29 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Quando o assunto é mercado imobiliário, dois conceitos costumam gerar muitas dúvidas: valor venal e valor real. Embora ambos estejam ligados à avaliação de imóveis, cada um tem uma função diferente e pode impactar diretamente em situações como pagamento de impostos, compra, venda e até financiamentos.
Neste texto, a gente fala mais sobre isso. Vamos lá?
O que é valor venal?
O valor venal é um termo bastante comum no universo fiscal e tributário, especialmente quando se fala em imóveis.
Ele corresponde a uma estimativa de quanto um bem vale em determinado momento, sendo esse valor definido pelos órgãos públicos responsáveis, como as prefeituras no caso de imóveis urbanos.
A principal função do valor venal é servir de base para a cobrança de impostos, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis).
Por isso, não deve ser confundido com o preço de mercado, que é aquele pelo qual o imóvel poderia ser vendido em uma negociação entre comprador e vendedor.
Vale lembrar que esse valor não é fixo, já que passa por atualizações periódicas e pode variar de acordo com critérios estabelecidos pelo poder público.
Entre os fatores que influenciam no cálculo estão a localização do imóvel, a metragem do terreno e da construção, o padrão construtivo, a idade da edificação, a destinação do bem (residencial ou comercial) e até mesmo a infraestrutura da região.
Assim, a gente pode dizer que o valor venal funciona como um parâmetro administrativo e fiscal, garantindo uma base padronizada para a tributação e evitando que cada caso seja analisado de forma subjetiva.
Como valor venal é determinado?
O valor venal de um imóvel não é fixo e pode variar conforme os critérios adotados por cada prefeitura, já que cabe ao município definir as regras para o cálculo. Apesar disso, a avaliação segue parâmetros técnicos que buscam padronizar a estimativa do valor do bem.
Entre os fatores mais comuns considerados estão:
- Área do terreno ou da edificação (m²): quanto maior a metragem, maior tende a ser o valor venal.
- Valor do metro quadrado na região: o preço médio praticado no bairro influencia diretamente o cálculo.
- Idade e obsolescência da construção: imóveis mais antigos ou que exigem manutenção costumam ter valor venal menor.
- Tipo de terreno: inclinação, formato e aproveitamento do espaço podem impactar o resultado.
- Profundidade e testada do terreno: medidas que influenciam a valorização em áreas urbanas.
- Localização (logradouro): ruas mais valorizadas ou próximas a centros comerciais elevam o cálculo.
- Função da edificação: imóveis residenciais, comerciais ou industriais recebem tratamento diferenciado.
- Pertencimento a condomínio: em alguns casos, fatores como segurança, áreas comuns e serviços influenciam.
- Reformas e melhorias: ampliações, modernizações e benfeitorias agregam valor.
Embora cada cidade adote regras próprias, muitas utilizam uma fórmula-base para chegar ao valor venal, que costuma seguir este modelo:
V= A × VR × I × P × TR
Cada item pode ser interpretado como:
- V= Valor venal
- A= Área do imóvel
- VR= Valor do metro quadrado da região
- I= Fator de idade e conservação da edificação
- P= Padrão construtivo ou de acabamento
- TR= Tipo ou uso do terreno
Esse cálculo garante certa padronização, mas ainda assim o valor final pode variar de município para município, já que cada prefeitura tem liberdade para definir os coeficientes aplicados.
O que é valor real?
O valor real corresponde ao preço de mercado de um imóvel, ou seja, quanto ele efetivamente vale em uma negociação no cenário atual.
Diferente do valor venal, que é uma estimativa feita pelo poder público para fins fiscais, o valor real é definido pelas condições do mercado imobiliário e pelas negociações entre comprador e vendedor.
Esse valor sofre grande influência de fatores como a oferta e a procura na região, a conjuntura econômica do país, a valorização ou desvalorização do bairro, e até mesmo características mais subjetivas, como o estado de conservação do imóvel ou o interesse de potenciais compradores.
Além disso, o valor real pode variar bastante em curtos períodos de tempo, já que oscila conforme o mercado.
