Reservas internacionais: o que são, para que servem e importância

Entenda o que são reservas internacionais, para que servem e por que são essenciais para a estabilidade econômica de um país.

29 de abril de 2025 - por Nathalia Lourenço


As reservas internacionais são um tipo de poupança que os países mantêm em moedas fortes, como o dólar e o euro. Elas também podem incluir ouro e outros ativos. Essas reservas ajudam a proteger a economia em momentos de crise e dão mais segurança para quem investe no país.

Mas, afinal, por que os países juntam essas reservas? E por que elas são tão importantes?
Continue lendo para entender melhor o que são as reservas internacionais, para que servem e como elas ajudam a economia.

O que são reservas internacionais?

Reservas internacionais são os ativos em moedas estrangeiras que um país acumula para garantir segurança financeira. Esses ativos podem incluir:

  • Dólares, euros e outras moedas fortes;
  • Ouro;
  • Títulos de dívida de outros países (como títulos do governo dos Estados Unidos);
  • Direitos Especiais de Saque (DES), que são ativos emitidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os bancos centrais (como o Banco Central do Brasil) guardam as reservas e as utilizam para proteger a economia em momentos de crise, ajudar a pagar dívidas internacionais, manter a confiança dos investidores e controlar o valor da moeda nacional.

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Para que servem as reservas internacionais?

As reservas internacionais servem para várias funções importantes, entre elas:

  • Proteger a economia em crises: ajudam o país a pagar dívidas ou importar produtos mesmo em tempos difíceis.
  • Garantir confiança: mostram aos investidores que o país tem recursos para honrar seus compromissos.
  • Controlar a moeda: o governo pode usar as reservas para comprar ou vender dólares e, assim, ajudar a manter o valor da moeda nacional estável.
  • Facilitar o comércio internacional: como o comércio é feito em moedas fortes (como o dólar), as reservas permitem que o país pague suas compras no exterior.
  • Melhorar a nota de crédito do país: ter boas reservas pode fazer com que o país consiga empréstimos mais baratos no mercado internacional.

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Importância das reservas internacionais

A importância das reservas internacionais é grande para a estabilidade e a segurança econômica de um país. Em primeiro lugar, elas reduzem o risco de crises financeiras, já que, em momentos de fuga de capitais ou dificuldade para conseguir dólares, as reservas garantem que o país consiga se manter.

Além disso, dão credibilidade internacional, pois países com boas reservas são vistos como mais seguros pelos investidores e pelas agências de risco.

Outro ponto importante é que elas ajudam a controlar a inflação. Se a moeda local perde valor, o governo pode usar parte das reservas para impedir uma alta descontrolada nos preços.

Com isso, as reservas também permitem mais liberdade nas decisões econômicas, pois o país não fica tão dependente de empréstimos internacionais em momentos de dificuldade.

Por fim, elas protegem o comércio exterior, garantindo que o país possa continuar importando produtos essenciais, mesmo em tempos de crise.

Quais são as desvantagens das reservas internacionais?

Embora as reservas internacionais sejam importantes, elas também têm algumas desvantagens. Primeiro, manter grandes volumes de reservas pode ter um custo alto. Isso acontece porque o dinheiro fica aplicado em ativos seguros, mas de baixa rentabilidade, como títulos do governo americano, que pagam juros pequenos.

Além disso, manter reservas significa deixar de investir esses recursos em outras áreas que poderiam gerar mais crescimento, como saúde, educação ou infraestrutura.

Outro ponto é que reservas muito grandes podem indicar que o país está interferindo demais no câmbio, o que pode gerar críticas de outros países e até conflitos comerciais.

Por fim, o valor das reservas pode cair se houver mudanças fortes nos mercados internacionais, como queda no preço do ouro ou desvalorização da moeda em que estão aplicadas.

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Reservas internacionais do Brasil

O Brasil tem um bom volume de reservas internacionais, que são geridas pelo Banco Central. Elas servem para dar segurança à economia, como explicamos antes. Agora, vamos entender melhor como elas estão distribuídas e onde o dinheiro é investido.

Distribuição da moeda

Em primeiro lugar, o Brasil aplica a maior parte de suas reservas em dólares americanos, que são a moeda mais usada no comércio e nos investimentos globais. Além do dólar, o Brasil mantém uma parte menor das reservas em outras moedas fortes, como:

  • Euro (EUR)
  • Libra esterlina (GBP)
  • Iene japonês (JPY)
  • Dólar canadense (CAD)
  • Franco suíço (CHF)
  • Dólar australiano (AUD)

Essa diversificação, portanto, ajuda a reduzir riscos, caso alguma moeda sofra uma grande desvalorização.

Onde o dinheiro é investido?

Quando analisamos os investimentos, vemos que o Brasil aplica suas reservas internacionais principalmente em ativos seguros e líquidos, ou seja, investimentos que ele pode transformar rapidamente em dinheiro e que oferecem baixo risco. Os principais destinos são:

  • Títulos do Tesouro dos Estados Unidos: são considerados os investimentos mais seguros do mundo.
  • Títulos públicos de outros países desenvolvidos, como Alemanha, Japão e Reino Unido.
  • Depósitos em bancos no exterior: uma parte pequena fica em contas que o Banco Central pode acessar rapidamente.
  • Ouro: o Brasil mantém uma pequena parte de suas reservas em ouro.
  • Direitos Especiais de Saque (DES): ativos internacionais emitidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Por fim, é importante destacar que o objetivo principal dessas escolhas é preservar o valor das reservas e garantir que o país tenha acesso rápido a esses recursos, se necessário.

Quais são as maiores reservas internacionais do mundo?

China

A China lidera com a maior reserva internacional do mundo, com mais de 3 trilhões de dólares. Isso é resultado do grande superávit comercial do país, que exporta mais do que importa. O governo chinês mantém essas reservas para garantir a estabilidade da sua moeda, o yuan, e proteger a economia em tempos de crise.

Japão

O Japão ocupa a segunda posição, com cerca de 1,3 trilhão de dólares em reservas internacionais. O país mantém essas reservas, principalmente em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, para garantir a estabilidade da economia e seu comércio exterior, além de atuar na defesa da sua moeda, o iene.

Suíça

A Suíça, com suas aproximadamente 1 trilhão de dólares em reservas, mantém uma das maiores reservas do mundo, apesar de ser um país menor. Grande parte dessa reserva está em ouro e ativos de alta liquidez, o que ajuda a preservar o valor da moeda suíça, o franco, e garante estabilidade econômica no país.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita possui cerca de 500 bilhões de dólares em reservas internacionais. Essas reservas são, em grande parte, provenientes da sua enorme produção de petróleo. O país utiliza essas reservas para manter a estabilidade do riyal saudita e garantir a segurança financeira diante da volatilidade do mercado de petróleo.

Rússia

A Rússia possui reservas internacionais de aproximadamente 600 bilhões de dólares. Essas reservas são usadas para garantir a estabilidade do rublo e ajudar o país a lidar com pressões externas e econômicas, como sanções e flutuações nos preços das commodities que exporta.

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Fontes: empiricus, politize, maisretorno e suno

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