29 de maio de 2025 - por Millena Santos
A chamada economia do lado da oferta, ou Supply Side, é uma teoria econômica que ganhou destaque nos anos 1980, especialmente durante o governo de Ronald Reagan, nos Estados Unidos. Ela propõe que estimular a produção e reduzir as burocracias para empresas é o caminho para o crescimento sustentável.
Neste texto, vamos explorar o que é o Supply Side, como essa abordagem funciona, seus principais pilares e muito mais!
Vamos lá? Boa leitura!
O que é supply side?
A economia do lado da oferta, também chamada de Supply Side, é uma teoria econômica que ganhou força principalmente a partir dos anos 1980, com líderes como Ronald Reagan, nos Estados Unidos.
A ideia central é que, ao reduzir impostos, especialmente para empresas e pessoas com maior renda, seria possível estimular o crescimento econômico.
Segundo essa visão, quando as empresas pagam menos impostos, acabam tendo mais recursos disponíveis para investir em inovação, ampliar a produção, contratar mais funcionários ou até reduzir preços.
Com isso, a competitividade aumenta, os lucros tendem a crescer e, no melhor cenário, a economia como um todo se beneficia.
Como o Supply Side funciona?
A abordagem do Supply Side parte da ideia de que, ao incentivar o aumento da oferta de bens e serviços, é possível fomentar o crescimento econômico. Uma das formas de fazer isso é por meio da redução de impostos, o que pode aliviar os custos para empresas e estimular novos investimentos.
Com esse estímulo, espera-se que as empresas expandam suas atividades, sejam capazes de gerar mais empregos e movimentar outros setores da economia.
Em um cenário assim, o crescimento não depende apenas do consumo, mas também da capacidade de produção e inovação das empresas. Isso, na visão dos defensores dessa linha, cria um ambiente mais favorável ao desenvolvimento sustentável no longo prazo.
Pilares da supply side
O modelo econômico do lado da oferta, conhecido como Supply Side, é sustentado por três pilares fundamentais: política regulatória, política monetária e política tributária.
Cada um desses pilares tem um papel muito importante na criação de um ambiente propício para o crescimento econômico. A lógica é simples: quando as empresas têm liberdade para operar, regras claras para seguir e uma carga tributária que não sufoca a produção, elas tendem a investir mais, gerar empregos e aumentar a oferta de bens e serviços.
O primeiro pilar mencionado, a política regulatória, busca reduzir as burocracias e facilitar o funcionamento dos negócios. Já a política monetária, por sua vez, tem como objetivo manter a estabilidade dos preços e preservar o poder de compra, garantindo que os investimentos aconteçam em um cenário de previsibilidade.
Por fim, a política tributária foca em tornar os impostos mais eficientes, incentivando a produtividade. Conforme a teoria, esses três pilares são bem importantes para garantir uma base sólida para um crescimento econômico mais sustentável.
Supply side e a teoria de Arthur Laffer
Arthur Laffer ficou conhecido como um dos principais nomes ligados à teoria econômica Supply Side. Durante o governo de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, Laffer desenvolveu um papel muito importante na formulação de políticas que priorizavam a redução de impostos como forma de estimular o crescimento econômico.
Porém, sua grande contribuição mesmo foi a famosa Curva de Laffer, uma representação gráfica a qual demonstra que existe um ponto ideal de tributação: taxas muito altas ou muito baixas acabam reduzindo a arrecadação do governo.
A Curva de Laffer continua sendo debatida até hoje por economistas e formuladores de políticas públicas. Ela ajuda a ilustrar o conceito de elasticidade da receita tributária, ou seja, como a arrecadação do governo reage a mudanças nas alíquotas de imposto.
A lógica é que, em determinados casos, cortar impostos pode até aumentar a arrecadação, ao estimular a atividade econômica e reduzir a evasão fiscal.
Curva de Laffer no Brasil
No Brasil, a curva de Laffer é usada por economistas para ilustrar o impacto da carga tributária sobre a arrecadação. Segundo uma estimativa do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional, o país deixa de arrecadar cerca de 500 bilhões de reais por ano devido à sonegação fiscal.
Esse valor impressionante revela o tamanho do desafio que a tributação enfrenta por aqui. Com uma das maiores cargas tributárias do mundo, muitos contribuintes acabam buscando formas de evitar o pagamento integral dos impostos, o que ajuda a alimentar esse ciclo de sonegação.
Dessa forma, esse cenário mostra que a alta tributação, muitas vezes vista como excessiva, pode desencorajar o pagamento correto dos tributos e impactar negativamente a economia como um todo.
Qual é o oposto da Supply Side?
A economia do lado da demanda, também conhecida como economia keynesiana, diferente da Supply Side, coloca o consumo no centro do crescimento econômico.
Segundo essa teoria, é a demanda por bens e serviços que impulsiona a produção, gera empregos e, consequentemente, faz a economia crescer. Em outras palavras, sem consumidores dispostos a gastar, mesmo que as empresas queiram produzir mais, a economia pode não avançar.
Essa ideia contrasta bastante com a economia do lado da oferta, que foca mais em como a capacidade produtiva das empresas, investimentos e redução de impostos podem estimular o crescimento.
Portanto, enquanto a economia do lado da oferta acredita que o crescimento começa pela produção e oferta de bens, a abordagem keynesiana defende que é o aumento do consumo que realmente dá o pontapé inicial.
Origem e história da Supply Side
A teoria Supply Side ganhou destaque nos Estados Unidos durante a gestão do presidente Ronald Reagan, a partir de 1980. Essa estratégia econômica foi adotada para enfrentar a estagflação, um cenário difícil onde a economia sofria com inflação alta e baixo crescimento ao mesmo tempo.
A ideia principal do Supply Side era estimular a produção e o investimento, cortando impostos para empresas e indivíduos, na expectativa de que isso aumentaria a oferta de bens e serviços, gerando emprego e crescimento econômico.
Como resultado, houve um aumento na arrecadação devido à maior atividade econômica, mas essa abordagem também trouxe controvérsias.
Alguns crítivos destacaram o aumento significativo do déficit público, consequência dos cortes fiscais que não foram totalmente compensados pelo crescimento da receita, e uma maior especulação financeira, que nem sempre se traduzia em investimentos produtivos.
Por fim, vale destacar que alguns críticos chegaram a argumentar que essa política favoreceu principalmente os mais ricos, contribuindo para o aumento das desigualdades sociais. Ou seja, embora tenha favorecido um crescimento econômico, muitos dos desafios existentes acabaram não sendo totalmente resolvidos.
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Fonte: Mais Retorno, Investopedia, Suno.