28 de março de 2025 - por Nathalia Lourenço

A inflação é um dos principais indicadores econômicos e influencia diretamente o poder de compra da população. Entre as diversas formas de medi-la, a inflação subjacente se destaca por oferecer uma visão mais clara das tendências de longo prazo, eliminando variações pontuais que podem distorcer a análise.
Mas afinal, o que é a inflação subjacente? Como ela é calculada? E por que é tão importante para a economia e para as decisões de política monetária? Continue lendo para entender melhor esse conceito e seu impacto no dia a dia.
O que é a inflação subjacente?
Quando falamos em inflação, geralmente pensamos em algo negativo, não é? Afinal, preços mais altos significam um custo de vida maior, o que pesa no bolso de todo mundo. No entanto, a inflação não é apenas um problema – na verdade, quando bem analisada e controlada, ela se torna uma ferramenta essencial para a economia.
Nesse contexto, um dos indicadores mais importantes é a inflação subjacente. Diferente da inflação geral, que pode ser impactada por fatores temporários, como oscilações nos preços de alimentos in natura e combustíveis, a inflação subjacente busca capturar a tendência real dos preços. Para isso, ela exclui variações pontuais causadas por eventos imprevisíveis, como fatores climáticos, greves ou sazonalidades. Dessa forma, oferece uma visão mais clara e confiável da dinâmica econômica.
Além disso, essa métrica desempenha um papel fundamental na política monetária. Se conseguimos prever para onde os preços estão caminhando, também podemos antecipar movimentos na valorização da moeda, tanto dentro quanto fora do país. Uma moeda mais forte atrai investimentos, impulsiona a produção, mantém os preços mais estáveis e cria um ambiente econômico mais favorável para consumidores e empresas.
Por outro lado, sem a inflação subjacente, não teríamos uma base sólida para medir os preços dos bens de consumo. Como resultado, os valores poderiam oscilar drasticamente de um dia para o outro, tornando a economia imprevisível.
Como a Inflação Subjacente é calculada?
A inflação subjacente é calculada a partir do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), mas com ajustes para eliminar distorções causadas por itens com preços muito voláteis. Economistas usam diferentes métodos, cada um com um foco específico. Os principais são:
1. Exclusão de Itens Voláteis
Nesse método, economistas retiram do cálculo produtos com preços instáveis, como alimentos in natura (frutas, verduras e carnes) e combustíveis. Isso acontece porque esses itens são influenciados por fatores externos, como mudanças climáticas ou oscilações no petróleo. Esses fatores não refletem a tendência real da inflação. Assim, é possível ter uma visão mais precisa do comportamento dos preços no longo prazo.
2. Média Aparada
Nesse método, analistas removem os preços que mais subiram e os que mais caíram no período. Apenas a variação dos outros produtos é considerada. Dessa forma, o cálculo suaviza choques temporários e revela uma visão mais estável da inflação. Essa abordagem destaca a tendência real dos preços, sem distorções causadas por variações extremas.
3. Núcleos de Inflação
Por fim, nesse método, especialistas utilizam técnicas estatísticas para identificar padrões mais estruturais da inflação. Em vez de excluir apenas alguns itens, eles filtram variações extremas de forma ponderada. Isso garante uma análise mais precisa e confiável. Muitos bancos centrais adotam esse método para tomar decisões de política monetária.
Qual é a importância da inflação subjacente?
A inflação subjacente é um indicador essencial para entender a economia. Ela mostra a tendência real dos preços, sem as variações temporárias causadas por fatores como o clima ou oscilações nos combustíveis. Mas por que isso é tão importante?
1. Ajuda na Política Monetária
O Banco Central usa a inflação subjacente para decidir se deve aumentar ou reduzir os juros. Como esse indicador revela a direção dos preços no longo prazo, ele evita decisões apressadas e mantém a economia mais estável.
2. Facilita o Planejamento Econômico
Empresas, investidores e governos precisam prever custos e definir preços com segurança. A inflação subjacente permite um planejamento mais preciso, evitando surpresas e reduzindo riscos financeiros.
3. Evita Reações Exageradas
Se o governo considerasse apenas a inflação geral, poderia tomar medidas drásticas por conta de aumentos temporários nos preços. Isso poderia prejudicar a economia sem necessidade. Com a inflação subjacente, as decisões são mais equilibradas.
4. Mostra a Saúde da Economia
Esse indicador funciona como um termômetro da economia. Se estiver alto, significa que os preços sobem de forma contínua, o que pode exigir medidas para conter o consumo. Se estiver baixo, pode indicar que a economia precisa de estímulos para crescer.
Acompanhar a inflação subjacente ajuda a manter a economia organizada e previsível. Gostou da matéria?
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