O homem mais poderoso do mundo?

15 de junho de 2026 - por raulsena1


Enquanto o mundo inteiro sofria as consequências econômicas e sociais da última pandemia, com milhões de pessoas perdendo seus empregos, um único homem conseguiu acumular 150 bilhões de dólares em apenas 12 meses. Isso equivale a cerca de 410 milhões de dólares por dia, todos os dias do ano.

Quando questionado sobre como conseguia lucrar tanto em meio a tanto sofrimento, a resposta foi poética: estava acumulando recursos para ajudar a humanidade a colonizar o espaço.

Atualmente, em 2026,esse patrimônio não apenas se manteve, mas explodiu. Dependendo do humor do mercado financeiro no dia de hoje, o patrimônio de Elon Musk oscila entre 659 e 839 bilhões de dólares. Ele é, oficialmente, a pessoa mais rica que já existiu na história da humanidade, valendo mais do que 693 bilionários da lista da Forbes somados.

Mas a história de como ele chegou até aqui é muito mais complexa, interessante e humana do que o mito do “gênio solitário que vai salvar o mundo”. E é sobre isso que vamos falar hoje!

Veja também: Estes são os bilionários com menos de 30 anos

O menino da África do Sul: berço de ouro e privilégio

O primeiro grande mito a ser desfeito é o de que Musk começou do nada. Nascido em Pretória, na África do Sul, em 1971, ele cresceu como um jovem branco de classe média alta durante o Apartheid, o regime de segregação racial mais brutal do século XX.

Em um país segregado, nascer na demografia dominante significava ter acesso automático à educação de primeiríssima qualidade, segurança, mobilidade e oportunidades que 90% da população local jamais sonharia em ter.

Muito se fala sobre a suposta “mina de esmeraldas” do pai de Elon, Errol Musk. No entanto, a realidade é bem mais simples, mas não menos elitista: o pai dele recebeu uma quantidade massiva de esmeraldas como pagamento pela venda de um avião na Zâmbia. E, convenhamos, nenhuma família pobre tem aviões para vender.

Graças a essa estrutura, Elon teve acesso a um computador pessoal em 1981, uma raridade caríssima na época. Ele era, de fato, uma criança isolada, fã obsessiva de ficção científica e vítima de bullying pesado na escola. Aprendeu a programar sozinho aos 10 anos e vendeu seu primeiro jogo (Blastar) aos 12 por 500 dólares.

O talento técnico e a obsessão eram reais, mas a rede de proteção financeira e racial foi o colchão que tornou sua jornada possível.

De onde vieram os primeiros milhões?

Aos 17 anos, Musk emigrou para o Canadá (via cidadania materna), para evitar o serviço militar obrigatório na África do Sul e buscar o sonho americano. Foi no Vale do Silício que seu verdadeiro talento desabrochou: o de antecipar tendências de mercado.

Zip2 (1995)

Junto com seu irmão Kimbal, fundou uma espécie de “páginas amarelas” online com mapas integrados. Dormiam no escritório e tomavam banho na iniciativa privada local (YMCA). Em 1999, a Compaq comprou a empresa por 307 milhões de dólares. Aos 28 anos, Musk embolsou 22 milhões de dólares (mais de 100 milhões em valores corrigidos atuais).

X.com e PayPal (1999-2002)

Em vez de se aposentar, apostou tudo no x.com, um banco online que se fundiu com a empresa de Peter Thiel para virar o PayPal. Musk era visto como um gestor megalômaníaco e centralizador, chegando a ser destituído do cargo de CEO durante sua própria lua de mel.

Mesmo assim, quando o eBay comprou o PayPal por 1,5 bilhão de dólares em 2002, ele saiu com 175 milhões de dólares no bolso.

O “Libertário” financiado pelo Estado

Elon Musk é frequentemente adotado como o herói máximo do libertarianismo e do livre mercado. Porém, a história de suas duas principais empresas, SpaceX e Tesla, mostra que o maior parceiro de negócios de Musk sempre foi o Estado.

Em 2002, ao ver que a NASA não tinha planos reais para Marte, Musk fundou a SpaceX. Os três primeiros lançamentos do foguete Falcon 1 falharam. À beira da falência em 2008, o quarto lançamento deu certo e, imediatamente, a empresa foi salva por um contrato bilionário com a própria NASA.

