4 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
A Venezuela não foi um acidente. Tampouco um episódio isolado. O que aconteceu ali sinaliza o início de um movimento muito maior e potencialmente mais perigoso na política externa dos Estados Unidos. Para entender o que está em jogo, é preciso ir além da retórica e observar as ações concretas que vêm sendo tomadas.
Durante décadas, os EUA se apresentaram como um dos principais defensores do direito internacional. Não por altruísmo, mas porque boa parte das normas desse sistema foram criadas ou incentivadas pelo próprio país, que sempre ocupou posições centrais em organismos multilaterais.
Esse padrão começa a ruir quando Washington opta deliberadamente por agir fora das regras que eles mesmos ajudaram a estabelecer. Diferentemente de outros momentos históricos, a nova postura dispensa explicações. A mensagem é direta: os EUA agirão de forma unilateral, sempre que seus interesses estiverem em jogo. Essa mudança é apresentada como uma releitura da Doutrina Monroe, agora sob uma lógica explícita de força e controle.
O caso venezuelano marca um ponto importante. Não se trata mais apenas de sanções econômicas, isolamento diplomático ou pressão indireta. O uso da força passa a ser assumido como instrumento legítimo de política externa. O próprio Donald Trump declara, sem rodeios, o interesse estratégico no controle do petróleo da região.
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Aliados também estão sob risco
Ao normalizar publicamente a ideia de uma possível ação armada contra a Colômbia, um aliado histórico dos EUA, Trump rompe com um dos pilares da política internacional: a previsibilidade das alianças.
Mesmo sem anunciar planos militares, acusações públicas, insinuações sobre narcotráfico e discursos sobre intervenção criam um novo patamar de tensão. A mensagem implícita é inequívoca: alianças não garantem mais segurança. Isso altera profundamente o cálculo político de toda a América Latina.
Na Europa, o impacto é igualmente profundo. Após anos reduzindo investimentos em defesa e atuando de forma alinhada aos EUA, o continente se vê diante de uma ameaça inédita: a possibilidade de reivindicação de um território europeu pelos próprios americanos.
A Groenlândia entra nesse cenário como um ativo estratégico crucial. Sua posição geográfica oferece vantagens militares, comerciais e logísticas, especialmente em um contexto de mudanças climáticas e novas rotas marítimas no Ártico. O discurso de Trump evolui rapidamente: da ideia de “compra” do território para a noção de que ele pode simplesmente ser tomado.
Qualquer tentativa de anexação de um território pertencente a um país da OTAN teria consequências devastadoras. Na prática, significaria o fim da aliança como a conhecemos. Afinal, se um membro pode ser ameaçado por outro, a promessa de proteção coletiva perde o sentido.
O fim do multilateralismo como conhecemos
Talvez o aspecto mais subestimado desse processo seja o abandono sistemático do sistema internacional. Trump não apenas critica organismos multilaterais, ele os esvazia na prática. Os EUA já se retiraram de dezenas de organizações internacionais, muitas delas ligadas à ONU, além de reduzir financiamentos e romper tratados.
A lógica é simples: menos regras, menos compromissos, mais liberdade de ação. Não se trata de um gesto ideológico ou simbólico, mas de uma desmontagem estrutural dos limites que restringiam o uso direto do poder americano.
A saída de acordos internacionais confirma a rejeição a qualquer tipo de freio externo e isso nos levaria a uma realidade que nós simplesmente não conhecemos, não vivenciamos.
Nesse contexto, o multilateralismo deixa de estar “em declínio” e passa a correr risco de deixar de existir. Se esse processo avançar, entramos em um território histórico desconhecido, marcado pela lógica da força, do medo e da ação preventiva.
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O impacto sobre os investimentos
Do ponto de vista financeiro, o cenário exige uma postura pragmática. Concentração excessiva de patrimônio em um único país ou região se torna um risco real. Não se trata de apostar em vencedores, mas de reconhecer que o mundo está entrando em uma fase de maior fragmentação e volatilidade.
A diversificação internacional deixa de ser apenas uma estratégia de crescimento e passa a ser uma ferramenta de proteção. Em um ambiente onde alianças se desfazem, regras são ignoradas e fronteiras são questionadas, estar exposto a um único sistema pode resultar em grandes perdas.
O pragmatismo econômico deve prevalecer sobre as narrativas políticas e esse mesmo pragmatismo precisa orientar nossas decisões individuais, como investidores.
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