Diferença entre fee-based e comission-based

Saiba o que é fee-baseed e comission-based, quais as suas características e muito mais.

8 de janeiro de 2026 - por Millena Santos


Escolher entre o modelo de taxa fixa (fee-based) ou o de comissão (commission-based) não é apenas uma questão de custo, mas de alinhamento de interesses.

No cenário atual do mercado brasileiro, entender essas diferenças é muito importante para os investimentos.

Neste artigo, te contamos mais sobre esse tema. Confira a seguir!

Veja também: Diferença entre taxa spot(taxa à vista) e taxa forward(taxa a termo)

O que é fee-based?

Quem já investiu por meio de banco ou corretora tradicional costuma conhecer bem o modelo de comissões, o chamado commission-based. Nele, o profissional é remunerado com base nos produtos vendidos, recebendo uma parte do valor aplicado.

Já no fee-based, a remuneração é independe do produto escolhido, o que tende a tornar as recomendações mais neutras e focadas na estratégia como um todo.

Por isso, esse formato é muito procurado por profissionais que buscam mais transparência e querem se afastar da lógica de empurrar produtos, priorizando uma relação de confiança e planejamento de longo prazo.

Vantagens e desvantagens da fee-based

Vantagens:

  • Alinhamento de interesses: a remuneração desvinculada de produtos ou comissões reduz conflitos e favorece decisões mais coerentes com objetivos de longo prazo, evitando incentivos a movimentações desnecessárias.
  • Foco em qualidade: o modelo estimula uma gestão estratégica, com atenção à construção patrimonial, controle de riscos e disciplina, em vez de ganhos pontuais ou táticos.
  • Transparência nos custos: a taxa é previsível, o que facilita o acompanhamento e a avaliação do custo real do serviço.

Desvantagens:

  • Custos fixos elevados em alguns contextos: cobrança recorrente pode pesar, especialmente para patrimônios menores ou em períodos de menor retorno, exigindo uma análise cuidadosa de custo-benefício.
  • Risco residual de overtrading: embora reduzido, ainda pode haver ajustes excessivos na carteira, motivados por tentativas constantes de otimização, nem sempre acompanhadas de ganhos efetivos.
  • Resistência no mercado brasileiro: o modelo ainda enfrenta barreiras culturais e de compreensão, já que parte dos investidores está mais habituada a estruturas em que os custos parecem diluídos nos produtos.

O que é comission-based?

No modelo commission-based, também chamado de comissionado, a remuneração do profissional está ligada à distribuição de produtos financeiros. Em vez de cobrar diretamente do investidor, ele recebe uma parcela dos valores pagos aos intermediários, como corretoras ou distribuidoras, que colocam esses produtos no mercado.

Essa parcela costuma vir na forma de rebate, ou seja, uma parte da receita gerada pelo próprio produto retorna para quem fez a intermediação.

Na prática, é um sistema que conecta ganho financeiro ao volume distribuído e às características de cada produto oferecido.

Vantagens e desvantagens da comission-based

Vantagens:

  • Motivação e produtividade elevadas: a remuneração atrelada a comissões cria um incentivo direto à prospecção e à execução, o que tende a aumentar o ritmo de trabalho e a busca por novas oportunidades.
  • Entrada mais acessível no mercado: para o profissional, o modelo costuma exigir menor estrutura inicial, o que facilita o início da atividade. Já para o cliente, o acesso ao serviço acontece sem a necessidade de pagamentos recorrentes explícitos logo de início.
  • Baixo custo inicial para o cliente: como a remuneração está embutida nos produtos ou operações realizadas, o desembolso direto tende a ser menor no curto prazo, o que pode parecer mais atrativo em um primeiro momento.

Desvantagens:

  • Falta de transparência nos custos: as comissões nem sempre são claras ou facilmente identificáveis, o que dificulta ao cliente entender quanto está pagando, de fato, pelo serviço ao longo do tempo.
  • Conflitos de interesse: a lógica de comissionamento pode incentivar a recomendação de produtos mais rentáveis para o profissional, e não necessariamente os mais adequados ao perfil ou aos objetivos do cliente.
  • Pressão por resultados imediatos: o foco em performance de curto prazo e volume de operações pode estimular decisões apressadas e uma rotatividade excessiva da carteira, nem sempre alinhadas a uma estratégia de longo prazo.

Confira: Taxa interna de retorno: o que é, como funciona e como calcular?

Qual a diferença entre fee-based e comission-based?

Fee-based e commission-based são dois modelos de remuneração comuns no mercado de investimentos, mas a lógica por trás de cada um é bem diferente.

A distinção não está apenas em como o profissional é pago, mas também nos incentivos criados ao longo da relação e no nível de transparência envolvido.

No modelo fee-based, a remuneração acontece por meio de uma taxa fixa ou de um percentual calculado sobre o patrimônio sob gestão, o chamado AUM (Assets Under Management). Essa taxa é cobrada de forma recorrente, independentemente da quantidade de operações realizadas ou dos produtos escolhidos.

Isso significa que o pagamento não depende de comprar ou vender ativos, o que tende a reduzir conflitos de interesse e direcionar o foco para a estratégia e para os objetivos de longo prazo.

Já no modelo commission-based, o profissional recebe comissões relacionadas à venda de produtos financeiros ou à execução de operações. Aqui, o custo costuma aparecer diluído em corretagens, spreads ou taxas embutidas, o que pode dar a sensação de um serviço mais barato no curto prazo.

No entanto, esse formato cria incentivos diferentes, já que a remuneração está diretamente ligada ao volume de transações ou à escolha de determinados produtos.

Leia também: Nota de corretagem, o que é? Como funciona e pra que serve

Fonte: InfoMoney, Investopedia, Mais Retorno.

Diferença entre Delta Hedging e Gamma Hedging

Diferença entre reshoring, nearshoring e offshoring

Diferença entre high quality, high yield e high grade

Capitalização simples e composta: quais as diferenças?