Até o final de 2024, a SpaceX já acumulava mais de 20 bilhões de dólares em contratos governamentais com agências e o Departamento de Defesa americano.

Musk não fundou a Tesla, ele entrou como o maior investidor inicial quando a empresa apenas adaptava carros esportivos para motores elétricos. Nos anos em que a Tesla quase quebrou, o que a manteve viva foi a venda de créditos de carbono regulatórios para outras montadoras.

A inovação de tornar foguetes reutilizáveis e acelerar a frota global de carros elétricos é inegável e revolucionária. Mas a narrativa do “homem que venceu o sistema sozinho” é falsa, ele construiu seu império com o dinheiro do contribuinte e apoio do sistema.

O mestre das promessas vagas

Musk é um vendedor genial, mas seu modelo de negócios depende de vender um futuro que constantemente atrasa.

Desde 2016 ele vem prometendo, ano após ano, direção 100% autônoma. No entanto, ela continua classificada como nível 2 de automação e exige supervisão humana constante. Em 2017, prometeu um sistema de transporte a 1.000 km/h ligando São Francisco a Los Angeles em 30 minutos e atualmente, esse projeto está praticamente morto.

Em 2017 ele prometeu que levaria humanos para Marte em 2024 e até hoje a SpaceX ainda não conseguiu fazer um voo orbital totalmente bem sucedido.

E existe um ponto que não podemos ignorar, essas promessas movem o preço das ações da Tesla e atraem investidores.

Inclusive, em processos recentes de fraude, os advogados da Tesla defenderam o chefe alegando que falas como “o Autopilot é sobre-humano” eram apenas “corporate puffery“, ou seja, um otimismo publicitário exagerado no qual nenhuma pessoa razoável deveria confiar piamente.

O custo hurídico e humano

A insistência de Musk em ignorar engenheiros para baratear custos, como a remoção de sensores radar, gerou consequências severas.

Reguladores federais americanos associaram o Autopilot a mais de 460 colisões e mortes documentadas. Em 2025, a Tesla sofreu uma derrota histórica nos tribunais de Miami, sendo condenada a pagar 329 milhões de dólares pelo atropelamento fatal de uma jovem. Atualmente, estima-se que a empresa enfrente uma montanha de processos relacionados ao FSD que podem somar até 14,5 bilhões de dólares em contingências.

O caos do Twitter (X) e o Governo Trump

A compra do Twitter por 44 bilhões de dólares em 2022 marcou a transição de Musk de empresário tecnológico para ativista político global. O que se seguiu no X foi uma das maiores destruições de valor corporativo da história, com debandada de anunciantes e colapso de receita.

Em 2024, Musk despejou mais de 250 milhões de dólares na campanha de Donald Trump, tornando-se o maior doador individual das eleições. Com a vitória de Trump, assumiu o comando do polêmico DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) no início de 2025.

O resultado da aventura no setor público foi caótico:

  1. Demissões em massa de servidores públicos que travaram serviços essenciais.
  2. Necessidade de recontratações emergenciais, gerando atrito no gabinete.
  3. Musk deixou o cargo poucos meses depois, em maio de 2025.

Em junho de 2025, após desentendimentos públicos e trocas de farpas com Trump nas redes sociais, o mercado temeu o corte de contratos estatais com a SpaceX e a Tesla. O resultado? Musk perdeu 34 bilhões de dólares em um único pregão, o segundo maior tombo diário da história dos mercados.

Vale a pena investir no império de Musk?

Elon Musk não é o vilão caricato das redes sociais, tampouco o Messias incompreendido que salvará a nossa espécie. Ele é um homem real, dotado de uma capacidade de trabalho obsessiva, genialidade de marketing, muita sorte e uma dependência profunda do dinheiro público.

Ele levou a humanidade mais longe do que muitos acreditavam ser possível. No entanto, o nível de centralização de suas empresas em sua figura hiperinstável acende um sinal de alerta para o investidor de longo prazo.

Quer conferir mais detalhes sobre a história de Musk e toda sua trajetória para se tornar o homem mais rico do mundo? Então, assista ao vídeo em que conto mais sobre!

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