4 de abril de 2025 - por Sidemar Castro

A CLT, ou Consolidação das Leis do Trabalho, é a legislação que regula as relações trabalhistas no Brasil. Criada em 1943, ela estabelece direitos e deveres tanto para empregadores quanto para trabalhadores.
Por exemplo, a CLT define regras sobre jornada de trabalho, férias, 13º salário, FGTS e rescisão de contrato. Além disso, garante benefícios como licença-maternidade e seguro-desemprego.
Essa legislação é essencial para proteger os trabalhadores e garantir condições justas de trabalho. Ao mesmo tempo, ela ajuda as empresas a manterem um ambiente de trabalho organizado e dentro da legalidade.
Se quiser saber mais detalhes sobre a CLT, é só continuar a leitura!
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O que é CLT?
A CLT, sigla de Consolidação das Leis do Trabalho, é o conjunto de normas que regulamenta as relações de trabalho no Brasil. Criada em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, ela unificou leis esparsas para garantir direitos básicos aos trabalhadores urbanos e privados.
A CLT estabelece regras claras sobre jornada de trabalho, salário mínimo, férias, descanso semanal, aviso prévio e condições de demissão. Além disso, ela define benefícios como o 13º salário, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e licenças maternidade e paternidade.
Originalmente focada em empregados com carteira assinada do setor privado, a CLT não abrange servidores públicos ou profissionais autônomos. Contudo, sua influência é ampla: até hoje, serve como referência para acordos coletivos e disputas trabalhistas.
Apesar de atualizações, como a Reforma Trabalhista de 2017, a CLT mantém seu papel central na proteção do trabalhador. Ela busca equilibrar os interesses de empregadores e empregados, garantindo segurança jurídica e condições dignas de trabalho.
Qual a função da CLT?
A função da CLT é garantir direitos e deveres tanto para trabalhadores quanto para empregadores no Brasil. Ela estabelece regras que protegem os funcionários contra abusos e asseguram condições justas de trabalho.
Por exemplo, a CLT define limites para a jornada de trabalho, assegura o pagamento de horas extras e garante benefícios como férias, 13º salário e FGTS. Além disso, ela regulamenta a rescisão de contrato, evitando demissões arbitrárias.
Ao mesmo tempo, a legislação ajuda as empresas a manterem um ambiente de trabalho organizado e dentro da legalidade. Sendo assim, isso traz segurança jurídica e evita problemas futuros.
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Como a CLT funciona?
A CLT funciona regulando as relações entre empresas e trabalhadores no Brasil, definindo direitos e deveres para ambas as partes. Veja como ela opera em cada contexto:
Para a empresa
A CLT estabelece uma série de obrigações para as empresas, garantindo uma relação de trabalho justa e transparente. Entre os principais pontos estão:
- Registro em carteira: A empresa deve registrar o vínculo empregatício na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do trabalhador, formalizando a relação contratual e assegurando os direitos previstos por lei.
- Pagamento de salário: O salário precisa ser pago até o quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado. O descumprimento pode gerar multas e ações trabalhistas.
- Cumprimento da jornada de trabalho: A empresa deve respeitar o limite de 44 horas semanais, garantindo intervalos para descanso e alimentação, além do repouso semanal remunerado.
- Concessão de benefícios obrigatórios: A CLT exige que as empresas ofereçam benefícios como vale-transporte, férias anuais remuneradas, 13º salário e depósitos no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
- Segurança no trabalho: É responsabilidade da empresa garantir um ambiente seguro e saudável, prevenindo acidentes e doenças ocupacionais.
Para o trabalhador
A CLT protege os direitos dos trabalhadores, assegurando benefícios e condições dignas para o exercício da profissão. Entre os principais aspectos estão:
- Estabilidade e segurança: O trabalhador tem direito ao registro em carteira, que garante acesso ao FGTS, INSS, seguro-desemprego e aposentadoria.
- Remuneração adequada: Além do salário mensal, o trabalhador recebe benefícios como 13º salário, adicional por horas extras e adicional noturno quando aplicável.
- Férias remuneradas: Após 12 meses de trabalho, o empregado tem direito a 30 dias de férias com remuneração adicional equivalente a um terço do salário.
- Proteção contra abusos: A legislação estabelece limites para jornadas de trabalho e assegura proteção contra demissões arbitrárias ou sem justa causa.
