9 de junho de 2026 - por raulsena1
Nos últimos 30 dias, o Ibovespa saiu de um topo batido lá em abril e já acumula uma queda de quase 10% até agora. É natural que as pessoas fiquem nervosas com isso. Já ouvi muita gente falando que o país acabou, que isso é por conta das eleições e teorizando várias outras coisas. Mas, na verdade, acho que essas pessoas estão erradas e eu já vou te explicar o porquê disso.
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Como era o mercado financeiro?
Para entender o que tá acontecendo hoje, a gente precisa voltar um pouco no tempo.
Durante muitas décadas, o mercado era dominado por grandes gestores ativos, aqueles nomes que você já ouviu falar, como Howard Marks, Ray Dalio e afins. Os investidores entregavam o dinheiro nas mãos desses profissionais e torciam para o melhor.
Aí entrou em cena um cara chamado John Bogle, que simplesmente virou o jogo. Em vez de tentar adivinhar qual empresa vai explodir, ele propôs algo diferente: investir nas 100 ou 500 maiores empresas dos Estados Unidos de uma vez, com uma taxa mínima de administração. E assim nasceram os ETFs, os famosos fundos negociados em bolsa.
A estratégia decolou por um motivo simples: os ETFs batiam 95% dos gestores ativos. Não é que os melhores perdiam, o Warren Buffett ainda bate o mercado. Mas a grande maioria dos gestores não conseguia superar essa estratégia passiva. Resultado: o dinheiro foi todo migrando para os ETFs.
Hoje, esses fundos concentram entre 60% e 70% de todo o patrimônio dos americanos. E as 10 maiores empresas americanas respondem por 70% de todo o valor de mercado da bolsa americana.
Por que o Brasil ficou de fora dessa festa?
Os ETFs globais seguem critérios rígidos para escolher onde investir e o Brasil, infelizmente, não passa no teste.
Quando você olha para o ranking de risco de crédito dos países, esperaria ver o Brasil lá nas primeiras posições, do lado de Austrália e Singapura, mas não é isso que acontece. A gente aparece numa lista bem diferente, ao lado de Guatemala, Vietnã, Marrocos e Macedônia, no quesito governança e risco.
Isso não é insulto, é a realidade. O Brasil tem dívida, troca de moeda, ex-presidentes presos. Todo esse histórico entra no cálculo do risco-país. E o resultado é que a gente não tem grau de investimento, então não recebe a entrada automática de dinheiro passivo dos grandes ETFs globais.
As coisas estão mudando
O que tem acontecido é que as big techs americanas concentraram tanto dinheiro, que começaram a assustar até quem mais acredita nelas. Quando você percebe que o valor de mercado da Tesla supera a soma de todas as grandes montadoras do mundo juntas, alguma coisa parece estranha.
Quando você nota que Google e Meta basicamente vendem anúncio, que elas não fabricam nada de físico, que são intermediadoras entre quem produz e quem consome, bate uma dúvida: será que a empresa que cobra a comissão vale mais do que todas as indústrias que produzem de verdade?
Com esse cenário, gestores e grandes fundos começaram a procurar ativos mais sólidos. E onde encontraram? Nos países emergentes. No Brasil, que planta, colhe, extrai minério, cria gado. Coisas reais, tangíveis.
A BlackRock e a Vanguard, as duas gigantes que detêm participação em quase todas as empresas do planeta, tiraram 2 trilhões de dólares dos EUA e distribuíram em países emergentes e uma parte disso chegou aqui.
O dinheiro está voltando?
E agora veio a virada. Com melhora no ambiente de negócios americano e com as big techs entregando resultados positivos de novo, esse dinheiro está voltando para casa.
Mas tem algo importante nessa dinâmica que vale entender. Nenhum gestor grande quer ser o primeiro a tirar o dinheiro de tecnologia americana. Sabe por quê? Porque enquanto a festa continua, quem saiu cedo está “perdendo dinheiro” perante os clientes. O concorrente que ficou 100% em Nvidia está com um gráfico lindo. O gestor conservador está com rentabilidade mais modesta.
A segurança só aparece na crise. E aí é tarde para explicar. Essa é a mesma lógica da Berkshire Hathaway do Buffett. Ela tem uma postura mais conservadora na maior parte do tempo, mas nas crises perde muito menos e isso faz toda a diferença no longo prazo.
O que fazer como investidor?
Não estou falando para você sair vendendo tudo que você tem de tecnologia americana.
Mas acho que faz sentido pensar assim: se a tese da IA substituindo 40% ou 50% da mão de obra estiver certa, aí o problema vai ser bem maior do que qual ativo você escolheu. Quem vai comprar o produto da Apple? Quem vai comprar na Amazon? As empresas podem demitir todos os funcionários, mas quem vai consumir?
E se a tese estiver errada, a gente vai ver uma das maiores destruições de valor dos últimos anos nas big techs.
Nos dois cenários, ter os pés em dois lugares parece fazer sentido. Manter uma posição diversificada, com uma fatia em indústrias reais, em commodities, em produção de alimentos, naquilo que funciona há décadas.
Investir no Brasil, nesse contexto, não é saudosismo, é estratégia. Aqui você tem propriedade real, extração real, produção real. Quer entender melhor sobre toda a lógica por trás dessa conclusão? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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