Diferença entre salário e remuneração

Clique e descubra a diferença entre salário e remuneração, conceitos, muitas vezes, usados como sinônimos.

22 de janeiro de 2026 - por Millena Santos


Muita gente usa salário e remuneração como se fossem iguais, mas a CLT mostra que não é bem assim. O salário é o valor fixo pago pelo empregador, enquanto a remuneração inclui esse valor e ainda soma adicionais, como gorjetas.

No fim, a remuneração funciona como um gênero, e o salário como uma espécie.

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O que é salário?

O salário é o valor fixo que o empregador paga em troca do trabalho realizado. É aquele montante definido no contrato, pago em períodos regulares, normalmente todo mês, e que representa a base do que a pessoa recebe pelo serviço prestado.

Esse é o nosso ponto central aqui: salário é a quantia fixa. Já os outros valores que podem aparecer, como bônus, comissões, gratificações ou adicionais, entram em outra categoria, chamada de remuneração, que vamos ver a seguir.

Assim, esse tipo de pagamento aparece como o núcleo da relação de trabalho, enquanto a remuneração engloba o pacote completo, digamos assim, que pode variar conforme a função, a empresa ou o tipo de atividade.

Tipos de salário

São os seguintes:

  • Salário por tarefa: nesse modelo, o importante não é o tempo de trabalho, mas sim o resultado entregue
  • Salário fixo: é um valor mensal combinado no contrato, que não muda conforme o desempenho ou quantidade de horas além da jornada.
  • Salário comissionado: tipo de salário em que a pessoa ganha conforme o que consegue vender ou prestar em serviços.
  • Salário por hora: aqui, o pagamento acompanha exatamente o tempo trabalhado.
  • Salário misto: um valor fixo garantido e uma parte variável baseada em comissões.

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O que é remuneração?

Já a remuneração é o conjunto completo do que a pessoa recebe durante o contrato de trabalho.

Ela reúne o salário definido no acordo e todas as outras vantagens que aparecem ao longo da relação de emprego, como adicionais, gratificações, comissões, bônus ou qualquer valor extra previsto em lei ou em políticas internas da empresa.

Diante disso, pode-se dizer que, enquanto o salário é a parte fixa combinada desde o início, a remuneração engloba tudo o que efetivamente entra no bolso durante o período em que o contrato está ativo.

Tipos de remuneração

  • Remuneração fixa: essa é a remuneração na qual o valor não varia, é exatamente o que foi acordado.
  • Remuneração variável: aqui entram os ganhos que mudam conforme o desempenho. Comissões, prêmios, gratificações por metas atingidas e valores relacionados à produtividade fazem parte desse formato.
  • Remuneração indireta: vai além do dinheiro depositado na conta e inclui benefícios oferecidos pela empresa, como plano de saúde, vale-refeição, auxílio-alimentação ou outros apoios que não integram o salário diretamente, mas fazem parte do pacote total recebido.
  • Participação nos Lucros (PLR): prevista em lei, a PLR é um valor distribuído quando a empresa tem bons resultados.

Quais são os componentes da remuneração?

A remuneração pode incluir diferentes acréscimos além do salário base. Confira:

  • Adicional noturno: pagamento extra para quem trabalha entre 22h e 5h, período considerado noturno pela legislação trabalhista.
  • Adicional de insalubridade: valor complementar destinado a atividades que expõem o trabalhador a agentes prejudiciais à saúde, como ruído excessivo, químicos ou calor intenso.
  • Adicional de periculosidade: é uma compensação para funções que envolvem risco à vida, como trabalho com inflamáveis, eletricidade ou segurança patrimonial.
  • Comissões: são percentuais recebidos conforme vendas realizadas ou serviços prestados.
  • Gratificações: valores concedidos por motivos específicos, como reconhecimento por tempo de empresa, desempenho acima do esperado ou funções de maior responsabilidade.
  • Gorjetas: quantias repassadas diretamente por clientes e que podem integrar a remuneração, dependendo da forma de pagamento e da política do estabelecimento.
  • Bônus e prêmios: recompensas relacionadas a metas, campanhas internas ou resultados excepcionais, funcionando como um incentivo adicional dentro da empresa.

Qual a diferença entre salário e remuneração?

Para entender onde esses dois conceitos se separam, a gente precisa pensar neles como partes de um mesmo conjunto.

A remuneração funciona como o todo, o pacote completo que reúne tudo o que a pessoa recebe durante o contrato de trabalho.

Dentro desse pacote está o salário, que representa apenas uma das parcelas desse conjunto.

A remuneração é mais abrangente porque engloba valores adicionais, como gorjetas, comissões, gratificações, bônus e outros componentes que podem surgir conforme a atividade exercida.

o salário é mais limitado, uma quantia fixa combinada com o empregador em troca do serviço prestado. É o valor-base registrado no contrato, pago de forma periódica, e que serve como referência para os demais cálculos trabalhistas.

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O que é dito sobre salário e remuneração na CLT?

A Consolidação das Leis do Trabalho trata de forma direta a diferença entre salário e remuneração, e isso aparece logo no artigo 457, que é a base para entender quais valores entram (ou não) no cálculo de direitos como FGTS, INSS, férias e 13º salário.

O artigo 457 da CLT traz o seguinte trecho:

Art. 457 – Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.

O próprio artigo também esclarece o que compõe o salário:

§ 1º – Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as comissões pagas pelo empregador.

Ou seja:

  • Salário= tudo aquilo que o empregador paga diretamente (valor fixo, gratificações, comissões)
  • Remuneração= salário + gorjetas e outras parcelas recebidas de terceiros

Depois dessa distinção, o artigo 458 define a forma de pagamento e abre espaço para o chamado salário-utilidade.

O trecho diz:

Art. 458 – Além do pagamento em dinheiro, compreendem-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações ‘in natura’ que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornece habitualmente ao empregado.

Em outras palavras, a lei permite que parte do salário seja paga por meio de utilidades, desde que isso não substitua integralmente o pagamento em dinheiro e siga os critérios estabelecidos pela legislação.

Portanto, esses dois artigos formam a base jurídica que diferencia salário e remuneração e orientam como cada um interfere nos direitos trabalhistas.

Importância de entender a diferença entre salário e remuneração

Entender bem a diferença entre salário e remuneração não é apenas um detalhe técnico, é sim um ponto-chave para qualquer empresa que busca atuar de forma organizada, transparente e dentro das normas trabalhistas.

Afinal, quando esses conceitos ficam claros, a empresa evita erros em folha de pagamento, reduz riscos de ações trabalhistas e garante que cada profissional receba exatamente o que tem direito.

Além disso, compreender essa distinção ajuda na criação de políticas internas mais estruturadas. A empresa consegue estruturar melhor os pacotes de benefícios, definir incentivos, planejar custos e até melhorar a experiência de quem trabalha ali.

Do ponto de vista da gestão, isso facilita negociações, alinhamento de expectativas e tomada de decisões mais seguras sobre cargos, salários e vantagens oferecidas.

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Fonte: Guia Trabalhista, Jus Brasil, Gupy, DPC.

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