Volatilidade implícita: o que é, como calcular, importância

Saiba o que é volatilidade implícita, como ela reflete as expectativas do mercado e por que é tão importante na análise de ativos e opções.

12 de fevereiro de 2026 - por Millena Santos


E quando o mercado tenta “adivinhar” o que vem pela frente? É aí que entra a volatilidade implícita. Essa métrica ajuda a avaliar as expectativas do mercado em relação ao futuro, mostrando o quanto os investidores acreditam que o preço de um ativo pode oscilar nos próximos períodos.

Neste texto, a gente te conta mais sobre ela.

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O que é volatilidade implícita (IV)?

Se você está começando a explorar o mercado financeiro, existe um conceito que merece sua atenção: volatilidade. Afinal, ela nos ajuda a entender como os preços de um ativo se movimentam, ou melhor, o quanto eles costumam oscilar ao longo do tempo.

Dentro do conceito de Volatilidade, há um tipo específico: a Volatilidade Implícita (IV). Diferente da volatilidade histórica, que olha para o passado, a IV é um indicador que está focada no futuro.

Ela indica o que o mercado espera em termos de oscilações de preço daqui para frente.

E por que isso importa tanto? Porque essa expectativa de movimento é uma das métricas mais importantes no mercado de opções.

Dessa forma, é como se a volatilidade implícita fosse um sinal das expectativas do mercado, uma vez que ela não diz exatamente para onde o preço vai, mas mostra o quão intenso esse movimento pode ser.

Para que serve e como funciona a volatilidade implícita?

Como vimos até aqui, a volatilidade implícita é uma métrica essencial no mercado de opções. Mas, na prática, para que ela serve?

De forma simples, a IV ajuda a avaliar as expectativas do mercado. A partir dela, é possível entender como os investidores enxergam os possíveis movimentos de preço no futuro e, com isso, identificar oportunidades que façam sentido dentro de uma estratégia.

E como essa volatilidade é calculada? Ela surge a partir de modelos matemáticos, sendo o mais conhecido o Black-Scholes.

Esses modelos usam informações como preço do ativo, tempo até o vencimento e taxa de juros para chegar à volatilidade que o mercado está precificando naquele momento.

Como calcular a volatilidade implícita?

Aqui, é importante esclarecer que o cálculo da volatilidade implícita não é feito de forma direta, como uma conta simples de calculadora.

Na verdade, ele parte da ideia de descobrir qual nível de volatilidade faz com que o preço teórico da opção seja igual ao preço que o mercado está praticando.

Para isso, entram alguns dados importantes: o preço atual da opção, o valor do ativo subjacente, o preço de exercício (strike), o tempo até o vencimento, a taxa livre de risco e, quando aplicável, os dividendos.

Todas essas informações são inseridas em modelos matemáticos, como o Black-Scholes, resolvendo a equação “de trás para frente”.

Para ficar claro, imagine uma opção de compra (call) que está sendo negociada por R$ 5. O ativo subjacente vale R$ 100, o strike é R$ 105, faltam três meses para o vencimento e a taxa livre de risco é de 10% ao ano.

Ao inserir esses dados no modelo de Black-Scholes e ajustar a volatilidade até que o preço calculado da opção chegue aos mesmos R$ 5 do mercado, a gente encontra a volatilidade implícita.

Como a volatilidade implícita afeta os preços?

Se você ainda não percebeu, aqui vai um alerta importante: volatilidade e investimento caminham juntos.

O motivo? É simples: ela faz parte do mercado e está presente em todos os ativos. Por isso, tentar “fugir” da volatilidade não é uma estratégia, entender como ela funciona, sim.

No mercado de opções, a volatilidade implícita tem um papel central. Ela é um dos principais elementos utilizados nos modelos de precificação, como o Black-Scholes, influenciando diretamente o valor das opções.

Na prática, isso acaba sendo bem simples: quanto maior a volatilidade implícita, maior tende a ser o preço do prêmio da opção.

Isso acontece porque, com mais volatilidade esperada, aumentam também as chances de o ativo se mover de forma significativa até o vencimento, e esse “potencial extra” tem um custo.

Diferenças entre volatilidade implícita e volatilidade histórica

Tanto a volatilidade implícita quanto a volatilidade histórica fazem parte do mesmo conceito central: a volatilidade, ou seja, o grau de oscilação dos preços de um ativo. Apesar disso, cada uma tem um foco.

A volatilidade implícita, por exemplo, está voltada para o futuro. Ela reflete as expectativas do mercado sobre o quanto o preço de um ativo pode variar daqui para frente.

Embora não seja uma previsão exata, essa expectativa é construída levando em conta, entre outros fatores, o comportamento passado do ativo.

a volatilidade histórica, como o próprio nome sugere, olha para o passado. Ela mede o quanto o preço de um ativo oscilou dentro de um determinado período de tempo.

Dessa forma, é um dado objetivo, baseado em movimentos que já aconteceram, sem qualquer garantia de que esses mesmos padrões vão se repetir.

Portanto, de forma bem objetiva, o que é importante você entender aqui é que a volatilidade histórica mostra o que já aconteceu, enquanto a volatilidade implícita indica o que o mercado espera que aconteça.

Importância da volatilidade implícita

A gente já viu, até aqui, que a Volatilidade Implícita representa as expectativas do mercado sobre os movimentos futuros dos preços, tornando-se uma ferramenta indispensável para diferentes perfis de investidores.

Ao indicar o nível de incerteza ou confiança dos participantes do mercado, a IV ajuda a interpretar o momento do ativo.

Uma volatilidade mais alta pode sinalizar expectativa de grandes oscilações, enquanto níveis mais baixos costumam indicar um ambiente de maior estabilidade, ou, pelo menos, de menor surpresa esperada.

Na precificação de opções, a volatilidade implícita continua sendo essencial, pois influencia diretamente o valor dos prêmios.

Mas seu papel não para por aí.

Ela também contribui para a gestão de risco, para o ajuste de estratégias e para a leitura da situação do mercado, mesmo para quem investe apenas em ações, índices ou outros ativos.

Logo, entender a volatilidade implícita é ampliar o olhar sobre o mercado. Ou seja, é sair do preço atual e começar a enxergar o que o mercado está projetando para o futuro.

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Fonte: CFI, Fidelity, Suno, Mais Retorno, Top Invest.

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