24 de junho de 2025 - por Sidemar Castro
No mundo dos negócios, a negociação competitiva é uma ferramenta poderosa, capaz de gerar resultados importantes para todas as partes. Contudo, para que ela realmente funcione, é importante dominar as estratégias certas e ter boas habilidades de negociação.
Assim, você não só consegue acordos vantajosos, mas também mantém um bom relacionamento com seus concorrentes. Na matéria a seguir, vamos explorar as etapas e os desafios dessa modalidade de negociação.
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O que é negociação competitiva?
Negociação competitiva pode ser definida como o famoso jogo do “ganha-perde”: se eu ganho, você perde. As partes ficam travadas, defendendo seus interesses com unhas e dentes, tentando ceder o mínimo e extrair o máximo do outro. Estratégias como blefes, pressão psicológica ou esconder informações são comuns – tudo pra enfraquecer a posição do “adversário”.
Aqui, não há espaço para colaboração. O foco não é construir confiança ou um relacionamento duradouro. É uma batalha pontual, onde o “vencedor” é quem consegue impor suas condições, muitas vezes deixando ressentimento e desgaste para trás.
Por isso, ela contrasta totalmente com a negociação ganha-ganha (aquela onde todos cedem um pouco, mas saem satisfeitos). Na competitiva, o meio-termo é visto como fraqueza. O que importa é levar a melhor, ainda que o custo seja queimar uma ponte.
É um estilo de negociação que aparece em situações de alta disputa: uma venda única, um leilão acirrado, ou quando alguém simplesmente encara a negociação como uma guerra. Funciona? Às vezes sim, no curto prazo. Mas é arriscado: no longo prazo, pouca gente quer negociar com quem só pensa em esmagar o outro.
Quais são as etapas da negociação competitiva?
1) Preparação
A Preparação é seu “treino” para a guerra. Aqui é hora de definir suas metas e seus limites: quanto você pode ceder? O que é inegociável? Pesquise a fundo sobre o outro lado: quais são as fraquezas, pressões ou necessidades deles?
Prepare argumentos sólidos e antecipe objeções. Quem chega despreparado nesse tipo de negociação já começa perdendo.
2) Abertura
A abertura é o primeiro movimento tático. É quando as propostas iniciais são lançadas. Seja firme, mas não agressivo demais, você quer mostrar confiança, não arrogância.
A forma como você apresenta suas condições pode intimidar ou encorajar o adversário. Lembre-se: a primeira impressão dita o ritmo da disputa.
3) Teste
O teste tem a função de provar os limites do adversário. Aqui é onde a coisa esquenta. Faça perguntas incisivas, lance propostas “isca” e observe como o outro reage.
O objetivo é descobrir até onde ele pode ir: qual o preço mínimo dele? Quais concessões ele teme fazer? Cada resposta é uma peça do quebra-cabeça para sua próxima jogada.
4) Convicção
Na convicção é chegada a hora de jogar pesado (com classe). Argumente com dados, números e fatos, não com opiniões. Mostre por que sua proposta é a melhor (ou a menos pior). Concessões? Só se forem mínimas e estratégicas.
O foco é fazer o outro lado recuar, enquanto você mantém seu terreno. É o momento de não dar trégua.
5) Fechamento
O fechamento é o “xeque-mate” controlado. Quando o adversário mostra sinais de cansaço ou aceitação, feche o acordo. Elimine ambiguidades, deixe tudo por escrito e formalize o combinado.
Nessa etapa, detalhes mal resolvidos viram brechas futuras, então seja meticuloso. Vitória só vale se estiver registrada.
6) Implementação
Finalmente, a implementação. É onde você prova que cumpre (e exige). Negócio fechado não é ponto final. Acompanhe cada cláusula, cobrando o que foi prometido.
Se o outro descumprir, use o contrato como arma. Isso não só garante seu ganho imediato, como mostra que você não brinca, fundamental para negociações futuras.
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Diferenças entre negociação competitiva e negociação cooperativa
Na prática, a diferença entre negociação competitiva e cooperativa se resume ao objetivo principal:
- Negociação Competitiva: “Eu ganho, você perde”
Aqui, cada um puxa a sardinha para o seu lado. O foco é conseguir o máximo de vantagens para si, mesmo que o outro lado saia com menos. É um jogo de soma zero, onde o objetivo é “vencer” a negociação e a relação futura não é prioridade.
- Negociação Cooperativa: “Nós ganhamos juntos”
Já na negociação cooperativa, a ideia é encontrar uma solução que seja boa para todos. O foco é colaborar, construir um relacionamento duradouro e buscar maneiras de expandir o “bolo” para que os interesses de todas as partes sejam atendidos.
A escolha entre uma e outra depende do contexto e do que você busca no acordo e na relação com a outra parte.
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Benefícios da negociação competitiva
A negociação competitiva, embora focada no “eu ganho, você perde”, traz vantagens quando bem aplicada:
- Resultados Rápidos: Ideal para acordos pontuais onde a agilidade é chave.
- Melhores Condições para Você: Permite maximizar seus ganhos se você tiver poder de barganha ou vantagem estratégica.
- Clareza de Limites: Ajuda a definir as expectativas de forma direta, evitando ambiguidades.
- Maximização de Ganhos em Recursos Fixos: Essencial para conseguir a maior fatia em situações com “bolo” limitado.
- Fortalecimento da Posição: Pode demonstrar sua capacidade de defender interesses e fortalecer sua reputação.
Lembre-se, o uso dessa abordagem é estratégico e deve ser avaliado pelo impacto no relacionamento futuro.
Desafios da negociação competitiva
A negociação competitiva, apesar de seus benefícios, vem com uma boa dose de desafios:
- Desgaste da Relação: O maior problema é o risco de gerar ressentimento e até romper laços importantes, já que cada um puxa para o seu lado.
- Dificuldade em Acordos Futuros: Se a outra parte se sentir “derrotada”, a chance de novas negociações é pequena.
- Falta de Confiança e Informação: Ninguém quer abrir o jogo, limitando a troca de informações e soluções criativas.
- Risco de Impasse: A inflexibilidade pode levar a um “nada feito”, desperdiçando tempo e recursos.
- Foco no Curto Prazo: A prioridade é o agora, sem muita preocupação com as consequências futuras do acordo.
- Custos Ocultos: Um ganho a qualquer custo pode sair caro em termos de tempo, dinheiro e perda de parcerias.
Em suma, é crucial pesar os prós e contras para decidir se essa abordagem é a melhor para o seu cenário.
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Fontes: Agendor, Evandro Azevedo, Fenício e Sienge.