O FGC vai aguentar? Novo banco digital quebrando

31 de março de 2026 - por raulsena1


Nos últimos meses, o sistema financeiro brasileiro voltou ao centro das atenções com uma sequência de problemas envolvendo bancos de menor porte. Após o impacto do caso Banco Master, surge agora mais um episódio relevante: a situação do Digimais.

A principal pergunta que começa a circular entre investidores é direta: o FGC consegue suportar mais quebras?

Veja também: Como receber seu dinheiro do FGC?

O que aconteceu com o Digimais?

Ainda que nem todas as informações estejam oficialmente confirmadas, há indícios preocupantes envolvendo o Digimais, incluindo:

  • Possível super avaliação de ativos
  • Carteiras de crédito com qualidade duvidosa
  • Estratégias agressivas de captação, como ofertas acima de120% do CDI

Esse tipo de comportamento costuma ser um sinal clássico de estresse financeiro: o banco precisa captar dinheiro rapidamente para manter suas operações.

Além disso, o histórico de governança da instituição também levanta dúvidas, com decisões questionáveis na gestão e pouca experiência financeira em cargos-chave.

Como os bancos fazem?

Uma prática comum em crises financeiras é a chamada remarcação de ativos.

Funciona assim:

  • Um banco compra ativos de baixa qualidade (empresas em dificuldade, por exemplo)
  • Realiza pequenas transações a preços mais altos
  • Usa essas transações como base para “reavaliar” todo o ativo

Resultado: o patrimônio parece muito maior do que realmente é. Esse tipo de distorção pode sustentar o banco por um tempo, mas quando a confiança desaparece, o problema vem à tona rapidamente.

O Brasil mudou muito nos últimos anos. Antes haviam poucos bancos grandes, hoje existem dezenas de fintechs e bancos digitais. Esse crescimento acelerado trouxe inovação, mas também aumentou o risco sistêmico.

Com mais instituições, a supervisão se torna mais complexa, os modelos frágeis passam despercebidos e os problemas podem se espalhar mais rápido do que o esperado. Foi assim que surgiu o caso do Banco Master e agora, o Digimais também.

Saiba mais: Investimentos sem FGC vale a pena?

O FGC vai aguentar?

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é frequentemente visto como uma rede de segurança para investidores, mas seu funcionamento real é menos intuitivo do que parece. Em termos gerais, ele garante valores de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, respeitando também um limite global de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos.

Apesar disso, é importante entender que o FGC não possui recursos suficientes para cobrir todo o sistema financeiro ao mesmo tempo. O volume total de depósitos elegíveis à garantia é de trilhões de reais, enquanto o caixa disponível no fundo representa apenas uma fração desse valor.

Isso não é uma falha, é na verdade, uma característica estrutural do modelo, que funciona de maneira semelhante a um seguro.

Na prática, o sistema depende do fato de que nem todos os bancos irão quebrar simultaneamente. Quando uma instituição entra em colapso, o FGC cobre os clientes dentro dos limites estabelecidos e, posteriormente, os custos são redistribuídos entre os demais bancos participantes. Esse mecanismo permite que o fundo funcione de forma eficiente em cenários pontuais, mas levanta preocupações em casos de crises mais amplas.

Existe risco sistêmico?

Apesar das recentes quebras e problemas em bancos menores, o risco de um colapso sistêmico ainda é considerado baixo. Isso se deve principalmente ao fato de que a maior parte do dinheiro no sistema financeiro está concentrada nos grandes bancos, que possuem estruturas mais robustas, maior regulação e supervisão constante.

Mesmo sem um risco imediato de crise generalizada, o momento atual deve provocar mudanças relevantes no setor. A tendência é de aumento na regulação e na fiscalização, especialmente sobre instituições menores ou que adotam estratégias mais agressivas de captação.

Para os investidores, especialmente aqueles focados em renda fixa, o cenário atual exige ainda mais atenção do que o habitual. Retornos muito acima da média do mercado geralmente indicam que há um risco adicional envolvido, mesmo que ele não seja imediatamente evidente.

Mais do que buscar a maior rentabilidade possível, o investidor precisa entender a qualidade da instituição e os riscos associados ao investimento que está sendo realizado. Em momentos como este, ter prudência é mais valioso do que garantir ganhos rápidos.

Quer entender melhor sobre toda essa crise e suas consequências? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

E se você quer aprender a investir e escolher bons ativos, te convido a conhecer a AUVP, que é nossa escola de investimentos. Faça a sua análise de perfil e se você receber aprovação, além de utilizar um sistema inteligente para a gestão de seus ativos, você vai aprender a investir no Brasil e no mundo inteiro.

Ninguém na minha família era bom com dinheiro — mesmo assim eu aprendi a juntar fácil

E para ficar por dentro das principais informações do mercado financeiro, acompanhe os conteúdos do canal @investidorsardinha e do perfil @oraulsena no Instagram.

Leia também: Esse texto vai mudar sua vida financeira

Lula desidratou? Mercado já aposta na derrota e a Bolsa AMOU

O Brasil pode ser invadido pelos EUA? O que isso significa para a nossa bolsa?

O êxodo em massa de Dubai começou e é PIOR do que você imagina

O Brasil vai parar: A greve dos caminhoneiros