8 de junho de 2026 - por raulsena1
Há alguns anos venho falando sobre a desdolarização da economia e a mudança de paradigma é real. Os Estados Unidos é um império que naturalmente está entrando em declínio.
Quando você analisa especialistas de Wharton, de Babson, das principais Ivy Leagues americanas, ou mesmo do mercado financeiro, como Ray Dalio, todos esses livros muito bem fundamentados chegam na mesma conclusão: a economia americana já parece ter ficado para trás do seu próprio ápice. O excepcionalismo americano, toda aquela narrativa de que eles eram incríveis, começou a apresentar fissuras.
Com isso, o centro econômico do mundo vai se deslocando. A China emerge como um possível próximo império, sem garantia nenhuma de que vai ocupar esse espaço, mas o poder nunca fica vago. Ou é a China, ou é algum outro lugar, ou os próprios Estados Unidos conseguem se segurar por mais tempo. O fato é que a perda da hegemonia do dólar é um movimento natural e já em curso.
Tudo isso é verdade. E é exatamente aí que parte da classe média começa a agir de forma completamente irracional.
É como se os Estados Unidos fossem deixar de existir da noite para o dia. No entanto, é preciso lembrar que isso não vai ser destruído da noite pro dia.
Quando o Império Britânico perdeu a hegemonia, ele não sumiu do dia para a noite. Inclusive, continua sendo uma das maiores economias do mundo, só não é mais a principal potência. O mesmo deve acontecer gradativamente com os EUA e as boas empresas americanas vão continuar existindo por muitos e muitos anos.
Não é porque um país deixa de ser a maior potência do mundo que você não pode aproveitar as boas empresas dele.
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O contrafluxo
Todo aquele racional contracíclico que venho falando há anos, agora parece que deixou de existir. As pessoas agora dizem que não vale mais a pena colocar nenhum real nos Estados Unidos, que as empresas de tecnologia americanas vão morrer.
Mas, preciso salientar que uma bolha não destrói tudo que existe numa economia.
Voltando para os anos 2000, na bolha das pontocom. Sim, tinha site de bonequinha levantando bilhões sem sentido nenhum, mas o Google estava lá no meio, a Amazon também e essas empresas não só sobreviveram, como expandiram o capital.
Quando a bolha estoura, o dinheiro volta para o que é racional. E os EUA ainda têm fábricas, varejo gigantesco e a população que mais consome no planeta. O PIB per capita da China ainda está muito, mas muito longe do americano.
Na hora que o dólar estava nas alturas, todo mundo mandava colocar dinheiro lá fora. Agora que o dólar deu uma controlada, é exatamente o melhor momento para voltar a investir em dólar. Lembre-se disso, é importante sempre seguir o contrafluxo.
O que procurar agora?
A pergunta certa não é “será que os Estados Unidos vai acabar?”. A pergunta certa é: o que estava estabelecido nos Estados Unidos há 50 anos e ainda continua estabelecido hoje?
Processamento de alimentos, saúde, cuidados pessoais. Você vai parar de escovar o dente porque veio crise? Não! Essas empresas, se você olhar 50 anos atrás, ou estão maiores ou estão do mesmo tamanho. Esse é o tipo de ativo que merece atenção, especialmente agora que todo mundo está com medo e os preços estão sofrendo junto com o pânico geral.
Uma bolha que estoura costuma arrastar para baixo até as empresas que não têm nada a ver com a história. E aí abre uma das melhores oportunidades de todos os tempos.
O fim do mundo?
Se a inteligência artificial realmente acabar com o mundo como a gente conhece, com 50% da população desempregada e revolta em massa, aí o capitalismo acabaria de qualquer forma. E nesse caso, não tem carteira de investimentos que resolva isso.
Mas se as empresas se adaptarem, como historicamente sempre fizeram, nada muda nos setores que não dá para disruptar. Celulose, papel higiênico, fraldas, alimentos, construção civil, cimento. A IA vai dar banho nas pessoas como mágica? Não vai.
Na Revolução Industrial, todo processo manual começou a ser feito por máquina. Gerou desemprego, gerou emprego, e o ser humano inventou motivos novos para trabalhar e consumir. Hoje tem um mercado inteiro de criação de conteúdo que nem existia. Quando sobra tempo livre, o ser humano arruma o que fazer.
O mercado financeiro é remunerado pela promessa, não pelo resultado. Quanto mais catastrófica a previsão, mais dinheiro entra. Isso não significa que a catástrofe vai acontecer.
O racional aqui é simples: proteja seu patrimônio, invista com disciplina, ignore o hype e lembre que quem comprou no medo da pandemia ganhou mais do que quem correu.
A crise já chegou, o ouro já subiu 50%. Agora é hora de fazer o movimento de sempre: comprar o que ninguém quer comprar. Quer entender melhor essa lógica? Então assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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