25 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Cartel, truste e holding podem até soar parecidos, mas cada um tem características bem diferentes e impactos distintos no mercado.
Se você já ficou em dúvida sobre o que esses termos realmente significam, continue a leitura: vamos explicar de forma clara o que são e quais são as diferenças entre eles.
O que é cartel?
Cartel é o nome dado quando empresas que deveriam competir umas com as outras resolvem agir em conjunto. Em vez de disputar clientes ou oferecer preços mais atrativos, elas fazem acordos, muitas vezes escondidos do público, para definir valores, controlar a produção ou até dividir áreas de atuação.
O objetivo disso é manter seus lucros estáveis, mesmo que isso signifique limitar a livre concorrência.
Na prática, isso significa que o consumidor deixa de ter os benefícios da livre concorrência, como preços mais baixos e maior variedade de opções.
Afinal, se todas as empresas concordam em cobrar o mesmo valor, quem compra não tem escolha real, e a disputa saudável que movimenta o mercado praticamente desaparece.
Essa conduta do mercado, no entanto, não é nova. Sua origem remonta à Alemanha, onde ganhou força no final do século XIX.
Durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, esse tipo de prática se espalhou ainda mais, já que muitos setores eram controlados por grupos de empresas que se organizavam em conjunto para manter o domínio sobre recursos essenciais.
Hoje em dia, cartéis são considerados ilegais em diversos países, inclusive no Brasil conforme a Lei nº 12.529/2011, justamente porque prejudicam tanto o consumidor quanto a economia como um todo.
Exemplo de cartel
Um dos exemplos mais conhecidos de cartel está no setor de combustíveis. Quem nunca percebeu que, em determinada cidade, quase todos os postos cobram praticamente o mesmo valor pela gasolina ou pelo etanol?
Essa “uniformidade” de preços não costuma ser coincidência. Muitas vezes, os proprietários se organizam para combinar valores e eliminar a concorrência.
Diante disso, o resultado não é nada bom para o consumidor: não existe a chance de escolher onde abastecer mais barato e, sem competição, os postos também não se sentem motivados a melhorar o atendimento ou oferecer vantagens extras.
Os cartéis também podem aparecer em setores bem diferentes do dia a dia, como na indústria farmacêutica. Acredite ou não, mas já houve casos em que laboratórios combinaram os preços de determinados medicamentos, inclusive aqueles de uso essencial.
Agora, imagine o impacto disso: quem precisa de um remédio vital acaba sem alternativa, tendo de pagar mais caro porque não existe competição de preços.
O que é truste?
O truste acontece quando duas ou mais empresas decidem se unir, formando uma única companhia. Essa fusão pode ocorrer tanto entre negócios que atuam no mesmo ramo quanto entre setores diferentes da economia.
A ideia por trás dessa união costuma estar ligada à busca de maior poder no mercado. Muitas vezes, grandes empresas optam por esse caminho quando sentem que pequenas concorrentes estão crescendo rápido e podem ameaçar sua posição.
Dessa forma, ao se juntarem, conseguem reforçar sua presença e reduzir os riscos de perder espaço.
É importante destacar que o truste, por si só, não é considerado ilegal. No entanto, existem diversas leis criadas justamente para limitar esse tipo de prática, evitando que poucas empresas passem a dominar totalmente o mercado e prejudiquem a concorrência saudável.
Os trustes podem ser classificados em dois tipos principais:
- Horizontal: quando empresas de um mesmo setor se unem, como duas indústrias de bebidas que resolvem se fundir.
- Vertical: quando a união acontece entre empresas de diferentes etapas da produção, como uma fábrica que se junta a uma distribuidora.
Vale ressaltar que, em ambos os casos, a livre concorrência acaba enfraquecida, e o consumidor perde opções de escolha, seja por preços menos competitivos, seja pela redução da variedade de produtos e serviços.
Exemplo de truste
Um dos casos mais marcantes de truste aconteceu no início do século XX, nos Estados Unidos. Na época, várias empresas de petróleo se uniram e deram origem à Standard Oil, companhia que chegou a dominar quase todo o setor de petróleo do país.
