20 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
Diariamente topamos com palavras desse admirável mundo novo dos negócios digitais: e-procurement é uma delas. Você já leu sobre? Se não, então não perca a oportunidade de tirar suas dúvidas nesta matéria.
E-procurement é a prática de adquirir bens e serviços por meio de plataformas digitais, como a internet, intranets, sistemas ERP ou outros ambientes fechados. Trata-se da versão eletrônica do processo de compras tradicional (procurement), essencial para o funcionamento da maioria das organizações.
A adoção do e-procurement oferece diversas vantagens, como a eliminação do uso de papel. Sendo assim, isso melhora a organização e aumenta a transparência sobre solicitações, pedidos e outras informações, além da automação de tarefas manuais, como aprovações, atualizações de status e envio de documentos.
O que é e-procurement?
O significado de e-procurement é mais simples do que aparente: quer dizer, simplesmente, “compras eletrônicas”. É um sistema digital que automatiza e simplifica o processo de aquisição de produtos e serviços. Em vez de depender de métodos tradicionais, como papeladas e negociações manuais, empresas usam plataformas online para gerenciar cotações, pedidos, pagamentos e contratos com fornecedores.
O sistema coloca em contato compradores e fornecedores em um ambiente virtual, facilitando desde a pesquisa de preços até a entrega final. Plataformas especializadas integram catálogos eletrônicos, sistemas de aprovação e ferramentas de análise, tornando todo o processo mais ágil e transparente.
Entre seus principais benefícios estão a redução de custos, o ganho de eficiência, maior controle, transparência e integração com sistemas empresariais. Entre possíveis desafios, há uma certa resistência à mudança, dependência de infraestrutura e a segurança de dados contra ciberameaças.
Leia mais: Como reduzir custos na empresa: 10 dicas e estratégias eficientes
Para que serve o e-procurement?
O e-procurement tem como principal função tornar mais eficiente, melhorar o processo de compras dentro das organizações, facilitando a gestão da cadeia de suprimentos. Ao permitir a aquisição de matérias-primas e insumos de forma mais ágil e econômica, ele contribui diretamente para a eficiência produtiva e evita atrasos na fabricação e na entrega de produtos ao cliente.
Esse sistema promove um fluxo mais dinâmico e automatizado entre fornecedores e compradores, integrando processos e reduzindo dificuldades operacionais normalente encontradas nesse tipo de atividade. Ele também serve para aumentar a concorrência entre fornecedores, ecomiza tempo e reduz custos.
Leia também: Commodities: saiba o que são e como investir
Como funciona o e-procurement?
O e-procurement funciona por meio de plataformas digitais que conectam compradores e fornecedores em diferentes modelos de transação, como B2B (empresa para empresa), B2C (empresa para consumidor) e B2G (empresa para governo).
Nessas plataformas, apenas usuários cadastrados e qualificados têm acesso para buscar e oferecer produtos ou serviços, em geral aqueles de difícil localização no mercado tradicional.
O processo é conduzido por softwares especializados que acompanham todas as etapas da aquisição, desde a solicitação até o pagamento, automatizando tarefas e tornando mais eficiente o fluxo das negociações. Essas ferramentas promovem maior integração entre os diversos setores da empresa, além de garantir mais segurança e eficiência às operações.
Além disso, o sistema permite que compradores e fornecedores participem de disputas de preços por meio de lances ou ofereçam condições especiais com base em volume, criando um ambiente competitivo que favorece melhores acordos comerciais.
Leia também: D2C: o que é, como funciona e como usar essa estratégia de negócio?
Tipos de e-procurement
Nada como tornar as coisas mais fáceis, mais ágeis e eficientes. Sendo assim, o e-procurement surge como uma forma tecnológica de ligar o comérico em suas várias etapas. Vamos destacar os diversos tipos:
1) Enterprise Resource Planning (ERP)
O ERP é um sistema integrado que reúne informações de diversos setores da empresa, facilitando o acesso rápido e seguro aos dados necessários para o processo de compras. Dessa forma, os gestores conseguem tomar decisões mais assertivas, planejar melhor os recursos e otimizar a gestão de fornecedores e riscos.
