Como o TikTok vai destruir a vida dos brasileiros sem ninguém ver…

9 de setembro de 2026 - por raulsena1


Vivemos um dos momentos mais graves da nossa relação com dinheiro. E o motivo não é falta de educação financeira, é a forma como a propaganda se infiltrou em cada segundo do nosso feed. Ela deixou de ser um intervalo entre um conteúdo e outro para se tornar o próprio conteúdo.

Antigamente a propaganda tinha camadas. Você via um produto na televisão, talvez numa novela, e precisava sair de casa para comprar. Cada uma dessas etapas era um freio natural contra o impulso.

Hoje esse freio sumiu, as plataformas têm o shopping embutido: cartão cadastrado, um clique e o produto chega na sua porta. O criador de conteúdo não anuncia mais um produto separado do que ele posta, ele é o produto. E como isso virou normal, ninguém mais estranha ver uma pessoa vivendo de fazer propaganda atrás de propaganda, disfarçada de conteúdo.

Veja também: A internet convenceu você a ficar pobre

Números que assustam

Ao observar o comportamento de usuários que começaram a comprar em determinadas plataformas de compra rápida, o aumento de gastos passou de 35% em apenas seis meses. A explicação mais simples seria dizer que essas pessoas só substituíram uma compra por outra mais barata. Mas não é isso que os dados mostram.

O que realmente acontece é mais preocupante: aumento real de gastos, queda no investimento e redução das saídas de casa. A pessoa gasta mais dentro de casa e sai menos na rua. Trocou o jantar fora, que exigia caminhar, conversar, prestar atenção em quem está do seu lado, por um pedido feito na cama, mais caro e com experiência pior.

Quando o produto vira identidade

Há uma lógica perigosa se espalhando: você é aquilo que compra. A camiseta com estampa de livro substitui a ida à livraria. A caneca com uma frase de efeito substitui pertencer a um grupo de verdade. É consumo tentando preencher um vazio de identidade e de comunidade, e isso não funciona, só aprofunda o isolamento numa sociedade que já tem poucos vínculos reais.

Compras feitas de madrugada, decisões por gatilho, a sensação de alívio momentâneo ao clicar em “comprar”: tudo isso são sinais de que o consumo parou de ser sobre o produto e passou a ser sobre uma necessidade emocional não resolvida.

A diferença para gerações anteriores é a permanência. Antes você entrava na internet e saía dela. Hoje se vive online o tempo todo, e o mundo inteiro virou uma vitrine. Isso tem um efeito duplo: mais gasto e menos satisfação. Você acumula objetos que não cabem mais no apartamento, enquanto o dinheiro que poderia ir para investimento, para um jantar com amigos ou para uma viagem, vai para mais uma caixinha que chega na porta.

O que realmente constrói qualidade de vida?

Ter poder de compra não é sinônimo de qualidade de vida. Existem relatos de pessoas que se mudaram para países onde o dinheiro rende mais, mas que trabalham 10/12 horas por dia trocando de emprego constantemente, sem tempo de aproveitar esse ganho. No fim, o dinheiro extra só alimenta mais consumo por impulso.

Dinheiro é bom, e muito. Ele compra tempo, liberdade e a possibilidade de um futuro melhor. O problema não é o dinheiro em si, é o destino que a gente dá para ele.

Confira: 10 dicas de como o dinheiro pode trazer felicidade

Como sair desse ciclo?

Não se trata de parar de consumir, mas de fazer isso com intenção:

  • Planeje as compras que realmente importam para você, em vez de comprar por reflexo.
  • Priorize experiências que tirem você de casa: uma trilha no fim de semana, um encontro com amigos, um hobby que exija presença, como aprender a tocar um instrumento.
  • Antes de comprar algo pequeno e frequente, pergunte-se: isso é sobre o produto ou sobre o que estou sentindo agora?
  • Se perceber compras compulsivas, principalmente de madrugada, entenda isso como um sinal de alerta e busque conversar com alguém sobre o que está por trás disso.
  • Redirecione o que seria gasto por impulso para investimento. Não é sobre ficar rico, é sobre ter mais paz no futuro.

A tecnologia não vai parar de evoluir e nem toda evolução significa melhora automática de vida. Cabe a cada um decidir se vai deixar a plataforma decidir o que ele compra, ou se vai parar, refletir e escolher o que realmente tem valor.

Quer se aprofundar um pouco mais nessa pauta? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

E se você quer aprender a investir, independente do cenário político atual, te convido a conhecer a AUVP, que é nossa escola de investimentos. Faça a sua análise de perfil e se você receber aprovação, além de utilizar um sistema inteligente para a gestão de seus ativos, você vai aprender a investir no Brasil e no mundo inteiro.

Por que a elite brasileira NÃO está investindo?

E para ficar por dentro das principais informações do mercado financeiro, acompanhe os conteúdos do canal @investidorsardinha e do perfil @oraulsena no Instagram.

Leia também: Vícios que podem te enriquecer

Se sentindo exausto? Assista esse vídeo, ele vai te mudar.

Antes de sair do Brasil, leia isso

Selic caiu de novo, o sinal foi dado

1 milhão de reais não serve para nada? A realidade