21 de janeiro de 2026 - por Millena Santos
Duration e prazo são dois conceitos fundamentais para quem investe em renda fixa e deseja compreender melhor o comportamento dos títulos ao longo do tempo. Embora muitas vezes sejam tratados como sinônimos, esses indicadores cumprem funções distintas na análise de risco e retorno.
Enquanto o prazo indica quando o capital será devolvido, a duration ajuda a entender como o preço do título reage às variações das taxas de juros, sendo uma métrica essencial para decisões mais estratégicas.
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O que é duration?
Quando falamos em duration, estamos falando de tempo, mas não é de qualquer tempo. A duration busca responder a uma pergunta essencial para quem investe em renda fixa: em quanto tempo, em média, o dinheiro aplicado em um título pré-fixado volta para o bolso do investidor por meio dos fluxos de pagamento.
Isso significa que não é apenas o vencimento final que conta, mas todo o caminho até lá, considerando cada pagamento recebido ao longo do tempo.
Esse conceito surgiu lá em 1938, quando o economista Frederick Macaulay desenvolveu uma forma mais inteligente de olhar para o prazo dos títulos. Em vez de enxergar o investimento como algo estático, ele propôs uma métrica que leva em conta o valor e o momento de cada fluxo de caixa.
Inclusive, a medida ficou conhecida como Duration de Macaulay e, até hoje, segue sendo uma referência no mercado financeiro.
Como funciona a duration?
A duration é quase como parar para observar a relação entre tempo e dinheiro com mais calma. Em vez de olhar só para a data de vencimento do título que, sozinha, diz bem pouco, ela acompanha cada pagamento que vai acontecendo pelo caminho.
Cada um desses fluxos é trazido para o valor de hoje, como se a pergunta fosse: quanto isso realmente vale agora e qual é o seu peso no preço do título?
Quando a gente faz esse exercício, fica claro que o tempo não trata todos os pagamentos da mesma forma. O que chega antes conta mais, pesa mais na conta. O que fica lá na frente vai perdendo força.
Ou seja, é uma forma menos ingênua, e um pouco mais inquieta, de enxergar o prazo e entender como o título se comporta ao longo do tempo, sem se prender apenas ao calendário.
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O que é prazo de vencimento?
O prazo de vencimento é o ponto final da jornada, digamos assim, de um título de renda fixa. É o tempo combinado desde o momento da aplicação até a data em que o emissor devolve ao investidor o valor principal investido, encerrando oficialmente aquela operação.
É nesse vencimento que o dinheiro volta para casa, junto com os rendimentos acumulados, especialmente nos títulos que não fazem pagamentos periódicos de juros.
Diferente de outras métricas que analisam o caminho até lá, o prazo de vencimento olha apenas para o destino final, servindo como uma referência clara de quando a aplicação chega ao fim.
Qual a diferença entre duration e prazo?
A primeira coisa a ter em mente é que duration e prazo não são sinônimos, embora muita gente acabe misturando os dois. O prazo olha apenas para a data final do título, aquele momento em que o investimento se encerra e o principal é devolvido ao investidor.
É um conceito direto, quase literal: quando começa e quando termina.
Já a duration vai além desse ponto final. Ela observa todo o caminho até o vencimento, considerando quando e como o dinheiro volta ao investidor ao longo do tempo.
Por isso, dois títulos com exatamente o mesmo vencimento podem ter durations bem diferentes, dependendo da estrutura de pagamentos.
Se um título paga juros semestrais, anuais ou só lá no fim, isso muda completamente a duration, mesmo que o prazo seja igual. Ou seja, enquanto o prazo responde quando o investimento acaba, a duration ajuda a entender como e em quanto tempo, em média, o capital é recuperado.
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Importância de entender a diferença entre duration e prazo
Entender a diferença entre prazo e duration muda bastante a forma como a gente enxerga a renda fixa. À primeira vista, o prazo parece suficiente: ele diz quando o título vence e pronto.
Mas, se a ideia for entender risco de verdade, especialmente o risco de juros, essa informação acaba sendo superficial demais. O prazo olha só para o fim da estrada, sem prestar muita atenção no que acontece durante o caminho.
A duration entra justamente aí, trazendo uma camada a mais de leitura. Ela observa quando os pagamentos acontecem e qual é o peso de cada um no valor do título.
E é a partir disso que surge um insight importante: títulos com maior duration tendem a sentir mais as oscilações dos juros, enquanto os de duration menor costumam reagir de forma mais contida.
Ou seja, não é só sobre quando o dinheiro volta, mas sobre como o preço se comporta enquanto isso não acontece.
Isso é um divisor importante pois tira o investidor do escuro. A duration ajuda a antecipar movimentos, a entender a volatilidade por trás de um papel que, à primeira vista, parece tranquilo.
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Fonte: Suno, Empiricus, Toro Investimentos, Daycoval.