13 de setembro de 2026 - por Raul sena
Para ser aprovado em entrevista de emprego, você precisa de quatro coisas: chegar conhecendo a empresa melhor que alguns funcionários, perguntar o que eles procuram para a vaga e responder em cima disso, não dizer uma única frase negativa sobre onde já trabalhou e não puxar assunto de salário. Fui diretor por muitos anos, contratei muita gente, e quem passa nem sempre é o mais qualificado. É quem entende como a entrevista funciona.
Atualizado em 29 de setembro de 2026. O texto parte do vídeo publicado em 2 de julho de 2026.
Abaixo está o que aprendi dos dois lados da mesa: antes, durante, o que nunca dizer e como terminar a conversa deixando o poder de escolha com você.
Salário melhor só vira patrimônio se você souber investir
Quando procurar emprego
O melhor momento para procurar emprego é quando você está empregado. Você negocia sem pressa, sem medo de ficar sem renda e sem aceitar a primeira proposta que aparece.
E não, não é perigoso. Você está empregado, não está morto. Acompanhar outras empresas, se preparar e fazer entrevistas é parte normal de quem cuida da própria carreira.
Como se preparar para a entrevista: estude a empresa
Estudar aqui é algo bem prático. Abra o LinkedIn da empresa e veja o que eles publicam. Em muitas empresas quem cuida dessa comunicação é o próprio RH, o mesmo que vai te entrevistar, e eles se importam com o alcance dessas publicações. Se a entrevista é daqui a um mês, comece hoje:
- Curta e comente as publicações da empresa e do pessoal do RH.
- Leia a página de valores e guarde dois ou três que tenham a ver com você.
- Anote o que a presidência e a diretoria disseram em publicações recentes.
Quando a pessoa que escreveu um post com três curtidas vê que uma delas é sua, ela lembra do seu nome. Parece detalhe. Não é.
Vá além das redes. Entenda com o que a empresa trabalha, o catálogo, os desafios e quem são os concorrentes. Isso muda o nível da conversa.
Por que isso pesa tanto
Uma das maiores dificuldades das empresas hoje é achar profissional engajado. Se você chega conhecendo o negócio melhor do que alguns funcionários, você já parece funcionário antes de ser contratado. O RH enxerga aí a chance de melhorar os próprios números: menos turnover, contratação mais certeira.
E você passa a conversar sobre um assunto que domina. Juro que metade do trabalho está feita se você estudou a empresa. As referências aparecem sozinhas nas respostas.
Só não fale demais. Use o que sabe na hora certa. Se perguntarem por que você se interessou pelo processo, aí sim: conte que acompanha as publicações, cite algo que a empresa publicou e que mexeu com você, e diga por que concorda.
A pergunta que entrega as respostas
Logo depois desse momento, pergunte:
“O que vocês estão procurando especificamente para essa vaga?”
A pessoa vai responder algo como “alguém com alta capacitação” ou “alguém mais júnior, que esteja começando”. Guarde três ou quatro palavras dessa resposta e deixe a entrevista seguir.
Ela acabou de dizer exatamente o que você precisa mostrar. É o garçom que pergunta o que o cliente está com vontade de comer e depois apresenta o prato que combina. Nas próximas respostas, ligue a sua experiência a cada ponto que ela disse que procura.

Requisito impossível não é motivo para desistir
Muita vaga pede coisa inatingível, tipo “júnior com 10 anos de experiência”. A maioria se irrita e desiste. Erro.
A empresa está descrevendo um ideal. O seu papel é mostrar o quanto você se aproxima dele. Nunca trabalhou na área mas estuda o tema há anos? Diga isso: “Sou júnior porque nunca trabalhei formalmente na área, mas estudo esse assunto há bastante tempo”. Fale da curiosidade, de como foi atrás do conhecimento por conta própria.
O mercado brasileiro favorece quem é desenrolado. Se você ainda não é, essa é a primeira habilidade a desenvolver.
O que não dizer na entrevista
Muita coisa numa entrevista não é conversa, é avaliação. O entrevistador tem um checklist, mesmo que só na cabeça: “não parece comprometido”, X; “não tem a experiência”, outro X. Qualquer frase negativa pesa contra você. Várias perguntas existem justamente para você escorregar.
