19 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro
Um Yankee Bond é um tipo de obrigação financeira lançada por empresas, bancos ou governos estrangeiros diretamente no mercado dos Estados Unidos. Como são emitidos em dólares e negociados nas bolsas americanas, eles oferecem aos emissores a chance de captar recursos em um dos maiores mercados do mundo.
Para os investidores, o atrativo está em não precisar se preocupar com variações cambiais. Neste artigo, vamos explorar o que caracteriza esses títulos, seus benefícios e também os riscos envolvidos.
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O que é um Yankee Bond?
Vamos considerar que uma grande empresa na Europa ou na Ásia quer levantar dinheiro no mercado financeiro dos Estados Unidos. Em vez de pegar empréstimo no próprio país, ela emite um título de dívida chamado Yankee Bond, que é simplesmente um papel de dívida vendido nos EUA, em dólar.
Quem compra esse título está emprestando dinheiro para essa empresa ou governo estrangeiro. Como o pagamento de juros e o retorno do principal são todos em dólares, investidores americanos não precisam se preocupar com oscilações cambiais.
E antes de ser oferecido ao público, esse título tem de seguir as regras da SEC, que é o órgão regulador dos mercados nos Estados Unidos.
Quem emite títulos Yankee?
Os títulos Yankee são emitidos quando uma entidade estrangeira, seja um banco europeu, uma empresa asiática ou até um governo provincial canadense, decide emitir dívida nos Estados Unidos.
Por exemplo, uma corporação alemã pode lançar um título Yankee em dólares para aproveitar taxas de juros mais baixas do que as disponíveis em seu país. Esses títulos precisam ser registrados junto à SEC, o órgão regulador americano, e são negociados nos mercados locais.
Para quem compra, eles oferecem rendimento e a chance de diversificação; para quem emite, representam acesso a um dos mercados mais robustos do mundo.
Características do Yankee Bond
A característica maior do Yankee Bond é que são dívidas emitidas em dólares por governos, bancos ou empresas de outros países, só que são vendidas nos Estados Unidos.
Quem emite se beneficia porque consegue entrar num mercado financeiro enorme e onde é fácil comprar e vender, o que normalmente quer dizer que pegar dinheiro emprestado sai mais barato do que no próprio país.
Já para quem investe nos EUA, é um jeito simples de investir fora sem ter que trocar moedas, evitando o risco de perder dinheiro com a variação do câmbio na hora de receber os pagamentos.
Só que, como são negociados nos EUA, esses títulos precisam obedecer a regras bem duras e ser registrados na SEC, que garante que tudo seja feito de forma transparente e legal.
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Como funciona um Yankee Bond?
Vamos colocar isso em um cenário do mundo real. Imagine uma grande empresa de energia com sede no Reino Unido. Ela precisa levantar um bilhão de dólares para financiar uma nova usina. As taxas de juro para tomar empréstimos localmente, em libras esterlinas, estão relativamente altas.
A empresa então decide “ir a Nova York”. Ela contrata bancos de investimento americanos para estruturar uma oferta de títulos.
Esse título, o Yankee Bond, terá seu valor de face em dólares, prometerá pagar juros semestrais fixos (digamos, 5% ao ano) e terá uma data de vencimento, talvez em 10 anos.
Antes de ser oferecida a investidores como fundos de pensão ou indivíduos, a empresa precisa passar pelo crivo da SEC, o que garante um nível de transparência e regulamentação.
Para o investidor, funciona como qualquer outro título: ele compra o papel e recebe os cupons de juros em dólares regularmente.
A vantagem é que ele está emprestando para uma sólida empresa estrangeira e, frequentemente, esses títulos oferecem um rendimento um pouco mais atrativo do que títulos similares emitidos por empresas americanas, refletindo um pequeno prêmio pelo fato de o emissor ser estrangeiro.
Vantagens e desvantagens dos Yankee Bonds
A vantagem principal é que dá pra diversificar mais, já que investidores dos EUA podem investir em empresas de fora sem se preocupar com o câmbio, já que tudo é pago em dólar.
E mais, como esses títulos são negociados nos EUA, eles geralmente têm boa liquidez e podem ter retornos bons comparados com os títulos daqui.
Para quem emite, entrar no mercado dos EUA pode ser uma forma de pegar dinheiro mais barato e com mais gente querendo investir.
Já nas desvantagens, registrar e ter a aprovação nos EUA demora mais e com mais burocracia, o que pode enrolar a emissão.
E também, como todo título de renda fixa, existe o risco de a empresa não pagar; e a variação das taxas de juros pode mexer com o preço no mercado.
Para finalizar, apesar do risco de câmbio sumir para os investidores dos EUA, pode ser um problema para quem emite se a grana entra em outra moeda.
Diferença entre Yankee Bond e Samurai Bond
No mundo dos bonds internacionais, existem nomes engraçados que ajudam a identificar de onde vem cada título. Um Yankee Bond é um título emitido nos Estados Unidos por uma empresa ou governo que não é americano, e ele sempre é pago em dólares dos Estados Unidos. Esse tipo de título segue as regras e regulações dos mercados americanos e é uma forma do emissor conseguir financiamento diretamente no mercado local dos EUA.
Já um Samurai Bond é bem parecido em conceito, mas como o nome bem indica, acontece no Japão. Ou seja, uma empresa estrangeira vai ao mercado japonês e emite um título em ienes japoneses. Os investidores japoneses compram esse título, e a empresa estrangeira passa a pagar juros em ienes sob as regras do mercado japonês.
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O que é Título Yankee Reverso?
Um título Yankee reverso é o contrário de um Yankee Bond normal.
Enquanto um Yankee Bond é quando uma empresa ou governo de fora vende títulos nos EUA em dólares, o título Yankee reverso é emitido por uma empresa americana fora do país, geralmente em moedas tipo euro ou libra.
Ou seja, uma empresa dos EUA vai para outro país para pegar dinheiro emprestado na moeda local, aproveitando juros melhores ou porque os investidores de lá estão mais dispostos a comprar do que nos Estados Unidos.
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Fontes: Investopedia, CBondes, Edward Jones, Nasdaq, Equals Money.