Lula 2026: analisei TODAS as propostas econômicas

1 de outubro de 2026 - por Raul sena


A regra é a mesma dos outros candidatos: nada de escândalo, nada de polêmica pessoal e nada de fala solta de palco. Aqui a análise é só do que está escrito no plano de governo, com opinião crítica em cada ponto. Às vezes tem defesa, às vezes tem ataque.

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O plano em uma frase: continuidade

O plano tem 84 páginas e 13 diretrizes. O eixo é a soberania nacional, com o Estado como indutor do desenvolvimento e as estatais como instrumento de política pública. A mensagem central é: “o que fizemos nos últimos quatro anos vai continuar”. Se você está feliz com a economia de hoje, é isso que vem por aí.

O lema é colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. O plano também abre falando de uma “herança maldita” do governo Bolsonaro. Os números que o governo repete são reais: crescimento médio do PIB de cerca de 3% ao ano, inflação média menor e desemprego em 5,2% no fim de 2025. Só vale lembrar que o desemprego é medido do mesmo jeito que o PT criticava quando estava na oposição.

Contas públicas: gastar mais e arrecadar mais

O plano mantém o arcabouço fiscal criado em 2023, com a despesa crescendo entre 0,6% e 2,5% acima da inflação, conforme a arrecadação. É o oposto do Flávio Bolsonaro, que quer trocar a regra.

O ponto fraco está na frase-chave do programa: o resultado fiscal virá do crescimento, do controle do gasto e da “justiça tributária”. Não há proposta de cortar ministérios, cargos ou programas. Na prática, ou o país cresce, ou o imposto sobe. O plano admite um ajuste no arcabouço, mas não diz qual. Politicamente faz sentido, porque falar em ajuste fiscal assusta a base de esquerda.

Sobre as emendas parlamentares, o programa chama o volume atual de grave distorção e promete enfrentar o problema, mas não apresenta nenhuma proposta de redução.

Tributação: o rico no imposto de renda

A isenção para quem ganha até R$ 5 mil é a proposta mais concreta, e ela já foi entregue. A compensação vem de uma tributação mínima sobre altas rendas, fundos exclusivos e offshores. O problema é que a arrecadação ficou muito abaixo da estimativa.

Minha crítica é simples: toda carga tributária a mais acaba nas costas da população. Tributou o rico, a empresa reajusta o preço, e quem paga é o consumidor.

A reforma do consumo (IVA dual, CBS e IBS) é tratada como conquista e será mantida como foi aprovada. A simplificação era necessária, mas o Brasil ficou com um dos maiores IVAs do mundo, e o setor de serviços saiu machucado.

Trabalho: fim da escala 6×1 e os aplicativos

O plano defende o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas sem redução de salário, com transição negociada. É a proposta de maior apelo popular, mas ela não nasceu no governo. Nasceu dos trabalhadores, e o governo entrou depois.

Sou a favor da ideia, mas não no momento. Ela está sendo aprovada junto com aumento de tributo e com o split payment, sem compensação e isso pode quebrar pequenas empresas.

Tem também a regulação do trabalho por aplicativos e o combate à pejotização fraudulenta. Essa parte acho necessária, porque hoje o pequeno empresário cumpre todas as regras enquanto as plataformas estrangeiras não cumprem nenhuma. O caminho é criar regras iguais para todos, talvez um modelo intermediário entre CLT e PJ.

Salário mínimo e Bolsa Família

O plano promete manter a valorização do salário mínimo e ampliar a proteção social. A ideia de uma renda básica de cidadania, que aparecia em 2022, sumiu do texto. O Bolsa Família cumpriu um papel essencial contra a fome, mas o programa precisa evoluir.

Hoje o sistema desestimula a formalização, porque o beneficiário teme perder o benefício ao assinar a carteira. Falta uma porta de saída e incentivos para quem volta ao mercado formal. Melhorar o programa não é cancelar o programa.

Petrobras, estatais e bancos públicos

Aqui o Lula diverge de todos os outros candidatos: nenhuma privatização. A Petrobras segue como instrumento de política industrial e energética. A promessa de reverter a privatização da Eletrobras saiu do programa.

Manter estatal um setor de monopólio faz sentido para mim. Privatizar sem competição pode piorar a vida do consumidor e a concessão de energia aqui em Goiás é um exemplo. Sem competição, prefiro estatal. O que eu critico é usar a Petrobras também para transição energética, e a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030, que soa mais como sonho do que como proposta.

O plano também aposta em BNDES, Caixa e Banco do Brasil como indutores de crédito, com Minha Casa Minha Vida ampliado. O governo já direcionou R$ 145 bilhões em crédito estruturado fora do limite do arcabouço. Com Selic na casa dos 14%, a ideia de atrair investimento estrangeiro é difícil de acreditar.

Neoindustrialização, agro e juros

A reindustrialização volta com o nome de neoindustrialização, com foco em inteligência artificial, semicondutores e minerais críticos, financiada pelo BNDES. No agro, o tom mudou: o setor deixa de ser só agricultura familiar e vira parte da estratégia de crescimento e comércio exterior.

Sobre os juros, o discurso é de que eles estão altos por decisão do Banco Central e não por causa do fiscal. Só que o presidente do Banco Central foi indicado pelo próprio Lula. A queda de juros aparece ao lado do fim da 6×1 como prioridade do próximo mandato.

Como esse plano afetaria a vida dos investidores?

Tem gente achando que, se o Lula ganhar, o país acaba. Os números contam outra história.

Desde janeiro de 2023, o Ibovespa subiu 71,42%. Em dólar, a alta foi de 34%. O dólar, que chegou a subir 16% no pior momento, hoje está cerca de 2% abaixo do início do mandato.

O Brasil não depende só do presidente. Existe Congresso, Senado e empresas com lucro e investimentos. Empresa boa vai bem até com governo ruim. Quem está na fase de acumulação pode até se beneficiar de uma bolsa barata. No entanto, não tome nenhuma decisão de investimento por narrativa eleitoral, seja de direita ou de esquerda.

Quer se aprofundar no plano de governo e no que penso sobre cada um desses pontos? Então, assista ao vídeo em que explico detalhadamente sobre!

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