22 de junho de 2026 - por raulsena1
Outro dia, apareceu um vídeo de um bispo falando sobre atitudes poderosas para quebrar as amarras da vida financeira. Como era de se esperar, ele falou sobre orações e conversas com Deus. Respeito muito o trabalho dele, e acho que esse método tem seu valor, mas partindo do pressuposto de que Deus opera numa lógica diferente da lógica humana, vamos falar de atitudes práticas que de fato fazem diferença na sua vida financeira.
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Reavalie a forma como você consome
Antigamente, gastar dinheiro dava trabalho. Você precisava sair de casa, sacar dinheiro no caixa eletrônico, pegar condução, ir até a loja, contar as cédulas, receber o troco. Todo esse processo físico criava uma fricção natural que te convidava a pensar: será que eu realmente preciso disso agora?
Para se endividar no mundo analógico era complicado. Tinha que pedir empréstimo no banco, assinar papel, dar cheque, cada etapa era um aviso.
Hoje você vê o produto no vídeo, clica e ele chega em casa, a fricção sumiu. E a maior parte das pessoas não estava preparada para isso.
Tenho um exemplo bem próximo disso: dei um cartão para minha avó com R$ 4.000 por mês para ela gastar à toa, ela gasta tudo em três dias. Clica em absolutamente tudo, compra o que não precisa, e quando o dinheiro acaba continua tentando gastar. A mesma mulher que na feira barganha, economiza e não gasta tudo, porque ali o dinheiro está na mão dela e o cérebro registra a perda. No clique, o cérebro não registra nada.
Por isso, uma das atitudes mais poderosas que existe, mesmo parecendo arcaica, é parar de comprar pela internet. Quando você precisa se deslocar até um lugar para consumir, tem todo o trajeto para repensar a decisão. Quem tem compulsão de consumo precisa exatamente disso: de tempo entre o impulso e a compra.
O clique não te sacia. Não parece que você gastou dinheiro de verdade. Junto com isso, vale repensar o que você chama de diversão. Se todos os seus hobbies envolvem gastar dinheiro, isso é um sinal de que algo não está saudável.
Uma conversa com os filhos deveria ser lazer, um futebol com amigos na rua, uma caminhada, um piquenique com o que já tem em casa.
O problema mais profundo aqui é que a gente internalizou a ideia de que somos consumidores antes de sermos pessoas. Que nossas roupas definem nosso estilo de vida, que um bom casamento precisa de consumo para se sustentar. Isso não faz sentido nenhum, e perceber isso é o primeiro passo para sair do buraco.
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Repense sua posição no trabalho
Muita gente entrou numa profissão sem querer. Fez uma faculdade, pegou o primeiro emprego que apareceu, ficou e está lá até hoje sem nunca ter se perguntado: esse caminho me leva para onde eu quero chegar?
A pergunta é simples: se você fizer tudo certo, se der o máximo onde está hoje, esse lugar te leva para a vida que você quer ter?
Se a resposta for não, existem dois caminhos. O primeiro é repensar a posição dentro da mesma empresa. Muitas multinacionais e empresas maiores permitem migração de área. Um curso diferente, uma conversa com o RH, uma movimentação lateral que abre uma nova trilha.
O segundo caminho é para quem está num lugar sem nenhuma perspectiva de crescimento real, mas precisa daquele emprego para pagar as contas agora. Você precisa enxergar isso como uma fase, não como destino. Porque se não fizer isso, vai acordar com 50 anos sem entender onde o tempo foi.
Os dias parecem demorar, mas os anos passam num estalo. Você passa cinco dias esperando o fim de semana, vive três horas nele e volta.
Continuar acelerando quando você está na contramão não é perseverança, é burrice. Parar, encostar e recalcular não te faz chegar mais lento, te faz chegar mais rápido.
Comece a investir, mesmo com dívida
Durante muitos anos, eu disse que investir com dívida era tenebroso. Hoje reconheço que foi o maior equívoco que já tive.
Comecei a acompanhar pessoas endividadas que começaram a investir mesmo assim. E o que percebi é que quando você começa a investir, naturalmente passa a entender melhor como os juros funcionam, como a economia te prega peças, como o dinheiro se comporta.
O ato de separar um valor todo mês e decidir onde colocar faz o dinheiro se tornar algo mais presente na sua cabeça.
Falar que endividado não deve investir é o mesmo que dizer que quem está obeso não deve fazer dieta. É exatamente quando você está gordo que a dieta faz mais sentido. Algum nível de controle é sempre melhor do que nenhum.
Não precisa ser muito, não precisa ser perfeito. Você só precisa começar! Você se sente amarrado financeiramente? Então, assista ao vídeo em que explico mais sobre como você pode se livrar dessa sensação!
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