3 de agosto de 2026 - por Millena Santos
Existe um grupo de metais que praticamente ninguém conhece pelo nome, mas que está dentro do seu celular, do seu fone de ouvido e, em breve, talvez até do carro que você vai dirigir. Terras raras são esses elementos que passam despercebidos no dia a dia, mas que se tornaram peça central de uma disputa silenciosa entre países, empresas e investidores de olho no futuro da tecnologia e da energia limpa.
Ficou curioso? Vem com a gente saber mais!
Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia.
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O que são terras raras?
Terras raras são o nome dado a um grupo de dezessete metais que viraram peça-chave da tecnologia que usamos no dia a dia. A fama de “raras” confunde bastante gente, pois esses elementos nem sempre são escassos na crosta terrestre, mas extraí-los puros é um processo caro, lento e cheio de etapas químicas, o que reduz drasticamente o número de países e empresas capazes de produzi-los em volume.
Essa barreira de produção, combinada a propriedades magnéticas e luminosas que dificilmente outro material alcança, fez desses metais protagonistas tanto da transição energética quanto da disputa tecnológica global, aparecendo em locais tão diferentes quanto o motor de um carro elétrico, o sensor de um aparelho médico, componentes de defesa e a tela do smartphone que você usa agora.
Para que servem e como funcionam as terras raras?
Servem como o ingrediente secreto que transforma um pedaço de metal comum em um componente de alta performance, já que essas propriedades magnéticas e luminosas que mencionamos antes ganham aplicação prática justamente nesse ponto.
Isso significa ímãs muito mais potentes e compactos, capazes de fazer um motor de carro elétrico girar com eficiência ou de manter uma turbina eólica gerando energia mesmo em ventos fracos, além de permitir que celulares, notebooks e fones de ouvido fiquem cada vez menores sem perder potência.
O alcance desses elementos dão cor e nitidez às telas de LED e OLED, funcionam como catalisadores em refinarias de petróleo, tornam possíveis os exames de ressonância magnética nos hospitais e equipam radares, satélites e sistemas de mísseis usados pela defesa de diversos países.
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Onde se localizam as terras raras?
A China aparece como dona da maior reserva do planeta, somando algo perto de 44 milhões de toneladas, mas o Brasil aparece logo atrás em segundo lugar, com cerca de 21 milhões de toneladas, quantidade que representa quase um quarto de tudo o que existe mapeado no mundo, num pelotão que ainda inclui Índia, Austrália, Rússia e Vietnã.
Por aqui, esse potencial se espalha por estados como Goiás, com Minaçu, Catalão e Ouvidor entre os destaques, além de Minas Gerais, na região de Araxá e Poços de Caldas, e ainda Amazonas, Bahia e Sergipe.
O detalhe que muda tudo, porém, não é onde a terra rara existe, mas onde ela pode ser extraída com viabilidade econômica, e é nesse ponto que a China volta a aparecer como protagonista absoluta, já que controla quase 90% de todo o processamento mundial, mesmo não sendo a única dona da matéria-prima.
Vantagens, desvantagens e riscos das terras
O material que viabiliza a transição energética é também aquele que carrega alguns dos processos mais agressivos ao meio ambiente dentro da mineração atual.
Separar esses elementos uns dos outros depende de banhos químicos intensos, que deixam atrás de si solo contaminado e rejeitos radioativos como tório e urânio, exigindo décadas de cuidado para não se transformarem em passivo ambiental.
No campo financeiro, como muitos projetos ainda estão em estágio inicial, qualquer notícia regulatória ou decisão política de um grande comprador é suficiente para fazer o valor desses ativos oscilar com força.
Por trás de tudo isso está um detalhe que amplifica cada risco, a concentração do processamento mundial nas mãos de poucos países, o que transforma decisões comerciais isoladas em ameaças capazes de travar cadeias produtivas inteiras.
