2 de junho de 2026 - por raulsena1
A trajetória da Nvidia nos últimos anos parece saída de um conto de fadas financeiro. Atualmente uma ação da empresa está cotada em US$ 234, além disso, ela registrou uma valorização extraordinária de mais de 1.500% nos últimos cinco anos.
Se recuarmos até o início dos anos 2000, quando suas ações valiam centavos de dólar, estamos falando de uma alta superior a 580.000%. Esse crescimento foi tão brutal que transformou uma legião de colaboradores internos em multimilionários.
Porém, por trás de números tão astronômicos, o mercado começa a sentir o cheiro característico de uma das maiores bolhas da história econômica global.
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De placas de vídeo ao “CUDA”
Durante décadas, o público gamer conheceu a Nvidia pelo icônico adesivo verde nos computadores de alto desempenho. A companhia fabricava GPUs, componentes especializados em processar milhões de pequenas tarefas simultâneas. Muito mais avançadas que as CPUs tradicionais, focadas em executar poucas tarefas de forma sequencial e rápida.
A grande virada da empresa aconteceu em 2006, quando ela lançou o CUDA, uma plataforma de computação que permitia utilizar o poder das GPUs para fins científicos e, posteriormente, para o treinamento de inteligências artificiais.
Toda a comunidade acadêmica e de desenvolvimento construiu suas ferramentas em cima do ecossistema CUDA. Esse movimento gerou um gigantesco “fosso de software”. Da mesma forma que o Windows dominou os computadores nos anos 90 e o Android/iOS dominam os celulares hoje, sair do sistema da Nvidia se tornou um pesadelo técnico e financeiro quase impossível para as Big Techs.
A corrida das IAs
Com o lançamento público do ChatGPT no final de 2022, o planeta iniciou uma corrida desenfreada rumo aos modelos generativos de IA. Na histórica corrida do ouro de Serra Pelada, quem acumulou as maiores fortunas reais não foram os garimpeiros que chafurdavam na lama atrás do metal precioso, mas sim os comerciantes locais que vendiam as pás, picaretas e mantimentos.
Nesse cenário, a Nvidia se tornou a fornecedora oficial de pás do planeta Terra. Ela controla impressionantes 92% do mercado global de GPUs para data centers. Seus principais compradores reduzem-se a um oligopólio de quatro gigantes: Microsoft, Amazon, Google e Meta. Toda vez que a sociedade utiliza ferramentas de IA, há quase 100% de certeza de que um chip da Nvidia está processando a requisição nos bastidores.
Esse monopólio fez a receita da companhia saltar de US$ 27 bilhões para estimativas que superam US$ 130 bilhões anuais, operando com uma margem bruta absurda de 75%, margem típica de empresas de software puro, aplicada a uma operação física de hardware.
O caso DeepSeek
Apesar do cenário parecer impecável, o castelo de cartas começou a mostrar rachaduras importantes.
O primeiro ocorreu quando uma pequena startup chinesa, até então desconhecida, colocou na internet o modelo DeepSeek, entregando resultados equivalentes aos modelos mais avançados das big techs americanas. O grande choque foi o anúncio de que o código seria aberto e, acima de tudo, que a IA havia sido desenvolvida utilizando uma fração minúscula do poder computacional e do orçamento estimados pelo mercado.
A reação foi imediata: as ações da Nvidia despencaram 17% em um único dia, evaporando US$ 600 bilhões de valor de mercado, a maior destruição diária de valor da história financeira. O alerta ficou aceso: e se o futuro da IA exigir cada vez menos chips físicos?
O que a maior parte das pessoas não sabe
Para sustentar o ritmo de crescimento exigido por Wall Street, a Nvidia começou a injetar dinheiro de forma agressiva no próprio ecossistema que compra seus produtos. A empresa realiza aportes bilionários em startups e companhias de infraestrutura de nuvem para validar rodadas de captação.
Essas empresas por sua vez, pegam esse dinheiro, somam ao capital de outros fundos de risco e compram… mais chips da Nvidia. Por isso, o mercado começou a questionar se a fabricante não está, artificialmente, comprando a sua própria demanda e dessa forma, criando uma bolha.
Onde está o lucro real?
Até o momento, a inteligência artificial generativa opera sob um modelo de “cheque em branco”. OpenAI e outras startups queimam bilhões de dólares a mais do que arrecadam. O modelo de negócios da internet atual sustenta-se na venda de dados e anúncios altamente rentáveis.
Ferramentas baseadas em assinaturas limpas de IA ainda não provaram capacidade de monetização escalável para justificar os US$ 3 trilhões projetados em investimentos de infraestrutura para os próximos anos.
Essa dinâmica lembra fortemente a Bolha da Internet (.com) no ano 2000, onde mais de 90% das empresas de tecnologia promissoras deixaram de existir, gerando um abalo severo na economia americana. O cenário atual é ainda mais concentrado: apenas 10 empresas concentram cerca de 70% de todo o capital circulante na bolsa dos EUA.
Para piorar, grande parte dessa alocação trilionária ocorre de forma automatizada por ETFs passivos. Como os índices compram ações das maiores empresas por critério mecânico de tamanho, cria-se um ciclo vicioso: quanto mais a Nvidia sobe, mais os fundos passivos são obrigados a comprar suas ações, inflando o valuation de forma irracional.
O que fazer como investidor?
Se você já possui posições em tecnologia compradas no passado, faz sentido manter a exposição, pois gigantes como Microsoft, Apple e Google possuem caixas trilionários capazes de absorver grandes correções de mercado.
No entanto, para quem está começando do zero agora, alocar capital no topo histórico dessas empresas de tecnologia é assumir um risco desproporcional.
O investidor inteligente deve lembrar que o maior investidor da história, Warren Buffett, construiu seu império com uma rentabilidade média de cerca de 20% ao ano.
Em cenários de juros elevados, excelentes oportunidades surgem em setores perenes, tradicionais e “chato” da economia (como energia elétrica, grandes bancos e saneamento básico), que estão operando baratos enquanto a euforia coletiva olha apenas para a inteligência artificial. Se quiser se expor à tecnologia, prefira ETFs diversificados do setor para não ficar refém de um único vencedor.
Quer entender melhor sobre todo esse cenário e os cuidados que você precisa tomar? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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