Balança corrente: o que é e como funciona?

Entenda o que é balança corrente, como funciona e por que ela é essencial para a economia e o controle das contas externas do país.

14 de maio de 2025 - por Nathalia Lourenço


Você já se perguntou como o Brasil controla o que entra e sai em termos de dinheiro com o resto do mundo? A balança corrente é um dos principais indicadores utilizados para medir essas transações internacionais. Ela mostra, de forma detalhada, como anda o fluxo de bens, serviços, rendas e transferências correntes entre um país e o exterior.

Neste texto, vamos explicar o que compõe a balança corrente, como ela é calculada e por que seu resultado é tão importante para a economia. Continue lendo para entender como esse indicador influencia o câmbio, o crescimento econômico e até o seu dia a dia.

O que é balança corrente?

A balança corrente (ou conta corrente do balanço de pagamentos) é um dos principais componentes do balanço de pagamentos de um país. Ela registra todas as transações correntes entre residentes do país e o resto do mundo, ou seja, aquelas que não envolvem movimentações de capital (como empréstimos ou investimentos diretos).

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Qual a composição da balança corrente?

  1. Balança comercial: registra as exportações e importações de bens. Se um país exporta mais do que importa, essa conta é superavitária; caso contrário, é deficitária.
  2. Serviços: inclui receitas e despesas com serviços como transporte, turismo, seguros, fretes, consultorias, entre outros.
  3. Rendas primárias: envolve o pagamento e o recebimento de rendimentos de fatores de produção, como juros, lucros e salários enviados ou recebidos do exterior.
  4. Rendas secundárias (ou transferências correntes): engloba transferências unilaterais, como remessas de dinheiro feitas por imigrantes a seus países de origem, doações e ajuda internacional.

O resultado da balança corrente pode indicar se um país está recebendo mais recursos do que enviando (superávit) ou o contrário (déficit), o que tem implicações diretas sobre sua necessidade de financiamento externo.

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Como funciona a balança corrente?

A balança corrente funciona como um registro contábil de todas as transações econômicas que ocorrem entre os residentes de um país e o resto do mundo, dentro de um determinado período (geralmente mensal, trimestral ou anual). Ela mede o quanto o país está ganhando ou gastando com o comércio de bens, serviços, rendas e transferências.

Veja como ela opera na prática:

  1. Exportações entram como crédito (+): quando o país vende bens ou serviços ao exterior, está recebendo dinheiro, o que entra como entrada positiva na balança corrente.
  2. Importações entram como débito (–): quando o país compra bens ou serviços do exterior, está pagando, o que é registrado como uma saída (débito).
  3. Rendas recebidas do exterior (+): como lucros de empresas brasileiras no exterior ou juros recebidos sobre investimentos.
  4. Rendas pagas ao exterior (–): como lucros de empresas estrangeiras no Brasil ou juros pagos por dívida externa.
  5. Transferências correntes recebidas (+): como doações ou remessas de brasileiros que vivem fora do país para familiares aqui.
  6. Transferências feitas para o exterior (–): como doações para outros países ou remessas de estrangeiros que trabalham no Brasil.

Ao somar todos esses itens, obtém-se o saldo da balança corrente. Se for positivo, significa que o país está recebendo mais do que gastando nas suas transações correntes com o mundo. Se for negativo, indica que está gastando mais do que arrecada.

O que os dados da balança corrente podem indicar?

Os dados da balança corrente são importantes porque revelam muito sobre a situação econômica e externa de um país. Eles podem indicar, por exemplo:

1) Nível de dependência externa:

Quando há um déficit na balança corrente, isso mostra que o país está gastando mais do que arrecada com o resto do mundo. Consequentemente, é preciso financiar esse “rombo” com empréstimos ou investimentos estrangeiros. Isso pode indicar uma dependência maior de capital externo.

2) Competitividade da economia:

Por outro lado, um superávit na balança comercial, dentro da balança corrente, sugere que o país está exportando mais do que importando. Nesse caso, isso pode refletir uma boa competitividade das empresas nacionais e/ou uma taxa de câmbio favorável às exportações.

3) Pressões sobre o câmbio e as reservas internacionais:

Além disso, um déficit elevado e persistente pode pressionar o câmbio, já que o país precisa de mais dólares para pagar suas contas externas. Com isso, pode haver desvalorização da moeda local e uso das reservas internacionais para cobrir os gastos.

