Salário líquido: o que é e como calcular?

Saber como calcular o salário líquido é uma forma de você saber quanto realmente ganha e ter um melhor controle financeiro. Entenda.

15 de outubro de 2020 - por Sidemar Castro


Saber como calcular salário líquido é importante para entender como os descontos fazem com que ele seja tão diferente do salário bruto. 

O salário bruto é o valor sem todos os descontos, já o líquido é o que sobra depois de diversas deduções. Em outras palavras, o salário bruto está escrito no seu contracheque, mas os trabalhadores de carteira assinada só recebem em mãos o salário líquido. 

Em resumo, saber como calcular salário líquido é uma forma de ser mais consciente em relação aos diversos descontos que estão sendo aplicados na folha de pagamento, bem como para fazer um controle financeiro certeiro. 

Saiba o que é e como calcular o salário líquido neste texto. 

O que é salário líquido?

O salário líquido é o valor que você realmente recebe na sua conta bancária depois de todas as deduções e impostos serem aplicados ao seu salário bruto. Ou seja, é a quantia de dinheiro disponível para você gastar, poupar ou investir.

Primeiramente, você tem o salário bruto, que é o valor total que seu empregador paga antes de qualquer dedução. A partir desse valor, são subtraídos impostos, contribuições previdenciárias, planos de saúde e outros benefícios. Depois dessas deduções, o que sobra é o seu salário líquido.

Por exemplo, imagine que seu salário bruto seja R$ 3.000. Após as deduções, como R$ 300 de imposto de renda, R$ 200 de INSS e R$ 100 de plano de saúde, você receberá um salário líquido de R$ 2.400.

Em resumo, o salário líquido é essencialmente o que você pode usar no dia a dia, já que todas as obrigações fiscais e contribuições foram descontadas previamente. Por isso, entender a diferença entre salário bruto e líquido é fundamental para um bom planejamento financeiro.

Importância de calcular o salário líquido

Entender como calcular salário líquido é de extrema importância para um controle financeiro de qualidade.

Afinal, se você levar em consideração apenas o salário nominal, que foi o acordado na entrevista de emprego e que consta na sua carteira, você vai acabar por gastar mais do que deve. 

Ou seja, para evitar surpresas na hora de receber o seu salário e para entender por que você sempre recebe menos do que está escrito na carteira, é preciso calcular o valor do salário líquido.

Como calcular o salário líquido?

Calcular o salário líquido é essencial para entender quanto você realmente recebe após descontos e impostos. Aqui está um guia passo a passo para ajudá-lo nesse processo.

1) Conheça o Salário Bruto

Primeiramente, identifique o seu salário bruto. Este é o valor total que você recebe antes de qualquer desconto. Pode incluir salários, horas extras e outros benefícios.

2) Identifique os Descontos

Os descontos mais comuns que afetam o salário bruto incluem o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que é a contribuição para a previdência social; o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte), imposto sobre a renda que varia conforme a faixa salarial; e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

3) Calcule os Descontos

Para calcular os descontos:

  • INSS: A alíquota varia de acordo com a faixa salarial. Consulte a tabela vigente para saber qual percentual se aplica ao seu salário.
  • IRRF: Utilize a tabela do imposto de renda para calcular quanto deve ser descontado com base no seu salário bruto e nos descontos do INSS.

4) Subtraia os Descontos do Salário Bruto

Agora que você tem o total dos descontos, subtraia esse valor do seu salário bruto:

Salário Líquido = Salário Bruto – Total de Descontos

5) Exemplo Prático

Vamos imaginar um exemplo:

Salário Bruto: R$ 5.000
Desconto do INSS: R$ 500
Desconto do IRRF: R$ 300

Cálculo dos Descontos:

Total de Descontos = R$ 500 (INSS) + R$ 300 (IRRF) = R$ 800

Cálculo do Salário Líquido:

Salário Líquido = R$ 5.000 – R$ 800 = R$ 4.200

Portanto, neste exemplo, o salário líquido seria R$ 4.200.

Quais são os descontos obrigatórios?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece descontos que podem ser feitos no salário dos trabalhadores de forma obrigatória. Esses descontos são regulados por lei e garantem direitos e obrigações. Aqui está a lista dos principais descontos:

1) INSS (Contribuição Previdenciária)

O desconto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é obrigatório para todos os trabalhadores registrados. Ele financia benefícios como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte.

A porcentagem varia conforme a faixa salarial e segue uma tabela progressiva definida pelo governo.

2) IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte)

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) é descontado diretamente do salário para contribuir com a arrecadação do governo federal. Ele é calculado com base no valor bruto do salário, aplicando-se as deduções permitidas, como dependentes e contribuições ao INSS.

3) Contribuição ao FGTS

A contribuição ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) não é descontada diretamente do salário do empregado, mas é uma obrigação do empregador. No entanto, é importante estar ciente, pois o FGTS constitui um fundo que pode ser sacado em situações específicas, como demissão sem justa causa.

Esses descontos obrigatórios visam garantir direitos e manter as obrigações fiscais e trabalhistas em dia. É importante que tanto o empregador quanto o empregado fiquem atentos às regras para evitar erros ou cobranças indevidas.

Quais são os descontos extras?

Além dos descontos obrigatórios previstos pela CLT, existem também os descontos extras que podem ser aplicados ao salário do trabalhador. Aqui estão os principais:

1) Contribuição Sindical

A contribuição sindical é um desconto que pode ser feito anualmente e se destina a financiar as atividades do sindicato da categoria. Embora a adesão à contribuição seja opcional após a reforma trabalhista de 2017, muitos trabalhadores ainda optam por contribuir para fortalecer a representação da classe.

2) Plano de Saúde ou Odontológico

Se a empresa oferece um plano de saúde, pode haver um desconto na folha de pagamento do trabalhador para cobrir parte dos custos. Esse desconto varia conforme o plano escolhido e pode ser uma maneira valiosa de garantir assistência médica, mas é importante que o funcionário esteja ciente do valor que será descontado mensalmente.

3) Vale-Refeição ou Vale-Alimentação

Algumas empresas oferecem vale-refeição ou vale-alimentação como benefício, e pode haver um desconto proporcional ao valor fornecido. Esse desconto geralmente é negociado entre empregado e empregador e pode variar conforme a política da empresa.

É uma forma de ajudar os funcionários a se alimentarem adequadamente durante o expediente.

4) Vale-Transporte

O desconto do vale-transporte é opcional para o trabalhador, mas, caso ele opte por receber o benefício, o empregador pode descontar até 6% do salário base. Essa regra garante que o funcionário contribua parcialmente com o custo do deslocamento.

5) Empréstimos Consignados

Se o trabalhador contrata um empréstimo consignado, as parcelas são descontadas diretamente do salário. É importante destacar que a soma dos descontos não pode ultrapassar 30% do salário líquido, conforme a legislação.

6) Seguro de Vida

Muitas empresas oferecem seguro de vida coletivo como benefício. Caso o trabalhador aceite aderir, o custo da cobertura será descontado mensalmente do salário.

Esses descontos extras devem ser acordados entre empregador e empregado, garantindo transparência e respeito às normas legais. O diálogo é essencial para evitar mal-entendidos e assegurar que os direitos do trabalhador sejam preservados.

Fontes: Mobills, Pontotel, Invest News

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