O poder acumulado era tão grande que a empresa controlava desde a extração até a distribuição, o que praticamente eliminava a concorrência. Esse monopólio levantou tantas preocupações que o governo americano acabou intervindo, obrigando a Standard Oil a se dividir em várias empresas menores.
Outro exemplo pode ser visto no setor do aço, também nos Estados Unidos. Grandes siderúrgicas se uniram para formar corporações que concentravam boa parte da produção, garantindo enorme poder de decisão sobre preços e condições de mercado.
Assim como no caso do petróleo, o impacto direto era a redução da concorrência, o que limitava as escolhas e abria espaço para práticas abusivas.
O que é holding?
Uma holding é uma empresa criada para controlar outras companhias. Em vez de atuar diretamente na produção de bens ou serviços, ela funciona como uma “cabeça” que administra participações em diferentes negócios, centralizando o controle acionário.
Isso significa que a holding detém a maior parte, ou até a totalidade, das ações de outras empresas, podendo definir estratégias, decisões financeiras e até os rumos de cada uma delas.
Esse modelo é bastante utilizado por grandes grupos empresariais que desejam organizar melhor seus investimentos, reduzir riscos e manter o comando de várias companhias sob uma gestão única.
As holdings podem reunir negócios de um mesmo setor, como bancos e financeiras, ou diversificar sua atuação, administrando empresas de áreas completamente distintas, como tecnologia, energia e varejo.
Além disso, existem diferentes tipos de holdings: algumas têm foco apenas em gerir patrimônio familiar, ajudando na sucessão e proteção de bens, enquanto outras atuam de forma para expandir e consolidar grupos empresariais no mercado.
Exemplo de holding
A Berkshire Hathaway, dos Estados Unidos, é um grande exemplo de holding. Talvez você não a conheça pelo nome de imediato, mas com certeza já ouviu falar de algumas empresas que ela controla, como a Duracell, marca de pilhas e baterias, e a GEICO, uma das maiores seguradoras do país.
Aqui no Brasil, também temos exemplos igualmente importantes. A Itaúsa é uma holding bastante consolidada, responsável por administrar participações em grandes empresas, incluindo o próprio Itaú Unibanco, além de marcas como Alpargatas (dona da Havaianas).
Para finalizar, outro exemplo brasileiro é o Grupo Silvio Santos, que você provavelmente associa ao SBT, mas que também engloba empresas de ramos variados, como a Jequiti e outros negócios.
Quais são as diferenças entre cartel, truste e holding?
Apesar de muitas vezes aparecerem no mesmo contexto, esses termos representam situações bem distintas no mundo dos negócios e da economia.
O truste acontece, como a gente viu, quando várias empresas de um mesmo setor se unem, seja de forma vertical (ao longo da cadeia produtiva) ou horizontal (entre concorrentes diretos), para atuar como se fossem uma só. Essa concentração dá muito poder ao grupo, que acaba reduzindo a concorrência e dificultando a entrada de novos players no mercado.
Na prática, o truste tende a gerar impactos negativos para a economia e para o consumidor, já que diminui as opções de escolha e pode influenciar preços.
O cartel, por sua vez, não chega a fundir empresas, mas não significa que não seja nocivo. Ele se forma quando companhias independentes combinam entre si práticas como tabelar preços, dividir territórios de atuação ou controlar a produção para manipular o mercado.
Em outras palavras, o cartel é um “acordo secreto” para enganar a concorrência e o consumidor, e é considerado ilegal em praticamente todos os países.
Já a holding tem uma proposta bem diferente. Em vez de buscar eliminar concorrência, ela funciona como uma empresa “guarda-chuva”, que detém participação acionária em outras companhias e centraliza a gestão delas.
A holding não fabrica produtos nem oferece serviços diretamente. A sua função principal é administrar as empresas sob seu controle.
O interessante é que, ao contrário do truste e do cartel, a holding não precisa se restringir a um único segmento. Ela pode reunir negócios de áreas completamente diferentes, como uma indústria, uma empresa de tecnologia e até uma instituição financeira, tudo sob uma mesma gestão.
Leia também: Índice de Preços ao Produtor (IPP): o que é e como funciona?
Fonte: Brasil Escola, Quero Bolsa, Toda Matéria.