Diferenças entre LCA e CRA

LCA e CRA são duas maneiras distintas de se investir no agronegócio. Neste texto, a gente te explica mais sobre. Vamos lá?

14 de agosto de 2025 - por Millena Santos


LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são duas maneiras de investir no agronegócio. No entanto, o primeiro é um investimento mais conservador, enquanto o segundo é um investimento mais arriscado.

Neste texto, a gente te explica mais sobre eles, fala sobre a rentabilidade, os riscos e muito mais. Vamos lá?

O que é LCA?

A LCA, ou Letra de Crédito do Agronegócio, é um título de renda fixa emitido por bancos e outras instituições financeiras. Seu objetivo principal é captar recursos para financiar atividades ligadas ao setor agrícola, como produção, transporte e comercialização de produtos do campo.

O grande diferencial é que esse investimento tem como lastro operações e recebíveis do próprio agronegócio, o que significa que ele está diretamente vinculado à movimentação e ao crescimento desse setor.

Além disso, a LCA conta com uma vantagem bastante atrativa: para pessoas físicas, os rendimentos são isentos de Imposto de Renda, o que pode aumentar a rentabilidade líquida.

Vale lembrar que ela ainda possui a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, o que traz mais segurança ao investidor.

Rentabilidade do LCA

A rentabilidade de uma LCA pode ser pré-fixada ou pós-fixada. Na pré-fixada, a taxa de rendimento é definida no momento da aplicação e não muda até o vencimento. Isso permite saber exatamente quanto será recebido ao final.

Já na pós-fixada, a rentabilidade é atrelada a um índice, geralmente o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Nesse caso, o ganho varia de acordo com o desempenho desse indicador ao longo do período.

Para ficar claro, imagine uma LCA pós-fixada pagando 95% do CDI, com vencimento em 2 anos. Se o CDI estiver em 10% ao ano, o rendimento anual seria de 9,5%.

em uma LCA pré-fixada de 10% ao ano, o retorno seria exatamente esse, independentemente de oscilações na taxa do CDI.

Riscos do LCA

Apesar de ser considerado um investimento seguro, acredite, a LCA não é isenta de riscos. O principal está relacionado à solvência do banco emissor, ou seja, à capacidade da instituição financeira de honrar o pagamento do título no vencimento.

Para reduzir esse risco, as LCAs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, incluindo o valor investido e os rendimentos.

Ainda assim, é importante avaliar a saúde financeira do banco antes de investir e diversificar aplicações para não concentrar todo o capital em um único emissor.

O que é CRA?

O CRA, ou Certificado de Recebíveis do Agronegócio, é um título de renda fixa voltado para financiar atividades ligadas ao agronegócio. Ele é emitido por companhias securitizadoras, que transformam créditos em papéis negociados no mercado.

Ao aplicar nesse tipo de investimento, o dinheiro vai para operações como produção, transporte, armazenagem ou comercialização de produtos agrícolas. Em troca, o investidor recebe uma remuneração que pode ser prefixada ou atrelada a índices como o IPCA ou CDI, com o atrativo de isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Na prática, investir em um CRA significa comprar o direito de receber no futuro os pagamentos dessas operações agrícolas. Apesar de ser renda fixa, não há cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que torna essencial analisar a saúde financeira das empresas envolvidas e entender o risco atrelado.

Esse tipo de aplicação costuma atrair quem busca diversificação na carteira e acredita no potencial do agronegócio, mas exige atenção para equilibrar rentabilidade e segurança.

Rentabilidade do CRA

A rentabilidade do CRA pode variar de acordo com a forma como o título é composto. Em geral, existem opções pós-fixadas, que seguem a variação de indicadores como o CDI, e opções híbridas, que combinam uma taxa fixa com a correção pela inflação.

No caso dos CRA pós-fixados, a oferta costuma ser menor no mercado, já que grande parte das emissões privilegia o modelo híbrido para garantir proteção contra a perda do poder de compra ao longo do tempo.

Essa escolha influencia diretamente o retorno do investimento, uma vez que, enquanto o pós-fixado acompanha as oscilações da economia e oferece mais previsibilidade em determinados cenários, o híbrido tende a ser mais interessante para quem busca manter o rendimento real protegido da inflação.

Riscos do CRA

O CRA não conta com a proteção do FGC, ou seja, se a empresa emissora ou a operação ligada ao título não honrar o pagamento, não há um fundo que assegure a devolução do valor investido.

Por isso, o risco está diretamente ligado à capacidade de pagamento das empresas do agronegócio que originaram os créditos e à solidez da securitizadora responsável pela emissão.

Além do risco de crédito, também existe o chamado risco de mercado, já que o valor de um CRA pode oscilar caso seja vendido antes do vencimento, especialmente em períodos de variação nos juros.

Por isso, esse tipo de investimento costuma ser mais indicado para quem pretende manter o título até a data de vencimento e está disposto a analisar com cuidado a saúde financeira das empresas envolvidas antes de investir.

Qual a diferença entre LCA e CRA?

Como a gente já viu, tanto o LCA quanto o CRA são investimentos voltados para captar recursos para o setor do agronegócio. A grande diferença está na forma como eles funcionam e na segurança para quem investe.

No caso do LCA, ele é emitido por bancos e instituições financeiras, e a garantia está ligada diretamente às operações do agronegócio financiadas por essas instituições.

Também, o LCA conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que significa que, se o banco emissor tiver problemas financeiros, o investidor pode receber de volta até um determinado limite coberto pelo fundo.

Já o CRA é emitido por companhias securitizadoras e sua garantia vem dos recebíveis do agronegócio, ou seja, dos pagamentos que produtores e empresas do setor têm a receber no futuro. Por não contar com a proteção do FGC, o CRA costuma ter um risco maior.

Em compensação, pode oferecer uma rentabilidade mais atrativa para compensar esse nível de risco.

Qual o melhir: LCA ou CRA?

Não existe uma resposta “certa”, digamos assim, para essa pergunta, pois a escolha entre LCA e CRA depende do perfil do investidor e, claro, dos seus objetivos financeiros.

Para quem tem perfil conservador, o LCA geralmente é a melhor opção. Isso porque ele conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), oferecendo mais segurança e tranquilidade ao investidor.

Além disso, é isento de Imposto de Renda para pessoa física, o que torna seu retorno ainda mais atrativo dentro de uma estratégia segura.

para quem tem perfil moderado ou arrojado, disposto a assumir um pouco mais de risco e focado no longo prazo, o CRA pode ser uma boa alternativa. Como cada CRA é composta em recebíveis específicos do agronegócio, é importante analisar cada emissão individualmente, observando a saúde financeira do emissor e os detalhes da operação.

Logo, em geral, os CRAs oferecem rentabilidade maior do que os LCAs justamente por não contar com a proteção do FGC.

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Fonte: Melver, Vert, Genial Investimentos, Eu Quero Investir.

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