- Benefícios sociais: A CLT também garante licença-maternidade (120 dias), licença-paternidade e assistência em casos de afastamento por doença ou acidente.
Quais direitos a CLT garante?
A Consolidação das Leis do Trabalho garante diversos direitos aos trabalhadores brasileiros. Primeiramente, ela assegura a proteção contra demissão sem justa causa, garantindo o aviso prévio e o acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Além disso, a CLT estabelece a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais, com direito a horas extras remuneradas. Igualmente, garante o descanso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos, e o pagamento do 13º salário.
Ademais, os trabalhadores têm direito a férias remuneradas de 30 dias após 12 meses de trabalho, licenças maternidade e paternidade, e adicionais de insalubridade e periculosidade em condições específicas.
Finalmente, a CLT assegura a proteção contra discriminação e assédio no ambiente de trabalho, além do direito à segurança e saúde no trabalho.
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Efeitos da CLT
A CLT gerou efeitos significativos nas relações trabalhistas brasileiras, influenciando empregadores, empregados e a economia como um todo. Confira os principais impactos:
1) Proteção ao trabalhador
A CLT garante direitos fundamentais, como:
- Jornada limitada a 44 horas semanais, com pagamento de horas extras;
- Salário mínimo e descanso semanal remunerrado;
- Férias anuais com acréscimo de 1/3 do salário;
- Licenças (maternidade, paternidade e saúde);
- Segurança em demissões, com aviso prévio e multa do FGTS.
Essas regras reduzem a exploração laboral e promovem condições dignas de trabalho.
2) Formalização do emprego
A CLT incentiva a contratação com carteira assinada, vinculando empregador e empregado a obrigações recíprocas. Desse modo, isso aumenta a arrecadação previdenciária e reduz a informalidade, embora esse ainda seja um desafio no Brasil.
3) Custos para empresas
A legislação impõe encargos trabalhistas (como FGTS, INSS e verbas rescisórias), que elevam os custos de contratação. Para pequenas empresas, isso pode desestimular a formalização ou limitar a geração de empregos.
4) Judicialização de conflitos
A CLT gera disputas frequentes na Justiça, já que divergências sobre direitos (como horas extras ou demissões) muitas vezes acabam em processos trabalhistas. Isso sobrecarrega o sistema judiciário e cria insegurança para ambas as partes.
5) Rigidez nas relações trabalhistas
Criticada por alguns, a CLT limita a flexibilidade de acordos entre patrões e empregados. A Reforma Trabalhista de 2017 buscou amenizar isso, permitindo negociações diretas em áreas como jornada e home office, mas parte da rigidez ainda persiste.
6) Redução da rotatividade
Regras como aviso prévio e multa do FGTS em demissões sem justa causa desencorajam demissões em massa, incentivando a estabilidade no emprego. Por outro lado, podem tornar empresas mais cautelosas na hora de contratar.
Qual a origem da CLT?
A Consolidação das Leis do Trabalho tem sua origem no contexto histórico do Brasil durante a Era Vargas (1930-1945). Primeiramente, é importante destacar que Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época, buscava modernizar o país e consolidar seu governo, e para isso, implementou uma série de medidas sociais e trabalhistas.
O Brasil passava por um processo de industrialização e urbanização acelerado, o que levou a um aumento da classe trabalhadora e à necessidade de regulamentação das relações de trabalho. A CLT também foi influenciada por legislações trabalhistas de outros países, como a “Carta del Lavoro” da Itália fascista.
As crescentes demandas dos trabalhadores por melhores condições de trabalho e direitos também influenciaram a criação da CLT.
A Criação da CLT
A CLT foi criada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e sancionada pelo então presidente Getúlio Vargas. Ela unificou diversas leis trabalhistas que existiam de forma dispersa, criando um conjunto abrangente de normas para regulamentar as relações de trabalho no Brasil.
A lei tinha como objetivos principais proteger os direitos dos trabalhadores, garantir condições de trabalho dignas e promover a justiça social.
Ao longo dos anos, a CLT passou por diversas alterações para se adaptar às mudanças na sociedade e no mundo do trabalho. Apesar das críticas e debates sobre sua necessidade de modernização, a CLT continua sendo o principal instrumento de regulamentação das relações de trabalho no Brasil.
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Qual a importância da CLT?
