29 de setembro de 2025 - por Sidemar Castro
Comércio bilateral é a troca de bens e serviços entre dois países. Ela é promovida por um acordo que estabelece regras e condições para fortalecer as relações econômicas e promover benefícios mútuos.
Esse tipo de acordo pode incluir a redução ou eliminação de barreiras comerciais, como tarifas e cotas de importação, para incentivar o investimento e o fluxo de comércio entre as nações. Quer saber mais? Continue a ler!
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O que é comércio bilateral?
Vamos imaginar dois países fazendo negócios diretamente um com o outro, ajustando juntos as regras para que os bens e serviços possam circular com menos obstáculos. Isso é comércio bilateral. Nesse modelo, os dois lados negociam tarifas, exigências técnicas e cotas de forma personalizada, porque cada país tem suas particularidades.
Ao fazê-lo, eles tentam tornar mais vantajosa essa troca bilateral: por exemplo, reduzindo impostos de importação ou simplificando processos alfandegários. Essa flexibilização ajuda a estimular comércio e investimento entre eles.
Em um sentido mais antigo, “comércio bilateral” podia até significar que os dois países trocavam produtos sem utilizar moeda forte, usando mecanismos internos de compensação. Hoje, isso é raro, mas ilustra que a essência está no trato direto entre duas nações.
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Como funciona o comércio bilateral?
No comércio bilateral, dois países acordam trocar bens e serviços sob regras definidas entre eles, regras essas que visam remover ou suavizar os obstáculos que normalmente encarecem trocas internacionais. Antes de tudo, os governos negociam tarifas, cotas de importação, exigências técnicas (como normas ou certificações) e outras barreiras para que o comércio entre os dois fique mais fluido.
Quando esse tipo de acordo está em vigor, as empresas de cada país conseguem exportar seus produtos com menos exigências ou impostos extras, e importar aquilo que falta no mercado doméstico com custos menores. Essa aproximação favorece intercâmbios mais previsíveis e dá segurança jurídica para quem investe nesse fluxo bilateral.
Para tornar tudo isso viável, entram em cena medidas de facilitação de comércio, procedimentos aduaneiros mais eficientes, portos e fronteiras ágeis, regulamentos claros e transparência nos processos de importação e exportação (essas reformas são conhecidas por “facilitação de comércio”), porque, cada vez que burocracia ou lentidão tomam conta, o comércio entre os dois países sofre.
Também pode haver mecanismos de compensação interna, especialmente quando um país acaba acumulando um déficit frente ao outro. Em alguns casos históricos, utilizava-se um sistema de “clearing” bilateral, no qual se mantinha uma conta de compensação entre os dois países para equilibrar disparidades.
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Exemplos de comércio bilateral
Um bom exemplo de comércio bilateral é o acordo entre a China e a Austrália: eles reduziram ou eliminaram tarifas para diversos produtos, o que aumentou bastante a troca de carnes, minérios e agrícolas entre os dois países.
Outro caso interessante envolve Brasil e Argélia, o Brasil exporta itens como açúcar, minério e carne, enquanto importa petróleo e fertilizantes da Argélia.
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Vantagens e desvantagens do comércio bilateral
No comércio bilateral, um dos grandes benefícios é que os países podem negociar condições sob medida entre si, com menos burocracia e ajustes mais rápidos, favorecendo o acesso a novos mercados e preços mais competitivos para os consumidores.
Por outro lado, essa dependência de um único parceiro pode deixar um país vulnerável se a economia ou política do outro mudar, além de pressionar indústrias locais que não conseguem competir, gerar desequilíbrios comerciais e tornar o sistema de comércio global mais fragmentado.
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Quais países têm comércio bilateral com o Brasil?
1) China
O comércio entre o Brasil e a China é tão grande que a China virou referência nas exportações brasileiras de alimentos, grãos e carnes, e se tornou também uma fonte importante de bens industrializados para o Brasil. É uma parceria central para o fluxo comercial brasileiro.
2) União Europeia
A União Europeia é um dos destinos mais fortes para exportações brasileiras, principalmente de agricultura e minérios. Em contrapartida, o Brasil importa muitos produtos de alta tecnologia, máquinas e automóveis do bloco europeu. Essa troca sustenta muitos setores industriais brasileiros.
3) Japão
Japão e Brasil mantêm comércio bilateral há muitos anos. O Brasil vende commodities, produtos agropecuários e matérias-primas e compra do Japão bens de valor agregado, tecnologia, veículos. Exite interesse, também, na cooperação em pesquisas e desenvolvimento entre ambos os países.
4) Índia
A relação comercial com a Índia cresce com o tempo. O Brasil exporta para a Índia produtos como minérios, alimentos e também está presente via investimentos. O acordo preferencial entre Mercosul e Índia facilita tarifas para certos produtos, favorecendo essa troca comercial.
5) Suíça
O comércio entre Brasil e Suíça vai além de vendas e compras. A Suíça compra commodities brasileiras e também exporta produtos premium para cá, e é uma fonte importante de investimento estrangeiro no Brasil, inclusive em setores de alta tecnologia.
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Comércio bilateral e acordo bilateral
Comércio bilateral é simplesmente a troca de bens e serviços que acontece entre dois países, quando eles importam e exportam entre si.
Já um acordo bilateral é o pacto formal que esses países firmam para organizar essa troca: ele estabelece regras, tarifas, metas e condições específicas para que o comércio entre eles funcione de forma mais estável e vantajosa.
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Importância do comércio bilateral
O comércio bilateral é importante porque permite que países cresçam economicamente ao abrir mercados para seus produtos, aumentando exportações e ganho de receita. Ele facilita o acesso a bens de fora com preços melhores, além de gerar emprego quando empresas ampliam produção para atender ao novo mercado.
Também ajuda a fortalecer laços diplomáticos, pois negociar termos específicos exige confiança mútua e cooperação. Sem falar que com menos barreiras (como tarifas ou regulamentos complicados), empresas ganham previsibilidade para investir, inovar e se adaptar às exigências de qualidade internacionais.
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Diferença entre comércio bilateral e comércio multilateral?
O comércio bilateral acontece entre dois países que negociam diretamente entre si, ajustando tarifas, regras e trocas nesse dueto comercial.
Já o comércio multilateral envolve três ou mais países, que participam de acordos amplos para padronizar normas, reduzir barreiras e facilitar o fluxo de bens e serviços entre muitos parceiros ao mesmo tempo.
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Fontes: Remessa Online, Investopedia, Unique Trading, Economics Shelp.