2) E-sourcing (Leilão Reverso)
No e-sourcing, a empresa utiliza uma plataforma online para reunir vários fornecedores e promover uma competição por meio de lances, buscando sempre a melhor oferta. Esse processo aumenta a transparência, amplia as opções de escolha e ajuda a reduzir custos, já que os fornecedores disputam para oferecer as melhores condições.
3) E-informing
O e-informing consiste na coleta, organização e compartilhamento de informações entre compradores e fornecedores, geralmente por meio de e-mails ou bancos de dados digitais. Embora não envolva diretamente a compra, ele serve como base para decisões mais informadas e estratégicas, facilitando o acesso a dados relevantes sobre o mercado e fornecedores.
4) E-tendering
O e-tendering automatiza o processo de licitação, tornando-o mais ágil e eficiente. Por meio de plataformas digitais, as empresas podem divulgar editais, receber propostas e selecionar fornecedores para aquisições de bens ou serviços de maior valor, garantindo mais transparência e controle sobre as etapas da licitação.
5) E-purchasing
O e-purchasing é voltado para a compra de produtos e serviços de baixo valor, mas em grande volume. Ele simplifica e automatiza o processo de aquisição, desde a seleção dos itens em catálogos eletrônicos até o pagamento, tornando tudo mais rápido e organizado.
6) E-ordering
O e-ordering automatiza a criação, aprovação e acompanhamento de pedidos de compra. Todo o processo, desde a requisição até o recebimento dos produtos ou serviços, ocorre em sistemas digitais, o que reduz erros e aumenta a eficiência na gestão de compras indiretas.
Benefícios do e-procurement para o setor de compras
O e-procurement vem mudando, de forma prática e definitiva, a maneira como as empresas fazem suas compras. Ao digitalizar processos que antes exigiam papel, planilhas e trocas intermináveis de e-mails, o setor de compras ganha velocidade, reduz custos e passa a ter mais controle sobre tudo o que acontece.
Logo de cara, a automação corta boa parte do tempo gasto com tarefas operacionais, como emitir pedidos ou acompanhar entregas. Desse modo, isso libera os profissionais para focar no que realmente importa: negociar melhor com os fornecedores, analisar oportunidades de economia e pensar estrategicamente.
Outro benefício claro é a transparência. Como tudo passa a ser registrado em um sistema, fica muito mais fácil fazer auditorias, identificar falhas e evitar fraudes. Essa visibilidade também ajuda a entender melhor o desempenho de cada fornecedor, o que torna as decisões muito mais certeiras.
A economia é outro ponto forte. Com processos padronizados e a possibilidade de comparar cotações de forma rápida e simples, fica muito mais fácil escolher as melhores opções. No fim das contas, a empresa consegue cortar gastos de forma consistente e inteligente.
E não dá para deixar de mencionar a melhoria na comunicação. Com todas as informações centralizadas e atualizadas em tempo real, as áreas de compras, logística e financeiro trabalham de maneira integrada, sem ruídos nem retrabalho. Isso acelera os fluxos e melhora a colaboração entre os times.
Conheça mais: Carteiras automatizadas: será que vale a pena?
Qual é a diferença entre e-procurement e e-sourcing?
Embora ambos os termos soem parecidos e se relacionem com a digitalização das compras nas empresas, e-procurement e e-sourcing focam em etapas distintas do processo, funcionando muitas vezes de forma complementar.
E-procurement
Vamos começar pelo e-procurement. Pense nele como a digitalização de todo o ciclo de compras operacionais, do momento em que alguém na empresa percebe que precisa de algo até o pagamento final.
Ele abrange atividades como a criação de requisições de compra eletrônicas, a emissão de pedidos de compra para fornecedores (geralmente já homologados), o gerenciamento de catálogos de produtos, o acompanhamento da entrega, o recebimento eletrônico de mercadorias e, finalmente, o processamento e a aprovação de faturas para pagamento.
O principal objetivo do e-procurement é tornar o processo de compra mais eficiente, transparente e controlado, reduzindo a burocracia, o tempo gasto e os erros manuais nas transações do dia a dia.
E-sourcing
Agora, vejamos o e-sourcing. Este termo se concentra na digitalização da etapa inicial e mais estratégica do processo de compras: a busca, avaliação e seleção de fornecedores potenciais.
