31 de dezembro de 2025 - por Diogo Silva
Os títulos high yield vêm ganhando cada vez mais espaço entre os investidores que buscam rentabilidades maiores e estão dispostos a assumir um pouco mais de risco. Eles representam uma fatia do mercado que alia oportunidade e ousadia, oferecendo juros bem acima da média, mas com a contrapartida de uma chance maior de inadimplência.
Aqui, vamos explicar de forma simples o que são esses títulos, como funcionam, quem os emite e quais cuidados é preciso ter antes de investir. Se você quer entender melhor o universo dos investimentos high yield e descobrir se eles combinam com o seu perfil, continue a leitura e mergulhe nesse tema com a gente.
Veja também: 3 investimentos de baixo risco para quem quer tirar dinheiro do Brasil
O que são investimentos high yield?
Os títulos high yield são investimentos de renda fixa, públicos ou privados, que se destacam por oferecer rendimentos muito acima da média do mercado. Esse retorno elevado, no entanto, vem acompanhado de um risco igualmente alto, já que esses papéis são emitidos por empresas ou instituições com maior probabilidade de atraso ou calote no pagamento.
Em outras palavras, o investidor é recompensado pelo risco adicional que assume. Geralmente, quem emite esse tipo de título são companhias em fase inicial, negócios com grande necessidade de capital ou organizações que já apresentam níveis significativos de endividamento.
O termo high yield surgiu justamente para distinguir essas empresas daquelas com crédito mais sólido, que conseguem captar recursos a juros menores. Por esse motivo, esses títulos também são conhecidos pelo apelido de junk bonds, ou “títulos de alto risco”.
Como identificar se é um título high yield?
Identificar se um título é high yield exige um olhar atento para alguns pontos-chave. O principal deles é a classificação de risco de crédito atribuída pelas agências de rating, como Moody’s, S&P ou Fitch.
Quando um título recebe notas abaixo do chamado grau de investimento, geralmente classificações como BB+, BB ou inferiores, ele passa a ser considerado high yield, ou seja, apresenta maior probabilidade de inadimplência e, por isso, paga juros mais altos para atrair investidores.
Além da nota de crédito, outros sinais ajudam a reconhecer um título desse tipo. Se o emissor for uma empresa com histórico de endividamento elevado, resultados financeiros instáveis ou ainda em fase de crescimento e consolidação, há grandes chances de se tratar de um investimento high yield.
Também vale observar o retorno oferecido! Se a taxa de juros for muito superior à média de ativos semelhantes no mercado, isso costuma indicar um risco adicional e, consequentemente, um título de alto rendimento.
Leia também: O que são Títulos de Emissão Bancária?
Características principais dos investimentos e títulos high yield?
Os investimentos e títulos high yield são conhecidos por oferecerem altos retornos, mas com um nível de risco igualmente elevado. Eles costumam pagar juros bem acima da média justamente porque são emitidos por empresas com situação financeira mais delicada, seja por terem muitas dívidas, estarem em fase de crescimento ou ainda não possuírem um histórico de crédito sólido.
O investidor ganha mais, mas também assume uma chance maior de o emissor não honrar seus compromissos. Outra característica importante é que esses títulos tendem a ser mais sensíveis às mudanças na economia.
Quando o cenário está favorável, eles podem render muito bem; mas em tempos de crise, o risco aumenta. Além disso, a liquidez, ou seja, a facilidade de vender o título antes do vencimento, costuma ser menor.
Mesmo assim, para quem entende o perfil de risco e busca retornos mais ousados, os investimentos high yield podem ser uma forma interessante de diversificar e turbinar a rentabilidade da carteira.
Quem emite os títulos de high yield?
Os títulos high yield normalmente são emitidos por empresas que precisam levantar dinheiro, mas que não têm uma imagem de crédito tão forte no mercado. São negócios que muitas vezes estão começando, crescendo rapidamente ou passando por um momento de reestruturação financeira.
Como existe um risco maior de não conseguirem pagar tudo certinho no futuro, elas acabam oferecendo juros mais altos para convencer os investidores a apostar nelas.
Esses emissores podem ser startups, companhias endividadas ou até governos locais com finanças mais apertadas. Em comum, todos têm o mesmo objetivo, que é conseguir captar recursos oferecendo uma recompensa maior para quem topa correr o risco.
Quem emite títulos high yield está tentando crescer, se recuperar ou ganhar fôlego no mercado, e convida o investidor a embarcar nessa jornada em troca de uma rentabilidade mais generosa.
Saiba mais: Títulos imobiliários: quais são e como funcionam
Como funcionam os títulos high yield?
Os títulos high yield funcionam de forma parecida com outros investimentos de renda fixa. O investidor empresta dinheiro ao emissor, que pode ser uma empresa ou instituição e, em troca, recebe o valor investido de volta no vencimento, junto com os juros acordados.
A grande diferença está no nível de risco e na remuneração. Como esses títulos são emitidos por organizações com crédito mais frágil ou maior chance de inadimplência, elas precisam pagar juros bem acima da média para atrair quem está disposto a correr esse risco.
