13 de abril de 2026 - por Sidemar Castro
O VaR Histórico (Não Paramétrico) estima a perda máxima potencial de um investimento em um horizonte de tempo e nível de confiança definidos, utilizando dados passados reais sem assumir uma distribuição normal. Ordena-se os retornos históricos e identifica-se o percentil correspondente (exemplo: 5º pior retorno para 95% de confiança).
Entenda neste artigo o que é o VaR Histórico (Não Paramétrico) e como calcular. Leia!
Veja mais: Gerenciamento de risco: o que é e como fazer em seus investimentos?
O que é o VaR histórico?
O VaR histórico é uma técnica para calcular o Value at Risk (VaR) que se baseia exclusivamente em dados de performance passados. Você pega os retornos diários (ou semanais) de um ativo ou carteira dos últimos anos e os organiza em ordem crescente.
O VaR histórico para um nível de confiança de 95% será o valor da perda que separa os 5% piores resultados históricos dos outros 95% . É uma maneira de responder “qual foi o tamanho do prejuízo nos piores dias que este investimento já teve?”.
Para que serve o VaR histórico?
O principal objetivo do VaR histórico é servir como um medidor de risco de mercado. Ele é utilizado por gestores de fundos, tesourarias de bancos e investidores institucionais para estimar, com base em evidências reais, qual seria a perda máxima esperada para suas posições sob condições normais de mercado.
Desse modo, isso ajuda na tomada de decisão sobre o tamanho máximo de uma posição, na definição de limites de risco para traders e na comunicação de forma transparente sobre o perfil de risco de um portfólio.
Como funciona o VaR não paramétrico?
O VaR não paramétrico funciona como um “espelho” do mercado. Em vez de usar uma fórmula matemática que assume um comportamento ideal (como a distribuição normal), ele respeita os dados como eles são.
Se o mercado já teve uma queda de 10% em um dia, esse evento entra no cálculo. Se nunca teve uma queda maior que 5%, o VaR será 5% .
A ideia central é que a melhor previsão para a distribuição dos retornos de amanhã é a distribuição dos retornos que observamos ontem e nos dias anteriores.
Leia também: Investindo em tempos de crise: oportunidades e armadilhas
Como calcular o VaR histórico?
Para calcular o VaR histórico na prática, primeiro você precisa de uma série histórica de retornos do seu ativo ou carteira. Em uma planilha, organize esses retornos em uma coluna.
Em seguida, classifique essa coluna do menor número (a maior perda) para o maior número (o maior ganho). Se você tem 250 retornos diários (um ano aproximado) e quer um VaR de 99%, você localizará o 3º pior retorno (pois 1% de 250 é 2,5, arredondado para 3).
A perda percentual desse retorno, multiplicada pelo valor total da sua posição, é o seu VaR histórico .
Saiba mais: Taxa de retorno: o que é, como calcula, importância
Análise do VaR não paramétrico
Analisar o VaR não paramétrico é como analisar um mapa do caminho que você já percorreu. Ele é ótimo para mostrar os buracos e as curvas perigosas que você já enfrentou.
A análise fica mais rica quando você observa como o VaR se comporta ao longo do tempo: um VaR crescente indica um período de aumento de volatilidade no passado, enquanto um VaR estável sugere um período de calmaria.
O ponto crítico dessa análise é lembrar que o mapa não mostra os perigos de um caminho novo que você ainda vai explorar.
Vantagens e desvantagens do VaR histórico
A maior vantagem do VaR histórico é a sua objetividade, pois os resultados não dependem de escolhas subjetivas sobre a fórmula de uma distribuição estatística. Ele também é fácil de visualizar e explicar para não especialistas.
Por outro lado, sua maior desvantagem é a falta de sensibilidade a mudanças repentinas no mercado; se o mercado virou, o VaR ainda estará olhando para um passado que pode não se repetir.
Além disso, ele requer um banco de dados grande e confiável para ser estatisticamente significativo.
Importância do VaR histórico para os investimentos
O VaR histórico é importante porque ancora a gestão de risco na realidade concreta do mercado. Ele evita que o investidor confie cegamente em modelos teóricos que, em momentos de estresse, costumam quebrar.
Para o investidor comum, ele pode ser um alerta: se um fundo de investimento apresenta um VaR histórico de 2% ao dia, significa que, em 5% dos dias do período analisado, ele perdeu mais do que isso. O que ajuda a calibrar a expectativa e a tolerância ao risco de forma mais honesta.
VaR histórico vs. VaR paramétrico
A comparação entre os dois métodos é clássica.
O VaR histórico calcula o risco usando diretamente dos retornos passados, sem assumir nenhuma forma específica de distribuição estatística.
Já o VaR paramétrico utiliza um modelo matemático que pressupõe uma distribuição (geralmente normal) e estima o risco a partir de parâmetros como média e variância dos retornos.
Assim, o primeiro depende apenas dos dados observados, enquanto o segundo depende da validade das hipóteses estatísticas adotadas.
Leia também: Dividendo cumulativo: o que é e como funciona?