9 de novembro de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Nos últimos anos, as empresas de cartão de crédito têm oferecido cada vez mais benefícios agressivos: cashback, milhas, pontos, promoções exclusivas. Com isso, muita gente acabou se acostumando a viver sem dinheiro na conta, concentrando todos os gastos no cartão.
Esse comportamento, embora pareça inofensivo, é uma armadilha financeira que pode transformar qualquer imprevisto em um grande problema.
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Por que viver só com o cartão é perigoso?
Imagine que você perde o emprego, tem um gasto inesperado com o carro ou uma emergência médica. Se todo o seu orçamento depende do cartão de crédito e você não tem reserva financeira, a situação se complica rapidamente.
É assim que muitos brasileiros acabam entrando no SPC e Serasa. Tudo começa com o hábito de esperar o próximo salário para pagar a fatura, liberar o limite e gastar novamente. Um ciclo perigoso que basta um ou dois dias de atraso para gerar uma dívida quase impagável, com juros altíssimos.
Cartão de crédito não é dinheiro, é uma ferramenta que precisa ser usada com planejamento. E os bancos sabem disso.
O cashback, por exemplo, é uma forma de te incentivar a gastar cada vez mais. Se você ganha 1% de volta em uma compra de R$100, está economizando apenas R$1, mas se perder o controle, pode pagar 300% em juros em caso de atraso.
O primeiro passo para zerar sua fatura
Para começar a se organizar, é essencial entender seus custos fixos, aquelas despesas que você já está comprometido a pagar todos os meses, como:
- Aluguel ou financiamento
- Condomínio
- Contas de água, luz, telefone e internet
- Escola dos filhos
- Transporte
- Alimentação básica
Esses gastos devem representar no máximo 35% do seu orçamento mensal. Se passam disso (chegando a 50% ou mais), pode ser sinal de que você está vivendo acima do seu padrão de vida. Talvez esteja morando em um bairro caro, pagando um carro com parcela alta ou mantendo um estilo de vida incompatível com sua renda.
Nas faixas salariais mais baixas, é natural que esses custos fixos sejam mais altos. No entanto, ainda assim, entender esses números é o ponto de partida para qualquer reorganização financeira. E você pode fazer isso usando algum aplicativo ou até mesmo a boa e velha planilha.
Custo fixo, conforto e investimento: como equilibrar
Um orçamento saudável distribui os gastos de forma estratégica. Uma das metodologias mais eficazes é esta:
- 35% – Custos fixos: despesas básicas e inadiáveis
- 15% – Conforto: lazer, delivery, assinaturas, diarista etc.
- 10% – Metas: viagens, reformas, compras planejadas
- 10% – Prazeres: pequenos gastos e indulgências
- 25% – Liberdade financeira: investimentos e reserva de emergência
- 5% – Conhecimento: cursos, livros e capacitação
Claro, nem sempre será possível seguir essa divisão de forma exata, mas ela serve como um guia para reorganizar sua vida financeira.
Transforme gastos mensais em gastos diários
Uma dica prática é converter seus gastos mensais em valores diários. Por exemplo: se o seu orçamento disponível para despesas variáveis é de R$3.500 por mês, isso significa que você pode gastar R$112 por dia.
Se ultrapassar esse valor, já começa o mês seguinte em desvantagem. Esse controle diário ajuda a evitar exageros e traz uma noção mais concreta do quanto o dinheiro “acaba rápido” quando não há disciplina.
Para onde está indo seu dinheiro?
Analisando os gastos de milhares de pessoas, é possível identificar os maiores vilões do cartão de crédito, especialmente na classe média. Os principais são:
- Alimentação fora de casa e lazer (até 40% da fatura)
- Educação e qualificação profissional
- Saúde, bem-estar e beleza
- Tecnologia e eletrodomésticos
- Transporte e mobilidade (Uber, gasolina, manutenção)
Essas categorias não são ruins por si só, mas precisam ser monitoradas. Gasta demais com delivery? Tente cozinhar em casa. Sai muito para bares? Considere reunir os amigos em casa ou no espaço do condomínio. Essas pequenas mudanças de hábito fazem uma grande diferença no longo prazo.
Dica de ouro: tenha apenas um cartão
Ter vários cartões de crédito é um convite à desorganização.
Cada um tem sua fatura, seu fechamento e seus benefícios diferentes. Isso dificulta o controle e aumenta o risco de esquecer pagamentos. Concentre tudo em um único cartão, de preferência aquele com as melhores condições e benefícios que você realmente usa.
Paz financeira é liberdade
Viver com o dinheiro contado, dependendo do limite do cartão, é viver sem paz. Ao organizar seus custos, transformar seus gastos em metas diárias e manter um único cartão sob controle, você ganha o que há de mais valioso: tranquilidade.
Cartão de crédito é uma ferramenta, não uma muleta. Use com consciência, e ele pode trabalhar a seu favor. Mas se deixar que ele controle suas finanças, o preço será muito mais alto do que qualquer fatura.
Quer entender melhor como você pode zerar sua fatura? Então, assista ao vídeo em que comento melhor sobre!
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