A casca de banana mais comum: “como era trabalhar na sua empresa anterior?”. A pessoa começa: o chefe era péssimo, pagava mal, o RH era um inferno. Pronto, reprovado. Falou mal de qualquer lugar onde trabalhou, está praticamente fora. Não importa o que te fizeram; quem está do outro lado enxerga risco trabalhista, e o trabalho do RH é diminuir risco.
No lugar disso:
- Aprendizado. “Tive um chefe muito exigente, e isso aumentou minha resiliência.”
- Gratidão. “Sou grato pelo que vivi lá, mas precisava de um lugar onde pudesse crescer mais.”
- Saída pela ambição. “Cheguei a um cargo bom, mas a estrutura era fechada demais para eu ir além.”
- Experiência ruim? Seja breve. Sem detalhe.
Devo falar de salário na entrevista?
Eu não puxaria o assunto. É muito mais fácil receber a proposta e recusar depois do que pressionar por um número durante a conversa.
O orçamento da vaga já está definido antes de a reunião começar. Empresa grande tem tabela de cargos, e o seu nível vai se encaixar em algum lugar dela: um candidato recebe um pouco menos que a referência, outro um pouco mais, conforme a experiência. Falar de dinheiro cedo não aumenta essa faixa. Só dá ao entrevistador motivo para achar que você quer só o salário.
Se o assunto surgir, mostre que o foco é a carreira: você escolheu aquela empresa porque quer crescer, pensa em ficar anos e entende que a remuneração é consequência do que vai entregar. Pergunte se a empresa se considera meritocrática. Se a resposta for sim, diga que então fica tranquilo. Para saber quanto sobra de uma proposta depois dos descontos, a calculadora de salário líquido ajuda.
E nada de desespero. Quem mostra que precisa muito daquele emprego coloca pressão no RH, e isso raramente joga a favor. Quem transmite segurança é visto como mais sênior e recebe proposta melhor.
Como terminar a entrevista
No fim, a maioria pergunta os próximos passos, quando vai ter resposta, horário, benefícios. Esqueça. Se você não passar, nada disso importa. Se passar, vai estar tudo na proposta.
Termine assim: “Me senti muito bem nesta entrevista. A forma como você conduziu a conversa já me diz muito sobre a empresa. Espero ter a chance de te dar parabéns pessoalmente um dia. Muito obrigado.”
Passe em várias e escolha
O objetivo de tudo isso é trocar de mão o poder de dizer não. Aprovado em uma vaga só, você aceita o que oferecerem. Aprovado em várias, quem escolhe é você.
Quando eu ia mudar de emprego, fazia umas 10 entrevistas e passava em seis. Escolhia a que queria e agradecia às outras.
Com mais de uma proposta na mão, dá para negociar: “Recebi uma proposta de R$ 8 mil. Queria muito trabalhar aqui, mas não consigo aceitar R$ 5 mil. Se vocês conseguirem se aproximar, fico com vocês.” Muitas vezes a proposta melhora, e você entra sendo visto como profissional disputado. Como conduzir essa conversa está em meu princípio número 1 em negociação.
Dúvidas que sobram
Como se preparar para uma entrevista de emprego?
Estude a empresa: publicações no LinkedIn, página de valores, produtos, desafios, concorrentes. Quem chega conhecendo o negócio já parece funcionário antes de ser contratado.
Devo falar de salário na entrevista?
Eu não falaria. O orçamento da vaga já está definido antes da conversa; pressionar por número só faz o entrevistador achar que você quer só o dinheiro. Receba a proposta e negocie depois.
Como responder sobre o emprego anterior?
Nunca falando mal. Aprendizado, gratidão e saída pela vontade de crescer. Crítica ao antigo empregador vira risco trabalhista na cabeça do RH.
O que perguntar no fim da entrevista?
Nada sobre próximos passos, horário ou benefício. Agradeça e elogie a condução. A pergunta que vale, ‘o que vocês procuram para essa vaga?’, é feita no meio da conversa.