A CLT é essencial para garantir direitos trabalhistas e fortalecer as relações entre empregadores e funcionários no Brasil. Ela protege os trabalhadores contra abusos, assegura benefícios e estabelece regras que ajudam a manter um mercado de trabalho mais justo e equilibrado.
Por meio da CLT, os empregados têm segurança jurídica e acesso a benefícios como férias remuneradas, 13º salário e FGTS. Além disso, a legislação define limites para a jornada de trabalho e assegura direitos em casos de demissão, evitando prejuízos para quem depende do emprego.
Para as empresas, a CLT oferece um conjunto de normas claras que organizam os processos de contratação e gestão de funcionários. Assim, isso evita conflitos e contribui para um ambiente profissional mais produtivo e estruturado.
A obrigação de registrar trabalhadores combate a informalidade e amplia a arrecadação de impostos e contribuições previdenciárias. Isso beneficia o sistema de previdência social e financia políticas públicas.
Apesar de ser criada em 1943, a CLT passou por atualizações, como a Reforma Trabalhista de 2017, que incluiu regras para home office e terceirização. Desse modo, isso mostra sua capacidade de evoluir, mesmo que debates sobre flexibilidade versus direitos continuem.
A CLT é um marco histórico. Ela representa conquistas sociais do século XX, como a valorização do trabalho urbano durante a era Vargas. Até hoje, simboliza a luta por direitos básicos e inspira legislações em outros países.
Quais foram as mudanças na CLT com a Reforma Trabalhista?
A Reforma Trabalhista, implementada pela Lei nº 13.467/2017, promoveu diversas mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho. Essas alterações visaram flexibilizar as relações de trabalho e modernizar a legislação, adaptando-a às novas realidades do mercado.
Confira as principais alterações:
1) Prioridade aos acordos sobre a lei
Antes, a CLT prevalecia sobre acordos entre empresas e funcionários. Com a reforma, negociações coletivas (via sindicatos) passaram a ter prioridade em temas como:
- Jornada de trabalho (incluindo banco de horas);
- Intervalos intrajornada;
- Plano de cargos e salários.
Exceção: Direitos como férias, licenças e FGTS continuam intocáveis por acordos.
2) Trabalho intermitente
Foi criado o regime de trabalho intermitente (Artigo 443 da CLT), permitindo que o empregado seja pago por hora ou dia trabalhado, sem vínculo de jornada fixa. O pagamento é feito apenas nos períodos em que há atividade.
3) Fim da contribuição sindical obrigatória
Antes, todo trabalhador pagava uma taxa anual ao sindicato. A reforma tornou o pagamento facultativo, enfraquecendo financeiramente muitas entidades sindicais.
4) Home office e teletrabalho
A reforma regulamentou o trabalho remoto (Artigo 75-A da CLT), definindo que empresas e funcionários podem acordar condições como horários e custos com equipamentos (internet, energia etc.).
5) Terceirização ampliada
Foi autorizada a terceirização de qualquer atividade (não apenas serviços específicos), permitindo que empresas contratem funcionários de outras empresas para funções centrais.
6) Acordo em demissões
Passou a ser permitido o acordo demissional (Artigo 484-A), em que empregador e empregado negociam valores de rescisão sem necessidade de homologação em sindicato.
7) Redução de custos em processos
A reforma limitou o pagamento de honorários advocatícios em ações trabalhistas ganhas pelo empregado. Antes, a empresa pagava 10% a 20% do valor da causa; hoje, o teto é de 15%.
8) Jornada parcial
Foi facilitado o contrato de jornada parcial (até 30 horas semanais, sem hora extra), com salário proporcional. Para jornadas de até 26 horas, o adicional de 30% sobre horas extras foi extinto.
9) Regras para grávidas e lactantes
Grávidas e lactantes podem trabalhar em locais insalubres de baixo risco, desde que um médico aprove. Antes, a proibição era total.
10) Venda de férias
O empregado pode vender até ⅓ das férias (antes era 10 dias), recebendo o valor proporcional em dinheiro.
Impactos da reforma:
- Flexibilidade: Empresas ganharam mais espaço para negociar condições;
- Redução de custos: Empregadores alegam economia com encargos;
- Críticas: Movimentos sindicais argumentam que a reforma precarizou direitos e enfraqueceu a proteção ao trabalhador.
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Fontes: Flash app, Pontotel, Valor Globo e Meu Tudo.