Essa renda fixa paga muito mais que a Selic. Vale o risco?

10 de agosto de 2026 - por raulsena1


Se você passa um tempinho nas redes sociais, com certeza já esbarrou em algum anúncio prometendo rentabilidades de 19%, 22%, até 24% ao ano. São os chamados investimentos alternativos e hoje eu quero falar sobre duas empresas que sempre aparecem nesse tipo de propaganda: a INCO e a Allugator Invest.

Antes de mais nada, um aviso importante: esse não é um conteúdo patrocinado. Não tenho vínculo com nenhuma das duas empresas e não tenho motivo nenhum para esconder algo de vocês. Fui atrás da opinião das próprias empresas sobre os produtos delas e vou fazer aqui uma análise bem honesta do que está por trás dessas promessas.

A INCO é regulamentada?

A empresa já captou 1,4 bilhão de reais e promete uma rentabilidade média de 187% do CDI desde 2018. Muita gente pergunta se isso é golpe e a resposta é não. A INCO é uma plataforma regulada pelo Banco Central e tem autorização para emitir investimentos no Brasil, não é pirâmide.

O problema não está na regulamentação, e sim na comparação errada que muita gente faz entre a INCO e produtos bancários como CDB, LCI ou LCA.

Por que esse investimento não é igual a um CDB?

Quando você investe em CDB, LCI ou LCA, o risco é do banco. O banco pega o seu dinheiro e empresta para uma construtora, por exemplo. Se essa construtora quebrar, o prejuízo é do banco, não seu. Você ainda tem a proteção do FGC caso o próprio banco quebre.

Já na INCO, o modelo é outro. Ela conecta você diretamente a pequenas construtoras que não têm acesso fácil a crédito bancário. Ela corta o intermediário: em vez de você emprestar para o banco e o banco emprestar para a construtora, você empresta direto para a construtora, com garantias reais como o próprio imóvel ou o lote em construção.

Isso significa que, se a construtora que tomou o empréstimo quebrar, o prejuízo é seu. É o que chamamos de default. E sim, isso pode acontecer.

Histórico e inadimplência da INCO

Conversei com a própria INCO sobre o histórico deles e segundo a empresa, 98,3% dos pagamentos estão em dia e a maior parte dos casos de atraso aconteceu durante a pandemia. Quando alguém não paga, a INCO executa as garantias, vende o terreno ou o imóvel e distribui o que sobrar entre os investidores. Ou seja, você pode receber menos do que o combinado, ou nada.

Vale lembrar que a empresa ainda é relativamente nova e boa parte da carteira está em maturação, principalmente as captações mais recentes de 2024 e 2025. Então esse número de inadimplência ainda pode mudar quando esses contratos vencerem de verdade.

Qual é o verdadeiro risco da INCO?

A INCO não deveria ser comparada com CDB, LCI ou LCA. A comparação mais justa é com CRIs e CRAs de empresas menores, o tipo de papel que você encontra em corretoras como XP ou BTG, só que de construtoras que ainda não têm porte para acessar essas plataformas maiores.

E aqui está o ponto principal: quanto menor e mais nova a empresa que está pegando o seu dinheiro emprestado, maior o risco de ela não conseguir pagar. É por isso que a rentabilidade é mais alta. Risco maior, retorno maior, sempre.

Vale dar uma olhada no Reclame Aqui também. Existem relatos de atraso em pagamentos, o que mostra que o risco é real e não deve ser tratado como algo garantido.

Como funciona a Allugator Invest

A segunda empresa é a Allugator, que trabalha com um modelo bem diferente: aluguel de iPhones e outros eletrônicos. A ideia é simples. Você quer um iPhone novo, mas não quer ou não pode comprar à vista? A Allugator aluga o aparelho por uma mensalidade.

Para sustentar esse modelo, a empresa precisa comprar os aparelhos primeiro, o que exige um fluxo de caixa pesado. Foi aí que surgiu a captação de investidores: em vez de recorrer só a bancos, a Allugator passou a emitir dívida para financiar a compra de estoque, oferecendo até 24% ao ano para quem quiser participar.

O risco de emprestar dinheiro para a Allugator

Aqui o risco está totalmente atrelado à operação da própria empresa. Diferente da INCO, que empresta para várias construtoras diferentes, na Allugator você está apostando no negócio de aluguel de eletrônicos como um todo. Se a operação for saudável, ela paga. Se não conseguir alugar os aparelhos suficientes ou tiver problemas de inadimplência dos próprios clientes que alugam os celulares, o investidor pode sair no prejuízo.

Um ponto que me chama atenção é o lastro em eletrônicos. Diferente de um imóvel, que tende a manter ou valorizar, um iPhone perde valor rápido. Isso torna a garantia mais frágil do que a de outros investimentos alternativos.

Vale destacar: a Allugator também é regulada pela CVM e trabalha com uma securitizadora parceira para emitir os títulos. Não é pirâmide, é uma empresa real com uma operação real. Mas arriscada, sim.

Investimento arriscado não é sinônimo de pirâmide

Nem toda empresa que quebra é pirâmide, e nem todo investimento de alto risco é golpe. Pirâmide é quando não existe operação real por trás, só a promessa de pagar investidores antigos com o dinheiro de investidores novos.

Tanto a INCO, quanto a Allugator, têm negócios de verdade, com CNPJ, regulamentação e histórico. O que existe é risco de crédito, ou seja, a chance real de a empresa que pegou seu dinheiro emprestado não conseguir pagar. Isso é diferente de fraude.

Vale a pena investir na INCO ou na Allugator?

Na minha visão, esse tipo de investimento não deve ser tratado como renda fixa tradicional. É mais parecido com renda variável, como a própria INCO reconhece ao se comparar com fundos imobiliários.

Se você decidir entrar, a dica principal é pulverizar. Em vez de colocar todo o seu dinheiro em um único projeto, distribua entre vários. Assim, se um der problema, os outros seguram o resultado da carteira. E o mais importante: só invista o valor que você está disposto a perder, porque o risco de default existe e é real.

Não estou dizendo que essas empresas vão quebrar. Estou dizendo que o risco existe e é importante estar preparado para esse cenário. Entenda de verdade onde você está colocando o seu dinheiro e faça isso com consciência!

Quer entender melhor como cada uma dessas empresas funciona? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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