Mesmo com esse cenário, é justamente a falta de substitutos viáveis para essas propriedades magnéticas e ópticas que sustenta o desejo de quem investe no setor, apostando que a demanda por veículos elétricos e energia limpa vai continuar superando os obstáculos ambientais, geopolíticos e financeiros que ainda cercam essa cadeia produtiva.
Vale a pena investir em terras raras?
A resposta passa primeiro por reconhecer que esse não é um investimento para quem busca previsibilidade, mas sim para quem aceita conviver com oscilações fortes em troca de uma aposta em tendências de longo prazo, como a eletrificação dos transportes e a expansão das fontes renováveis.
Quem decide entrar nesse mercado costuma fazer isso por dois caminhos principais, comprando ações de mineradoras, muitas delas negociadas em bolsas estrangeiras como a australiana, ou optando por uma exposição mais diluída através de ETFs internacionais como o REMX, que reduz o risco de apostar em uma única empresa.
O que realmente define se vale a pena entrar nesse jogo é o perfil de quem está investindo, já que a combinação de concentração geopolítica, custos de refino e possibilidade de saturação de oferta no futuro exige paciência e tolerância a perdas no curto prazo.
O Brasil entra nessa conversa como uma espécie de aposta dentro da aposta, dado seu potencial geológico para se tornar um player relevante globalmente, mas que ainda depende de avanços tecnológicos e de investimento estrutural para sair do papel de promessa e se firmar como protagonista efetivo desse mercado.
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Como investir em terras raras no Brasil?
Ações de mineradoras estrangeiras com projetos no país
O fato de empresas como Meteoric Resources, Viridis Mining and Minerals e Aclara explorarem jazidas brasileiras, mas estarem listadas em bolsas como a australiana, revela algo importante sobre esse mercado: o capital que financia a mineração no Brasil muitas vezes vem de fora e é negociado fora.
ETFs de metais estratégicos
Optar por um fundo como o REMX é uma forma de contornar o problema de escolher uma única mineradora em um setor ainda cheio de incertezas regulatórias e técnicas, já que o fundo dilui o risco entre várias empresas do segmento, algumas com presença direta em projetos brasileiros, sem exigir do investidor o trabalho de acompanhar cada companhia isoladamente.
Exposição indireta via mineradoras de capital fechado
Agora, quando o assunto é CBMM ou Serra Verde, a conversa muda de patamar, porque o acesso some do varejo e passa a depender de relações institucionais ou parcerias estratégicas, o que reflete um movimento maior: grandes players globais, incluindo grupos americanos interessados em reduzir a dependência da Ásia, têm mirado justamente nesse tipo de ativo fechado para garantir presença no Brasil antes que o mercado se abra de forma mais ampla.
Por que a análise prévia pesa tanto aqui
Como esse ainda é um mercado em estágio inicial no país, a diferença entre um bom e um mau investimento muitas vezes está nos detalhes que não aparecem na manchete, como o andamento real das licenças ambientais e a capacidade de refino declarada versus a praticada.
Importância das terras raras
O peso desses minerais vai muito além de qualquer fábrica ou linha de produção, chegando a um terreno onde tecnologia e poder político se confundem, já que controlar essa cadeia produtiva equivale, hoje, a ter influência direta sobre a soberania de uma nação inteira.
Sem esse insumo, simplesmente não existiria a eficiência necessária para motores elétricos girarem com a potência que conhecemos ou para turbinas eólicas gerarem energia de forma competitiva, o que faz da transição verde um projeto inteiramente dependente da disponibilidade desses elementos.
É exatamente essa dependência que transforma o domínio dessa cadeia produtiva em moeda de troca diplomática, levando potências ocidentais a correrem atrás de alianças e novos fornecedores para escapar da concentração quase absoluta que a Ásia exerce sobre o setor.
Nesse tabuleiro, o Brasil aparece com uma carta valiosa nas mãos, já que possui a estrutura geológica para deixar de ser apenas exportador de minério bruto e passar a ocupar um papel mais relevante, fornecendo produtos processados de maior valor agregado e, com isso, conquistando um espaço estratégico que hoje pertence a poucos países no mundo.
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