Os chineses estão comprando o Brasil? O segredo para investir na china

27 de abril de 2026 - por raulsena1


Por muito tempo, eu não investia um centavo na China e durante anos, consumi muito conteúdo dos EUA e por tudo isso, sempre fui muito resistente a investir lá. Tinha todas as justificativas do mundo para isso e cheguei a fazer vários vídeos explicando por que não fazia sentido colocar dinheiro no mercado chinês.

A virada começou quando fui pesquisar um investimento que o Warren Buffett tinha feito em 2008. Ele colocou 230 milhões de dólares na BYD, uma empresa chinesa de baterias e veículos elétricos. Manteve a posição por 17 anos e saiu em 2025 tendo multiplicado o investimento mais de 30 vezes.

Aquilo me fez parar e pensar. Se o maior investidor do mundo está colocando dinheiro num país que todo mundo diz para evitar, talvez o problema seja meu preconceito, não a China.

Fui pesquisar mais e descobri que a BlackRock, maior gestora de valores do mundo, mantém fundos dedicados ao mercado chinês. E que os EUA, enquanto pregam desconfiança da China publicamente, são o maior parceiro comercial do país, com 560 bilhões de dólares negociados em 2025. As palavras dizem uma coisa, as atitudes dizem outra.

Veja também: 7 lições que eu aprendi com Warren Buffett

Como funciona a economia chinesa

A China de hoje não tem nada a ver com a imagem que a maioria dos brasileiros carrega na cabeça. Não estamos falando de produtos falsificados e manufatura barata. Estamos falando da segunda maior economia do mundo, com um PIB de 20,4 trilhões de dólares, que cresceu 5% em 2025 e projeta crescimento semelhante para 2026.

A capitalização das bolsas de Xangai e Shenzhen juntas chegou a 15,4 trilhões de dólares em dezembro de 2025, segunda maior do planeta. O comércio exterior chinês movimenta 6,3 trilhões de dólares por ano, tornando a China a maior nação comercial de bens do mundo. Nenhum país negocia mais, no total, 62 países têm a China como principal parceiro comercial, o Brasil é um deles inclusive.

O comércio entre Brasil e China chegou a 171 bilhões de dólares, mais do que o dobro do que negociamos com os Estados Unidos. É difícil entender por que estudamos tão pouco sobre nosso maior parceiro comercial.

E quando o assunto é tecnologia, a China hoje está na fronteira. A BYD ultrapassou a Tesla em vendas de veículos elétricos. A Tencent e o Alibaba estão entre as maiores empresas de tecnologia do planeta. O DeepSeek sacudiu o mercado global de inteligência artificial mostrando um jeito mais eficiente de fazer as coisas. A China tem o maior número de doutores e pesquisadores do mundo, e tem atraído talentos de vários países, inclusive do Brasil.

Como investir no mercado chinês a partir do Brasil

Existem algumas formas de ter exposição à China. A forma que eu menos recomendo são os ETFs listados no Brasil, que investem em outros ETFs americanos. Você acaba pagando duplo pedágio, taxa em cima de taxa, e ainda passa pelo risco de ter seu investimento na China intermediado pelo mercado americano, que hoje está em plena tensão com os chineses.

Uma alternativa muito melhor é o PKIN11, que foi o primeiro ETF brasileiro a oferecer acesso direto ao mercado acionário chinês sem intermediários americanos. Ele investe nas 300 maiores e mais líquidas empresas da China, com presença forte em tecnologia, financeiro, consumo e saúde. A taxa de administração é baixa e você investe diretamente, sem sair do Brasil e sem passar pelos EUA.

Outra opção interessante é o TECX11, um ETF focado em empresas de tecnologia chinesa, que seria uma espécie de Nasdaq do mercado chinês. Nos primeiros meses desde seu lançamento em 2025, ele já acumulou mais de 53% de crescimento.

Para quem já investe no exterior, existem opções nos EUA como o MCHI, o FXI com as 50 maiores empresas de Hong Kong, e o KWEB focado em internet e tecnologia chinesa. São alternativas mais líquidas que as versões brasileiras, mas com a desvantagem de passar pelo mercado americano.

Comprar ações diretamente nas bolsas chinesas ainda é possível via Stock Connect, mas exige conta em corretora internacional, conversão para yuan e muita paciência com burocracia. Não é um caminho recomendado para a maioria das pessoas.

Os riscos de investir na China

Investir na China não é algo livre de riscos, e seria desonesto não falar sobre eles.

O risco regulatório é real e já aconteceu. Em 2021, o governo chinês derrubou o Alibaba e a Tencent em mais de 50%, porque as empresas estavam se expandindo para o setor financeiro, área que o estado considera estratégica.

Em outro momento, empresas de educação tiveram o modelo de negócio proibido da noite para o dia. O governo chinês pode intervir em setores inteiros sem aviso prévio, o que torna o stock picking uma tarefa muito mais arriscada do que no mercado ocidental.

A transparência também é diferente. As normas contábeis e de divulgação não seguem os padrões ocidentais, o que dificulta a análise de empresas menores. Além disso, a questão geopolítica com os EUA ainda está longe de se resolver. Tarifas, restrições tecnológicas e a disputa por Taiwan são riscos que o investidor precisa ter no radar.

Por tudo isso, a recomendação é começar pelos ETFs, não com empresas individuais. Uma exposição de 3% do patrimônio já é melhor do que zero e já te dá acesso a um dos maiores mercados do planeta.

Negligenciar um mercado por preconceito é tão arriscado quanto entrar nele sem estudar. Você não precisa colocar metade do seu patrimônio lá. Mas ignorar completamente a segunda maior economia do mundo e um dos mercados que mais crescem no planeta é uma decisão que precisa, pelo menos, ser consciente.

Quer entender melhor sobre os segredos para investir na China? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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