Com o e-sourcing, as empresas identificam ativamente potenciais fornecedores, realizam cotações (como RFIs – Pedido de Informações, RFPs – Pedido de Proposta e RFQs – Pedido de Cotação de forma eletrônica) e negociam condições comerciais e contratuais, muitas vezes utilizando ferramentas como leilões reversos online.
Seu foco está em encontrar os melhores fornecedores para atender às necessidades da empresa, garantindo melhores preços, maior qualidade, inovações e condições contratuais favoráveis antes mesmo de o primeiro pedido ser emitido.
Em essência, o e-sourcing é geralmente parte do e-procurement, funcionando como a fundação estratégica. Primeiro, você usa o e-sourcing para encontrar e selecionar o fornecedor ideal e negociar os termos; depois, você usa o e-procurement para executar as compras operacionais com esse fornecedor, gerando pedidos, acompanhando entregas e processando pagamentos.
Leia também: Poder de compra: o que é, como se determina, quais fatores afetam?
Qual é a diferença entre e-procurement e ERP?
E-procurement e ERP são sistemas que auxiliam na gestão empresarial, mas cada um tem um foco e funcionalidades distintas, o que faz toda a diferença no dia a dia das organizações.
ERP
O ERP, sigla para Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos Empresariais, é um sistema integrado que centraliza as informações e processos de diversos setores da empresa, como vendas, finanças, estoque e recursos humanos.
Ele permite que todos esses departamentos trabalhem de forma conectada, facilitando o fluxo de dados, evitando retrabalho e aumentando a eficiência da gestão como um todo. Ou seja, o ERP oferece uma visão abrangente das operações da empresa, servindo como uma base única para tomada de decisões estratégicas.
E-procurement
Já o e-procurement é uma solução digital voltada exclusivamente para a área de compras. Ele automatiza e otimiza todas as etapas do ciclo de aquisição de bens e serviços, desde a requisição até o pagamento, passando por cotações, negociações e gestão de contratos.
O grande diferencial do e-procurement está na especialização: sua interface é pensada para facilitar o trabalho dos profissionais de compras, integrando múltiplos fornecedores, catálogos e promovendo análises detalhadas para garantir eficiência e economia.
Enquanto o ERP pode até conter um módulo de compras, normalmente ele não oferece a mesma profundidade e flexibilidade que um sistema de e-procurement dedicado. O e-procurement, por sua vez, pode ser integrado ao ERP para potencializar ainda mais os resultados, mas seu foco permanece em tornar o processo de compras mais ágil, transparente e estratégico.
Em outras palavras, o ERP é o “cérebro” que integra e gerencia todos os setores da empresa, enquanto o e-procurement é o “especialista” que cuida de cada detalhe das compras, garantindo melhores negociações e controle de gastos. Ambos são importantes, mas atuam em níveis diferentes de abrangência e profundidade.
Qual é a diferença entre e-procurement e e-commerce?
A diferença entre e-procurement e e-commerce está no foco e na abrangência de cada sistema, apesar de ambos envolverem transações online.
O e-commerce é o modelo mais conhecido de comércio eletrônico, usado para vender produtos ou serviços pela internet. Seja diretamente ao consumidor final (B2C) ou entre empresas (B2B). Seu foco principal está na transação comercial: colocar o produto à disposição do cliente e facilitar a compra de forma rápida e prática.
Por outro lado, o e-procurement vai muito além da simples venda. Trata-se de uma solução digital voltada à automação do processo de compras dentro das empresas. Ele cobre todas as etapas: desde a busca por fornecedores, passando pela negociação, emissão de pedidos, até o recebimento e pagamento. É uma ferramenta estratégica, pensada para tornar o ciclo de aquisição mais organizado, padronizado e econômico.
Enquanto o e-commerce se concentra na experiência de compra para o cliente, o e-procurement atua nos bastidores, focando nos processos internos da empresa e no relacionamento com os fornecedores. Além de facilitar as operações, ele permite comparar preços, avaliar condições comerciais, monitorar o desempenho dos parceiros e gerenciar contratos: atividades que não fazem parte do escopo do e-commerce.
A diferença, portanto, é que, os dois trabalham com compras, mas em contextos bem diferentes: um voltado para vender, o outro para estruturar e melhorar como as empresas compram.
Leia também: Finanças corporativas: o que é, como gerir e como usá-las?
Fontes: Pipely, Suno, Nimbi, Blog me e SAP.