Diferença entre reshoring, nearshoring e offshoring

Reshoring traz a produção de volta ao país de origem, nearshoring leva para países vizinhos, e offshoring desloca para locais distantes. Saiba mais sobre esses conceitos!

6 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro


Reshoring, nearshoring e offshoring são estratégias de terceirização de produção e serviços, diferenciadas principalmente pela localização. Offshoring envolve levar as operações para países distantes, nearshoring é transferi-las para países vizinhos ou próximos, e reshoring é trazê-las de volta ao país de origem. Entenda as diferenças.

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O que é reshoring?

Considere uma empresa que exportava sua produção para outro país porque parecia mais barato na época. Agora, diante de desafios como a pandemia, instabilidades globais ou mudanças no mercado, essa empresa decide que é mais vantajoso voltar a produzir no próprio território. Esse retorno de operações ao país-base é o que chamamos de reshoring.

Ou seja: não é apenas levar para perto ou para um país vizinho, o que seria nearshoring, mas efetivamente repatriar ou relocalizar parte da produção para o país de origem, por razões estratégicas, operacionais ou de imagem.

Vantagens e desvantagens do reshoring

Optar pelo reshoring é uma forma de a empresa dizer: “vou voltar a produzir aqui, mais próxima de mim, dos meus clientes e dos meus times”.

A vantagem é que isso gera maior visibilidade sobre a produção, melhor integração entre equipes de desenvolvimento, fábrica e vendas. Também há menos risco de rupturas por transporte ou situação internacional; e mais agilidade para lançar novidades ou adaptar produtos rapidamente.

Esse tipo de proximidade pode até ajudar a empresa a ser mais sustentável ou responder melhor à expectativa dos consumidores que valorizam produção nacional.

No entanto, nem sempre é a melhor solução. Retornar ao país de origem pode ter custos operacionais mais elevados, salários, energia, encargos, que antes se minimizavam com produção externa.

Também pode haver gargalos no processo: instalar fábrica ou linha de produção nova, contratar e treinar pessoas, adaptar fornecedores locais. E se a empresa não levar em conta todos os custos, inclusive os “escondidos”, como estoque elevado ou transporte interno, pode acabar com ganhos menores do que o esperado.

Exemplo de reshoring

Pense em uma marca de vestuário que, por muitos anos, produziu em regiões de baixo custo no exterior para manter preços competitivos. Daí vem uma onda de aumento de salários nesses países, somada a custo elevado de envio, interrupções no transporte, e consumidores valorizando produtos “feitos no país”.

A marca então decide transferir a produção de volta para o seu país, moderniza a fábrica local, adota automação e usa mão de obra local treinada. Isso é reshoring: trazer a fabricação de volta para o país de origem, não só para reduzir custos ocultos, mas para se aproximar do cliente, ter cadeia mais segura e fortalecer a economia local.

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O que é nearshoring?

Pense numa empresa que decide produzir ou prestar serviços num país que fica “até ali perto” em vez de ir para o extremo oposto do planeta: isso é nearshoring. Foca-se em reduzir distância geográfica, fuso horário, barreiras culturais ou logísticas, de modo que a operação fique mais próxima do mercado principal ou da sede da empresa.

As vantagens surgem justamente nesta menor distância: menos tempo para transporte, mais facilidade de supervisão, maior agilidade para ajustes. Mas existe um trade-off: talvez os custos não sejam tão baixos quanto em locais tradicionais de offshoring, e ainda seja necessário gerenciar fornecedores ou equipes em outro país.

Vantagens e desvantagens do nearshoring

Quando uma empresa opta pelo nearshoring ela está dizendo: “vou levar parte da produção ou serviços para um país relativamente próximo, não para o outro lado do mundo”. Isso traz vários ganhos. Por exemplo: a proximidade reduz atrasos logísticos, facilita visitas presenciais e a comunicação fica mais fluida, já que zonas de fuso ou diferenças geográficas são menores.

Também há maior afinidade cultural ou de idioma, o que diminui riscos de mal-entendidos. Além disso, a cadeia de suprimentos tende a ser mais estável e menos vulnerável a rupturas quando a produção está mais próxima.

Por outro lado, não é um modelo livre de desafios. Em alguns casos os custos de mão de obra ou infraestrutura podem ser maiores do que os esperados ou maiores do que em locais mais distantes de baixo custo.

Também, a oferta de fornecedores ou especialistas pode ser mais limitada em países próximos comparados aos grandes polos internacionais.

Exemplo de nearshoring

Suponha uma empresa no Brasil que antes tinha parte da produção ou serviços em outro continente, talvez por mão de obra mais barata ou outros incentivos. Agora ela decide mudar parte dessa operação para um país mais próximo, no mesmo continente ou uma região com fuso horário semelhante.

