feliz.
Então vale a pena mandar aquela mensagem pro amigo distante, criar rituais como um café mensal ou um jantar semanal em família, e até conhecer o nome do porteiro e do padeiro do seu bairro. Parece bobagem, mas é uma missão secundária que rende muito.
O prazer de ficar bom em alguma coisa
A segunda categoria é o progresso ou maestria. A psicologia já estudou bastante esse fenômeno, chamado de “flow”: aquele estado de imersão completa em algo, com um desafio grande o suficiente para exigir foco, mas não tão grande a ponto de frustrar.
A ideia é escolher algo que tenha um progresso lento, mensurável e praticamente infinito. Aprender um instrumento, treinar um esporte que não tem limite de superação, malhar, cozinhar, desenhar, tentar aprender um idioma novo até manter uma conversa básica. Pessoas que desenvolvem uma habilidade em que são realmente boas tendem a ser mais felizes do que aquelas que só focam em trabalhar.
Deixar uma contribuição para o mundo
Aqui entra outra missão secundária importante: gastar tempo com os outros ou deixar algo duradouro para a humanidade. Os estudos mostram que isso também aumenta a felicidade.
Um exemplo pessoal: meu pai era artista plástico e adorava reformar banquinhos de praça. Descobri isso anos depois, quando ele me mostrou os desenhos de um banquinho perto do bairro onde eu cresci. Ele também criou uma ONG para ensinar crianças a fazer e soltar pipa, algo que não trazia retorno financeiro nenhum, mas que o deixava genuinamente feliz.
Não precisa ser grande coisa. Um trabalho voluntário de uma hora por mês, ensinar algo que você sabe para outra pessoa, plantar uma árvore numa praça. Os países mais felizes do mundo costumam ter essa cultura de contribuição com a sociedade bem enraizada.
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Contato com a natureza
Hoje a maior parte da população mundial tem deficiência de vitamina D, algo em torno de 70% a 80% das pessoas, porque vivemos cercados de luz artificial e pegamos pouco sol.
O contato com a natureza reduz o cortisol e melhora bastante a qualidade de vida. Não precisa ser academia, tem que ser movimento ao ar livre: ir a um parque, caminhar sem celular, assistir ao nascer ou ao pôr do sol pelo menos uma vez por semana, cuidar de plantas em casa. Pequenas ações que fazem diferença real.
Fugir do piloto automático
Por fim, a novidade e a contemplação são essenciais para quebrar a rotina. Quando você repete a mesma coisa todos os dias, o cérebro comprime essas experiências, e a sensação é de que o tempo passa cada vez mais rápido.
Já quando você vive algo novo, uma experiência de contemplação, o tempo parece passar mais devagar. Visitar um lugar novo na própria cidade, mudar o caminho de volta pra casa, pegar um ônibus diferente. Tudo isso obriga o cérebro a prestar atenção de verdade, e sair do automático gera satisfação pessoal.
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Resultado na prática
Faz alguns meses que comecei a colocar essas missões secundárias em prática na minha vida. Voltei a estudar violão aos 33 anos e comecei a pintar, algo que meu pai também fazia. O resultado foi uma queda real no meu nível de estresse, que inclusive estava se manifestando fisicamente numa dermatite no rosto.
E por mais que pareça bobo, isso é muito importante. Quando você melhora sua vida como um todo, naturalmente consegue focar melhor no trabalho e, consequentemente, ganhar mais. Cuidar das missões secundárias da vida pode ser, no fim das contas, uma forma de melhorar seu rendimento até mesmo no trabalho.
Quer conferir mais detalhadamente sobre cada uma das dicas que compartilhei aqui? Então, assista ao vídeo em que comentei mais sobre!
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