11 de agosto de 2026 - por raulsena1
São mais de 7 anos no mercado financeiro. Já fiz quase 4 mil vídeos sobre o assunto e depois de tanto conteúdo produzido, ficou uma pergunta: se tivesse que escolher um assunto, um resumo do que realmente importa sobre dinheiro, qual seria?
Antes de entrar nisso, uma apresentação rápida! Meu nome é Raul Sena, sou fundador de uma das maiores consultorias de investimento do país, a AUVP, que hoje é a primeira colocada no ranking do BTG Pactual e cuida de bilhões de reais de mais de 50 mil pessoas.
Então, quando o assunto é dinheiro, dá para dizer que entendo bem as nuances de diferentes momentos de vida. Não de todos, é verdade, porque o perfil de cliente que atendo hoje é de classe média, classe média alta e grandes fortunas. Mas nasci na periferia do Brasil, literalmente no centro do país, em bairro periférico, estudei em escola pública e tive carteira assinada desde os 16 anos. Família de retirante vindo da Bahia, onde ninguém gostava de ver homem desocupado. Então esse começo eu também vivi.
Feita a apresentação, vamos aos pontos que realmente fazem diferença.
O dinheiro odeia a lentidão
A primeira lição, e que demorou anos para ser aprendida, é que o dinheiro odeia lentidão na tomada de decisão. É comum encontrar pessoas com ideias tão boas quanto as de quem já deu certo, ou até melhores, mas que ficaram travadas esperando o momento certo, esperando terminar um curso, esperando se sentir preparadas.
Dá para ver isso bem claro agora com a inteligência artificial. Tem gente programando ferramentas e lançando produtos sem estar 100% pronta, e mesmo com resultado pequeno, já está tirando proveito disso. Enquanto isso, quem fica esperando o momento ideal, planejando fazer mais um curso, mais uma faculdade, um MBA, chega depois, com a barreira de entrada mais alta e os concorrentes já na frente.
A vida não recompensa quem é mais preparado. Ela recompensa quem tenta primeiro, erra primeiro, aprende com o erro e corrige o caminho. Isso vale para empresas, para criação de conteúdo e até para política: quem tem coragem de se candidatar acaba ocupando o espaço, mesmo sem ser o mais qualificado, enquanto os mais preparados ficam de fora por não quererem se expor.
Nunca foi visto alguém de perfil muito analítico, que demora demais para decidir, ficando extremamente rico. Basta olhar para dentro de bancos e grandes empresas: os perfis mais analíticos costumam gerar boa parte do resultado do negócio, mas ficam com uma fatia pequena dos ganhos, porque os fundadores geralmente têm um perfil de atacante, de ir para cima.
A história de Steve Jobs e Steve Wozniak ilustra bem isso. Foi Wozniak quem construiu o primeiro computador, mas foi Jobs quem levou aquilo ao mercado e acumulou a maior parte do dinheiro e do prestígio. O ideal é justamente essa mistura de perfis, o analítico ao lado do que arrisca. Casos como o de Jorge Paulo Lemann e do 3G Capital, ou de Eike Batista, mostram o outro lado dessa moeda: quem arrisca muito, erra muito, mas também é quem constrói as coisas grandes. Quem fica esperando a hora certa geralmente perde o timing do mercado.
Aprender a ter dinheiro na conta é a parte mais difícil
Esse é um ponto pouco falado. Não importa a faixa de renda: aprender a manter dinheiro guardado é, de longe, a parte mais difícil de toda a vida financeira. A maioria das pessoas projeta seus gastos com base no que ganha e nunca acumula nada.
Isso não é um problema de caráter, é quase biológico. O ser humano evoluiu como caçador coletor, programado para consumir recursos até o fim, não para guardar.
Dá para ver esse padrão desde a infância. Um exemplo simples: meu irmão sempre teve perfil poupador, gostava de guardar dinheiro em porquinho, tomava pouco risco, e hoje segue exatamente assim, investindo direito sem nunca precisar de grandes esforços para aprender. Já a minha irmã gastava tudo o que recebia em minutos. O comportamento da infância tende a se repetir na vida adulta.
E ganhar mais não resolve sozinho. Existem pessoas que, por mais que ganhassem milhões por mês, gastavam tudo, viviam alavancadas e sempre precisavam de dinheiro. O padrão se repete com atores famosos que compram castelos e destroem fortunas, com ganhadores de loteria que perdem tudo e com jogadores de futebol que terminam a carreira sem conseguir pagar as próprias contas. Não existe quantia de dinheiro que resolva o problema de quem não sabe guardar.

Investir bem é menos sobre acertar o ativo e mais sobre consistência
Empreender não é para todo mundo
Esse ponto é difícil de admitir, mas é real: nem todo mundo nasceu para empreender, e está tudo bem. Existem perfis diferentes. Quem valoriza rotina, previsibilidade e tempo com a família tende a sofrer bastante ao abrir um negócio, porque uma empresa não respeita horário nem rotina fixa. Um problema pode aparecer às 2 da manhã e vai exigir resposta.
Por isso, o funcionalismo público não é nenhum demérito. Quem tem perfil organizado e gosta de previsibilidade pode construir um patrimônio sólido dentro dele, migrando para concursos cada vez melhores e aproveitando a estabilidade para investir com constância. Muita gente com décadas de carreira pública acumula patrimônios expressivos justamente por isso.
Outro caminho é a iniciativa privada, virando intraempreendedor dentro de uma empresa que distribui participação societária. É comum ver funcionários de grandes empresas com participação em resultados enriquecerem mais do que a maioria dos donos de pequenos negócios. A ideia de que funcionário nunca enriquece é um erro grosseiro: quem recebe ações ou cotas de empresas que crescem, como aconteceu com brasileiros que tinham ações da Nvidia, pode acumular muito patrimônio sem nunca ter aberto uma empresa própria.
Já quem abre um negócio por necessidade, sem vocação real para isso, entra em terreno perigoso. O setor alimentício é um bom exemplo: parece simples de fora, mas trabalha com margens apertadas, estoque perecível, fiscalização sanitária e um fluxo de operação que não perdoa falhas. Até os melhores chefs do país já quebraram restaurantes, e grandes redes internacionais também já passaram por dificuldades sérias nesse setor.
A maioria do conteúdo sobre dinheiro é raso
Um último ponto importante: boa parte do que circula por aí sobre dinheiro é raso, porque quem realmente domina esse jogo raramente ensina em ambientes abertos. Faz sentido, essas pessoas vivem do próprio conhecimento e não têm motivo para compartilhar o que as tornou bem-sucedidas.
Além disso, estratégias que funcionaram no passado tendem a se esgotar rápido, porque todo mundo começa a copiar a mesma fórmula. O que funcionou para o fundador de uma grande rede em determinado momento histórico pode não funcionar mais hoje, porque o mercado já se ajustou. Replicar exatamente o que alguém fez anos atrás, sem entender o que mudou no meio do caminho, tende a não dar em nada.
O caminho mais seguro é estudar a trajetória de quem já fez acontecer, entender o contexto de cada decisão e adaptar isso para o momento atual, em vez de copiar de forma literal.
Quer conferir mais detalhamento sobre cada um desses conselhos? Então assista ao vídeo em que falo detalhadamente sobre tudo isso!
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