2 de maio de 2026 - por raulsena1
Esse não é mais um daqueles artigos de coach contando vantagem na internet. A ideia aqui é ser honesto sobre o que funcionou, o que não funcionou e o que eu faria diferente se pudesse voltar atrás. Porque a internet é cheia de gente mostrando só apenas as vitórias, e isso distorce muito a realidade para quem está tentando construir alguma coisa.
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Sempre fui oportunista
A primeira característica que me fez ganhar dinheiro cedo foi ser oportunista. E eu uso essa palavra sem nenhum constrangimento.
Quando eu tinha entre 14 e 15 anos, o Brasil estava começando a se digitalizar. A internet ainda era novidade por aqui, mesmo que lá fora já existisse há um tempo. Eu percebi que aquilo era uma oportunidade e fui atrás, sem esperar me formar, sem esperar ter o conhecimento perfeito.
Comecei a aprender programação, dominei algumas ferramentas da época como Dreamweaver e Fireworks, aprendi a trabalhar com sistemas como Joomla e WordPress quando eles estavam surgindo e comecei a vender sites. Com um conhecimento bem limitado tecnicamente, eu faturava às vezes seis vezes mais do que pessoas formadas em Ciências da Computação.
Por quê? Porque eu desenvolvi muito mais a habilidade de vender do que a habilidade técnica. Eu sempre busquei por formas de encurtar esse caminho, pegar atalhos.
E essa lógica se repete hoje com a inteligência artificial. As universidades acabaram de criar cursos de IA. A primeira turma de especialistas de verdade vai se formar daqui a quatro anos. Enquanto isso, quem pegou um conhecimento básico de IA agora e já está vendendo soluções para empresas, já faturou milhões.
O mundo é de quem faz primeiro, não de quem espera estar pronto.
O conhecimento não precisa ser perfeito pra ser valioso
Existe um erro que muita gente comete e que trava o crescimento: achar que precisa saber tudo antes de começar a oferecer alguma coisa.
Um amigo professor de biologia criticava youtubers que ensinavam biologia de forma rasa. Quando perguntado onde estava o canal dele, com 20 anos de experiência, a resposta foi que ele fazia isso em sala de aula. Enquanto isso, o youtuber com conhecimento básico alcançava milhões de pessoas e construía uma audiência enorme.
Se você tem um conhecimento que é maior do que zero, existe alguém que precisa do que você sabe. Não espera o momento perfeito. Ele não existe.
Foco absurdo, com um preço alto
O segundo ponto que me fez crescer rápido foi o foco. Até os 24, 25 anos, eu vivia 90% da minha vida em função do trabalho. Notebook em todo lugar, gravando vídeo de madrugada, viajando a trabalho constantemente, acordando no dia seguinte e repetindo.
Não ia a aniversários, não tinha amigos próximos que eu priorizava, não fui a formaturas. Quando precisavam de alguém no sábado ou no domingo, era eu. Não me importava com nada disso.
E preciso ser honesto: funcionou para acumular patrimônio. Mas custou caro em outros aspectos. Me casei com 20 anos e me divorciei com 24, de uma pessoa que eu gostava muito. Perdi momentos importantes com o meu pai e com a minha mãe que não voltam mais. Não desenvolvi amizades profundas por muito tempo.
Não estou dizendo que você deve fazer igual. Estou dizendo que esse foi o meu caminho, com os resultados bons e os ruins que ele trouxe. Se eu pudesse voltar, acho que teria chegado no mesmo lugar, sem precisar ser tão radical.
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Ser interesseiro, com transparência
O terceiro ponto é um que poucas pessoas têm coragem de admitir. Eu era uma pessoa muito interesseira nas minhas relações. Quando conhecia alguém, avaliava o que aquela pessoa poderia me agregar, quais conexões ela tinha, onde nossos interesses se alinhavam.
Se não via nenhum benefício claro, simplesmente não investia naquela relação. Passava anos sem ver amigos de escola porque estava focado em construir outras conexões.
Isso me fez construir uma rede profissional forte muito rápido. Hoje, boa parte dos meus sócios e parceiros vieram de relações que comecei exatamente assim, oferecendo algo de valor e esperando que no futuro houvesse uma troca mais equilibrada.
Mas foi também um período em que eu era uma pessoa difícil. Relações superficiais, pouca empatia, quase nenhuma disponibilidade emocional para quem estava ao redor. Com o tempo fui mudando isso, e hoje diria que uns 60% das minhas relações ainda têm um componente de interesse, mas as outras 40% são genuínas de um jeito diferente.
Aversão a gastos grandes
O quarto ponto é que sempre tive uma verdadeira aversão, quase irracional, a imobilizar dinheiro. Com mais de R$ 1 milhão na conta, eu andava de táxi porque não queria gastar com carro. Vivia de aluguel, porque não queria prender parte do meu dinheiro em um imóvel. Todo mês, enviava a maior parte do dinheiro que eu ganhava direto para a corretora.
Minha família não sabia quanto eu ganhava. Ninguém sabia para onde ia o dinheiro. Fui acumulando em silêncio por anos.
Hoje percebo que exagerei em alguns pontos. Ter comprado um imóvel antes, por exemplo, teria sido melhor financeiramente. Mas o hábito de não gastar com coisas grandes e de investir tudo que podia foi o que construiu a base de tudo.
O que fica de aprendizado
Olhando para trás, o que realmente fez diferença foi uma combinação de três coisas: intencionalidade total em tudo que eu fazia, execução rápida sem esperar o momento perfeito, e estudo constante sem nunca achar que já sabia o suficiente.
Não sou uma pessoa extraordinariamente inteligente. Nunca fui o mais talentoso da sala. Mas eu fui o que mais fez, o que mais persistiu e o que menos se importou com a opinião dos outros no processo.
Se você vai tirar alguma coisa desse texto, que seja isso: pegue o que faz sentido para a sua realidade e deixa o resto para trás. Copiar a vida de alguém no detalhe quase nunca funciona. Mas, adaptar os princípios para o seu contexto, pode sim funcionar!
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