Esse movimento de levar a produção ou serviço para um local “mais perto” do mercado de origem é o nearshoring.

Vamos dar um exemplo direto: uma fábrica que estava na Ásia pode passar parte da produção para um país vizinho ou com logística mais simples, reduzindo tempo de transporte, diminuindo riscos de cadeia de suprimentos e tendo melhor comunicação.

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O que é offshoring?

Offshoring é quando uma empresa decide mover parte das suas operações, produção, serviços de apoio, tecnologia, para outro país, geralmente buscando custos mais baixos ou acesso a talentos especializados em regiões distantes.

Por exemplo, em vez de manter tudo no país de origem, ela instala uma fábrica ou abre um centro de atendimento em outro país onde a mão de obra, a regulação ou o ambiente tributário são mais favoráveis.

Essa estratégia pode trazer ganhos significativos em termos de economia de custos ou entrada em novos mercados, mas também exige lidar com fusos horários, barreiras culturais, logística internacional ou até riscos regulatórios.

Vantagens e desvantagens do offshoring

Quando uma empresa decide seguir o caminho do offshoring, ela está transferindo parte da produção ou de serviços para um país distante, basicamente para aproveitar custos mais baixos ou acesso a recursos especializados. Uma das grandes vantagens desse modelo é o corte de custos: mão de obra mais barata, menos gastos com benefícios locais e até economias com infraestrutura em alguns casos.

Além disso, ao ter operações em fusos horários diferentes ou em um país com força de trabalho preparada, a empresa pode ganhar mais produtividade ou 24 horas de operação.

Por outro lado, o offshoring traz desafios importantes. A supervisão pode se tornar mais difícil, estando longe, controlar qualidade ou comunicação fica mais complexo. Diferenças de idioma, cultura, regulamentos ou fusos horários podem gerar mal-entendidos ou atrasos.

Outro ponto é que os custos “escondidos” podem aparecer: viagens, supervisão, adaptação de processos ou até riscos de segurança e proteção de propriedade intelectual.

Exemplo de offshoring

Veja uma empresa de tecnologia nos Estados Unidos que abre um centro de desenvolvimento de software na Índia.

Parte das equipes de programação, testes e suporte técnico ficam localizadas lá, porque os custos de mão de obra são menores e há uma boa oferta de profissionais qualificados.

Esse movimento de levar operações para outro país, longe do país de origem, para aproveitar vantagens de custo ou talento, é justamente o que caracteriza o offshoring.

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Qual a diferença entre reshoring, nearshoring e offshoring?

Offshoring

A principal razão é a redução drástica de custos. Contudo, essa distância maior aumenta os riscos. Prazos de entrega são mais longos, a gestão da qualidade é mais difícil devido à distância e a empresa fica mais vulnerável a choques geopolíticos ou a problemas logísticos globais (como um navio encalhado ou fechamento de portos).

Nearshoring

É a busca por um modelo mais resiliente. Ao estar perto, a empresa reduz custos logísticos (o transporte é mais barato e rápido), minimiza a diferença de fuso horário (facilitando a coordenação de equipes em tempo real) e ganha maior visibilidade e controle sobre a operação do que teria em um offshoring muito distante. É um meio-termo para ter eficiência sem tanto risco.

Reshoring

O reshoring é a decisão de eliminar o risco da distância e da dependência externa, priorizando o controle total. Ao produzir em casa, a empresa se adapta rapidamente às mudanças do mercado e garante que todos os produtos atendam aos padrões de qualidade e regulamentação locais de forma imediata. É um movimento que prioriza a agilidade e a estabilidade da cadeia.

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Reshoring, nearshoring ou offshoring: qual escolher?

Quando chega o momento de escolher entre trazer operações de volta ao país de origem (reshoring), transferi-las para um país próximo (nearshoring) ou mantê-las em locais distantes (offshoring), o mais importante é pensar nos objetivos da empresa e nos trade-offs que cada alternativa oferece. Por exemplo: se o foco for custo mínimo imediato, o offshoring pode parecer atraente: deslocar produção para locais de mão de obra barata.

Mas se a empresa priorizar agilidade, proximidade, logística mais simples ou cultural/regulatória mais similar, então o nearshoring costuma fazer mais sentido: ele reduz distâncias, facilita supervisão e acelera entregas.

Se a ênfase for controle máximo, qualidade local, proteção de propriedade ou resposta rápida ao mercado doméstico, então o reshoring pode ser o caminho. Mesmo com custo mais alto, ele reduz muitos riscos de logística, comunicação ou laços externos.

Ou seja: antes de decidir, vale mapear quais fatores pesam mais: custo, velocidade, risco, controle, e então escolher a alternativa que melhor se alinha à estratégia da empresa.

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Fontes: Descartes, Incodocs, Easy Cargo 3d, Columbia Trading, Thomas Net.

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