Na prática, o investidor que compra um título high yield está aceitando a possibilidade de ganhar mais, mas também de perder parte do capital se o emissor não conseguir honrar o pagamento. Por isso, é um tipo de investimento que exige análise cuidadosa; entender quem está emitindo o título, qual é a situação financeira da empresa e qual o prazo do papel faz toda a diferença. Em períodos de economia estável, esses títulos podem oferecer ganhos expressivos, mas em momentos de crise, o risco tende a pesar mais.
Quais são os tipos de investimentos high yield?
1. Títulos corporativos
Esses são os mais conhecidos. São emitidos por empresas que precisam captar dinheiro para financiar projetos, pagar dívidas ou expandir suas operações.
Como o risco de inadimplência é maior, elas oferecem juros bem acima da média do mercado. É uma opção que pode render bastante, mas exige atenção à saúde financeira da empresa emissora.
2. Fundos de crédito privado high yield
Em vez de investir direto nas debêntures, o investidor aplica em um fundo que reúne diversos títulos de crédito considerados de maior risco.
Essa diversificação ajuda a equilibrar as perdas e ganhos, mas ainda assim o fundo pode oscilar mais do que outros tipos de renda fixa tradicional.
3. Bonds internacionais
São os títulos high yield emitidos fora do Brasil, geralmente por empresas estrangeiras. Eles podem ser uma boa alternativa para quem quer se expor ao mercado internacional, mas envolvem riscos adicionais, como variação cambial e diferentes legislações de proteção ao investidor.
4. Fundos de investimento em high yield
Alguns fundos e ETFs reúnem uma cesta de títulos high yield, nacionais e internacionais. A vantagem é que o investidor acessa várias emissões de uma só vez, com gestão profissional. O ponto de atenção é que a rentabilidade e o risco variam conforme os papéis que compõem a carteira.
5. Private credit high yield
Nesse tipo de investimento, o dinheiro é emprestado diretamente a empresas de menor porte, fora do mercado tradicional de capitais.
É uma modalidade que costuma oferecer retornos expressivos, mas o risco é elevado, já que essas empresas nem sempre têm histórico sólido ou garantias robustas.
Vantagens e riscos de investir em High Yield
Investir em títulos high yield pode ser uma ótima oportunidade para quem busca ganhar mais do que na renda fixa tradicional. A principal vantagem é justamente essa; eles pagam juros mais altos, o que pode turbinar a rentabilidade da sua carteira.
Além disso, investir nesse tipo de título ajuda a diversificar os investimentos, trazendo uma dose de ousadia para quem quer equilibrar segurança e rentabilidade. Em períodos de economia estável, esses papéis costumam se destacar e entregar bons resultados.
Mas é importante lembrar que o risco é o outro lado da moeda. Como esses títulos são emitidos por empresas com situação financeira mais delicada, existe a chance de atrasos ou calotes nos pagamentos.
Além disso, eles tendem a oscilar mais em tempos de crise e nem sempre é fácil vender antes do vencimento, já que a liquidez costuma ser menor.
Por isso, o high yield combina mais com quem tem um perfil arrojado, entende que altos retornos exigem paciência, e está disposto a correr um pouco mais de risco em troca de ganhos maiores.
Confira: Apetite ao risco: o que é e como defini-lo?
Como os títulos high yield se comportam no mercado?
Os títulos high yield costumam ter um comportamento mais sensível às mudanças do mercado. Quando a economia está estável e as empresas conseguem manter suas finanças em ordem, esses papéis tendem a performar muito bem, oferecendo retornos atrativos e até valorização no preço.
Nesses períodos, o apetite dos investidores por risco aumenta, e a busca por rendimentos maiores faz com que os títulos high yield ganhem destaque.
Por outro lado, em momentos de crise ou incerteza econômica, o cenário muda. Como são emitidos por empresas com crédito mais frágil, esses títulos sofrem mais com a falta de confiança do mercado. Os preços costumam cair, a probabilidade de inadimplência aumenta e muitos investidores acabam migrando para opções mais seguras.
Os high yield, como já falamos, são como um termômetro do humor dos investidores. Se o mercado está otimista, eles brilham; se o clima é de medo, são os primeiros a sentir o impacto.
Diferença entre high yield, high grade e high quality
Os termos high yield, high grade e high quality mostram o quanto um investimento é arriscado, e o quanto ele pode render.
Os high yield são os mais ousados: oferecem juros bem altos, mas também vêm de empresas com situação financeira mais delicada. Já os high grade são o caminho da segurança, emitidos por companhias sólidas e com baixo risco de calote, embora o retorno seja menor.
O termo high quality é mais abrangente e se refere a investimentos de primeira linha, que unem estabilidade, boa reputação e resultados consistentes.
Leia também: Investimentos tradicionais x investimentos alternativos: quais as diferenças?
Fontes: Suno; Top Invest; Toro Investimentos; Warren; Meu Dividendo; Nordinvestimentos; Mais Retorno