4) Sustentabilidade externa:

Contudo, se o déficit da balança corrente estiver sendo financiado por investimentos produtivos e estáveis (como investimento estrangeiro direto), o cenário é menos preocupante. Por outro lado, se o financiamento vier de capital especulativo ou empréstimos de curto prazo, o risco de crise externa aumenta.

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5) Impactos sobre o crescimento econômico:

Um país com superávit pode estar gerando riqueza com exportações e acumulando reservas. Em contrapartida, déficits moderados e bem financiados também podem refletir maior investimento e crescimento interno, desde que bem administrados.

Diferenças entre balança corrente e balança comercial

A balança corrente e a balança comercial são conceitos relacionados, porém distintos. A seguir, veja as principais diferenças entre elas:

1. Definição

  • Balança corrente:
    Trata-se de uma parte do balanço de pagamentos que registra todas as transações correntes entre o país e o exterior. Ou seja, inclui quatro componentes: balança comercial, serviços, rendas primárias e transferências correntes.
  • Balança comercial:
    Já a balança comercial é um dos componentes da balança corrente. Ela registra apenas a entrada e saída de bens físicos, isto é, exportações e importações de mercadorias.

2. Abrangência

  • Balança corrente:
    Portanto, é mais ampla. Inclui, além do comércio de bens, os serviços (como turismo e fretes), rendas (como juros e lucros) e transferências (como remessas de imigrantes).
  • Balança comercial:
    Em contraste, é mais restrita. Considera somente os bens transacionados internacionalmente.

3. Indicador econômico

  • Balança corrente:
    É usada para analisar a posição externa completa do país, indicando se há necessidade de financiamento externo. Assim, é um indicador relevante da sustentabilidade das contas externas.
  • Balança comercial:
    Por outro lado, é usada para avaliar o desempenho das exportações e importações, refletindo a competitividade da produção nacional e os efeitos do câmbio.

4. Exemplo prático

  • O Brasil exporta soja para a China → entra como crédito na balança comercial e também entra na balança corrente.
  • Um brasileiro viaja para o exterior e paga por serviços turísticos → entra somente na balança corrente, na conta de serviços.
  • Se uma empresa estrangeira lucra no Brasil e envia esse valor ao país de origem → entra na balança corrente, na conta de rendas primárias, mas não aparece na balança comercial.

Importância da balança corrente

A balança corrente é um indicador essencial para entender a situação externa de um país. Sua importância vai muito além de simples números sobre exportações e importações — ela revela como um país se relaciona economicamente com o mundo e se está financeiramente equilibrado ou vulnerável. Veja abaixo por que ela é tão relevante:

1. Avalia a saúde das contas externas

A balança corrente mostra se um país está recebendo mais do que gastando nas suas transações com o exterior.

  • Um superávit indica que o país é credor líquido, ou seja, está acumulando reservas ou emprestando ao resto do mundo.
  • Um déficit, por outro lado, sinaliza que o país está gastando mais do que arrecada, o que pode indicar necessidade de financiamento externo.

Portanto, esse dado é essencial para avaliar a sustentabilidade econômica de longo prazo.

2. Indica dependência de capital estrangeiro

Quando há déficit na balança corrente, o país precisa se financiar de alguma forma — geralmente por meio de empréstimos ou entrada de investimentos estrangeiros. Nesse sentido, a balança corrente ajuda a identificar o grau de dependência externa e os riscos associados a mudanças no apetite dos investidores internacionais.

3. Influencia o câmbio e as reservas internacionais

Déficits persistentes podem pressionar o câmbio, pois aumentam a demanda por moedas estrangeiras (como o dólar).
Consequentemente, isso pode levar à desvalorização da moeda nacional e ao uso de reservas internacionais para evitar oscilações abruptas.

4. Reflete a competitividade da economia

Se a balança comercial (parte da balança corrente) tem superávit consistente, isso pode ser um sinal de que os produtos do país são competitivos internacionalmente. Além disso, uma balança corrente equilibrada costuma estar associada a uma economia produtiva e exportadora, que gera receitas sustentáveis.

5. Ajuda na formulação de políticas econômicas

Acompanhar os dados da balança corrente permite ao governo e ao Banco Central:

  • Ajustar políticas cambiais e monetárias,
  • Definir estratégias de atração de investimento externo,
  • Monitorar riscos de crise na conta de transações correntes.

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Fontes: cfp, maisretorno e bpstat

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