16 de agosto de 2025 - por Sidemar Castro
Quando falamos em dívida líquida sobre patrimônio líquido (DL/PL), estamos olhando para um indicador essencial na análise de empresas.
O cálculo é direto: basta dividir o valor das dívidas pelo patrimônio líquido, o que nos dá uma noção clara de quanto a empresa está apoiada em recursos externos em comparação ao que de fato pertence a ela. Veja como calcular neste artigo.
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O que é dívida líquida/patrimônio líquido (DL/PL)?
Considere que uma empresa é como uma pessoa que tem bens, dinheiro guardado e também algumas dívidas. O indicador dívida líquida sobre patrimônio líquido, o famoso DL/PL, é uma forma de medir se essa pessoa vive mais apoiada no que já conquistou ou no que ainda deve.
Para calcular, é só pegar o que ela deve de verdade, a dívida líquida, que já desconta o dinheiro que tem em caixa, e dividir pelo patrimônio líquido, que é o valor do que realmente pertence a ela depois de tirar todas as dívidas.
Se o número é baixo, significa que a empresa está mais “pés no chão”, usando mais o que tem do que o que deve.
Já quando o número é alto, mostra que ela anda mais dependente de dívidas para crescer, o que pode ser arriscado se os ventos mudarem na economia.
Mas vale lembrar que não existe um “certo” ou “errado” que sirva para todo mundo. Tem empresa que precisa de mais dívida porque o setor exige investimentos pesados, enquanto outras conseguem ir longe com pouco endividamento.
Por isso, olhar o DL/PL é como checar a saúde financeira de um amigo: você só entende de verdade se ele está bem quando considera também o contexto, as escolhas que fez e a forma como lida com o dinheiro no dia a dia. O mesmo vale para as empresas.
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Para que serve a métrica DL/PL?
Quando pensamos em DL/PL, estamos lidando com um indicador que revela o quanto uma empresa está comprometida com dívidas em relação ao que ela realmente possui de patrimônio.
Imagine que a companhia tem um empréstimo ou financiamento, mas também um caixa disponível: o quanto sobraria de dívida se ela usasse todo esse dinheiro para pagar suas obrigações? Isso é a “dívida líquida”, que dividimos pelo patrimônio líquido, gerando o indicador DL/PL.
O charme dessa métrica é simples: quando o DL/PL é baixo, é como se pudéssemos respirar mais aliviados: a empresa não está apertada, e isso costuma indicar que ela está firme e sólida. Se, por outro lado, o indicador sobe demais, é sinal de que a companhia está se apoiando bastante em dívida, o que naturalmente atrai mais atenção e preocupação dos investidores.
Mas nada é tão preto no branco no mundo dos negócios. Algumas indústrias, como as que demandam investimentos pesados, tipo siderúrgicas, infraestrutura e energia, operam com dívidas altas por natureza. Aí, um DL/PL bastante elevado pode ser perfeitamente normal e condizente com o modelo do setor.
Por fim, uma observação essencial: não caímos no simplismo de julgar uma empresa apenas pelo DL/PL. É vital observar também sua capacidade de gerar caixa, sua rentabilidade operacional (como o EBITDA) e os desdobramentos do setor em que ela atua. Só assim conseguimos formar uma visão completa e realista sobre sua situação financeira.
Saiba mais: O que é EBITDA? Cálculo, quando usar, vantagens e desvantagens
Como calcular a dívida líquida/ patrimônio líquido?
Vamos imaginar que você quer entender até que ponto uma empresa está devendo em relação ao capital dos seus sócios.
Comece reunindo dois dados simples: um, a dívida líquida, que é o que ela deve de verdade depois de descontar tudo que tem em caixa; e o outro, o patrimônio líquido, que é tudo o que sobra depois de abater as obrigações dos bens e direitos da empresa.
Com esses números em mãos, você faz uma conta simples: divide a dívida líquida pelo patrimônio líquido.
O resultado te diz quanto da empresa está “pegando emprestado” em relação ao que já é dela. E pode aparecer como uma fração ou porcentagem: quanto maior o número, maior a dependência da dívida.
Leia: Dívida bruta: como funciona esse indicador de endividamento?
Como interpretar a dívida líquida/patrimônio líquido?
Pense na empresa como uma pessoa que precisa equilibrar contas: de um lado, o que ela deve (dívida líquida); do outro, o que realmente é seu (patrimônio líquido).
Quando o índice dívida líquida sobre patrimônio está baixo, é como se ela estivesse confortável com dívidas: tem fôlego para honrar compromissos. Se estiver alto, é como ter muitas contas a pagar e pouco dinheiro guardado: um sinal de alerta para quem investe.
Suponha então que essa relação dê 0,4: isso quer dizer que, para cada real que pertence à empresa, ela deve 40 centavos.
Se fosse 1,5, significa que a dívida passa em 50% o patrimônio: aí o nervosismo começa! Mas tem setores, como energia ou construção pesada, por exemplo, que naturalmente lidam com esse tipo de alavancagem e conseguem dar conta muito bem.
Por isso, esse número sozinho não diz tudo. Dá muito mais segurança comparar com empresas similares e unir os dados com outros indicadores, como quanto de caixa a empresa gera ou quanto ela lucra antes de juros e impostos. Aí, sim, dá para entender melhor se a alavancagem está colocando o negócio em risco ou sendo usada estrategicamente.
Entenda: LAJIR: o que é, como calcular e qual a sua função?
Limitações da métrica DL/PL
Quando a gente se debruça sobre o índice Dívida Líquida sobre Patrimônio Líquido, é fácil esquecer que ele tem suas limitações, e isso é importante entender.
Um dos principais pontos é que esse indicador não leva em conta a capacidade real da empresa em gerar caixa. Ou seja, mesmo com uma dívida alta, se o caixa está forte e o fluxo operacional é saudável, a empresa pode estar muito mais confortável do que o número isolado sugere.
Outro detalhe é que cada setor tem suas próprias “regras do jogo”. Empresas de infraestrutura ou energia, por exemplo, normalmente operam com níveis de endividamento mais altos como parte da rotina. Comparar empresas de setores tão distintos usando apenas esse índice pode dar uma impressão errada;
Por fim, ele não pode ser a estrela principal da análise. Usar apenas o DL/PL é como tentar assistir a um filme vibrante com o som no mudo. É preciso complementar com outras métricas que mostram a qualidade dos resultados, a geração de caixa e a lucratividade operacional.
Leia mais: Lucro operacional: o que é, como calcular e como analisar?
Fontes: Varos, Statuts Invest, Suno, Simpla Club e Yubbb.