Por exemplo, em regiões em crescimento, com novos empreendimentos e melhoria da infraestrutura, o preço tende a subir; já em locais com queda na demanda, pode haver desvalorização.
Logo, ele representa, de fato, o quanto o mercado está disposto a pagar por determinado bem em um dado momento.
Como valor real é determinado?
O valor real de um imóvel é definido a partir de uma análise mais ampla, já que busca refletir o preço de mercado em um momento específico.
Diferente do valor venal, que segue critérios padronizados estabelecidos pelo poder público, o valor real considera aspectos práticos e econômicos que influenciam diretamente na negociação entre comprador e vendedor.
Entre os principais fatores levados em conta estão:
- Características físicas do imóvel: tamanho, metragem total, número de cômodos, disposição dos ambientes e layout da construção.
- Estado de conservação e manutenção: imóveis bem cuidados, reformados ou modernizados tendem a alcançar preços mais altos.
- Acabamentos e benfeitorias: materiais de qualidade, áreas gourmet, piscinas, varandas ou outros diferenciais valorizam o bem.
- Localização: bairros em valorização, proximidade a centros comerciais, escolas, transporte público e infraestrutura urbana são elementos decisivos.
- Oferta e demanda: quando há muita procura por imóveis em uma região específica, os preços sobem; já em locais com pouca procura, podem cair.
- Comparação com vendas recentes: o mercado costuma usar como parâmetro os valores praticados em imóveis semelhantes.
Além desses pontos, fatores macroeconômicos, como taxa de juros, inflação, facilidade de crédito imobiliário e estabilidade econômica, também influenciam o valor real, já que impactam diretamente a disposição do público em comprar ou investir em imóveis.
Qual a diferença entre valor venal e valor real?
A diferença essencial entre valor venal e valor real está no objetivo que cada um atende.
Como vimos anteriormente, enquanto o valor venal é uma estimativa padronizada, calculada pelo poder público para servir de base em cobranças de impostos como IPTU e ITBI, o valor real é o preço de mercado, definido pelas condições econômicas e pela negociação entre comprador e vendedor.
Em outras palavras, o valor venal cumpre uma função administrativa e fiscal, oferecendo um parâmetro oficial para a tributação, sem refletir fielmente o que o imóvel vale no mercado.
Já o valor real representa o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por aquele bem, levando em conta fatores como oferta e demanda, valorização da região, infraestrutura, estado de conservação do imóvel e momento econômico.
Outro ponto importante é que, na prática, o valor venal costuma ser bem inferior ao valor real. Isso acontece porque ele é calculado com critérios mais gerais e padronizados, sem considerar todas as nuances que influenciam o mercado imobiliário.
Por isso, embora ambos se refiram ao “valor” de um imóvel, servem a finalidades distintas: um é voltado para a tributação e o outro para a compra e venda.
Importância do valor venal e do valor real
O valor venal é relevante porque funciona como uma espécie de referência oficial estabelecida pelo poder público. Embora não reflita diretamente o preço de mercado, ele serve como base para cálculos e procedimentos administrativos.
Por isso, corretores de imóveis costumam fazer uso dele como ponto de partida para determinar um valor mínimo de negociação, ainda que o preço final seja ajustado conforme as condições reais do mercado.
Entre as situações em que o valor venal tem grande importância, destacam-se:
- Cobrança de impostos e taxas municipais: como IPTU, taxa de coleta de lixo e taxa de conservação urbana.
- Processos de inventário e partilha de bens: quando é necessário avaliar imóveis para divisão de herança.
- Transferência de titularidade: no cálculo de impostos como ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) ou ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação).
- Questões judiciais ou contratuais: em disputas envolvendo financiamentos, garantias e execução de dívidas.
Já o valor real ganha importância em um contexto diferente: o das transações imobiliárias. Ele é a referência principal para compra, venda e financiamento, pois indica quanto o mercado está disposto a pagar por determinado imóvel.
Por fim, vale mencionar que o valor real é usado por bancos em avaliações para concessão de crédito imobiliário e por investidores que buscam medir a rentabilidade de um bem.
- Leia também: É melhor imóvel PRONTO ou na PLANTA?
Fonte: Paulo Cesar, Exame, Cherpinski Engenharia.