20 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
A decisão de manter a taxa Selic em 15% ao ano já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Ainda que a notícia tenha gerado discussões e análises rápidas, o impacto prático dessa manutenção exige uma leitura mais profunda, especialmente para quem investe ou acompanha a economia brasileira.
Hoje vou explicar quais fatores influenciam na Selic e o que você pode esperar para os próximos anos.
Veja mais: Selic Over: o que é, como funciona, importância
A manutenção da Selic muda algo na prática?
Quando a taxa básica de juros é mantida, o impacto imediato costuma ser limitado. Isso acontece porque o mercado normalmente antecipa as decisões do Banco Central.
Na prática, os investimentos atrelados à Selic continuam oferecendo rentabilidade elevada. A bolsa brasileira segue reagindo positivamente ao cenário atual e a expectativa de cortes futuros pode impulsionar ainda mais os ativos de risco.
Hoje, o Brasil vive um cenário incomum: existem investimentos conservadores que rendem cerca de 15% ao ano, sem necessidade de grande exposição a risco. Esse fator, por si só, já influencia profundamente o comportamento de investidores e empresas.
Como a Selic é definida de fato?
Embora a decisão oficial seja tomada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), o processo começa muito antes das reuniões.
Instituições financeiras, bancos e gestoras analisam o cenário econômico (especialmente a inflação e atividade econômica) e formam expectativas sobre qual deveria ser a taxa de juros ideal.
O Banco Central considera esse consenso de mercado junto às análises técnicas internas para definir a taxa. Por isso, mudanças inesperadas são raras: decisões muito distantes do que o mercado espera, tendem a gerar instabilidade.
Por que juros altos ajudam a controlar a inflação?
A taxa de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem:
- O crédito fica mais caro.
- Empresas e consumidores reduzem empréstimos.
- O consumo desacelera.
- A pressão sobre os preços diminui.
Em termos simples, juros altos retiram dinheiro da economia, reduzindo a demanda e ajudando a conter a inflação.
É importante destacar que o Banco Central possui essencialmente um único instrumento direto: a taxa de juros. Ele não pode alterar impostos, gastos públicos ou legislações. Por isso, alterar a taxa de juros é a única coisa que ele tem para controlar a inflação de alguma forma.
O impacto dos juros altos nas empresas e no consumo
Uma Selic elevada tem efeitos importantes. Empresas pagam mais caro para financiar operações, o lucro corporativo tende a diminuir e o consumo desacelera. Assim, toda a atividade econômica perde o ritmo.
Com isso, o Brasil já registra aumento no número de empresas em dificuldade financeira, reflexo direto do custo elevado do crédito.
Por isso, a redução consistente da inflação é condição essencial para que os juros possam cair de forma sustentável.
A trajetória da Selic não depende apenas da inflação atual, mas também da confiança fiscal, ou seja, da percepção de que o país consegue controlar suas contas públicas.
Um fator central é o superávit primário: quando o governo gasta menos do que arrecada. No entanto, anos eleitorais costumam trazer aumento de gastos públicos, o que pode dificultar a queda da taxa de juros no curto prazo.
Apesar das incertezas, o Brasil tem atraído capital estrangeiro e com isso, a bolsa brasileira apresenta uma forte valorização recente. Esse fluxo de investimentos ajuda a sustentar o mercado financeiro e reforça o otimismo de parte dos analistas com o país.
Oportunidades no mercado brasileiro
Mesmo com incertezas políticas e fiscais, muitos investidores enxergam oportunidades no Brasil. A bolsa tem apresentado forte valorização e as empresas brasileiras seguem atraindo capital.
Historicamente, períodos de pessimismo seguidos por ciclos de alta, têm sido comuns no mercado brasileiro (criando oportunidades para investidores de longo prazo).
A manutenção da Selic em 15% não representa uma mudança imediata de cenário, mas reforça tendências importantes.
Para investidores, o momento exige atenção, visão de longo prazo e compreensão dos fatores macroeconômicos que moldam o país.
Quer entender melhor sobre os pormenores dessa decisão do BC? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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