18 de fevereiro de 2026 - por Millena Santos
Você já reparou como o preço de um ativo pode subir e descer de forma imprevisível? É justamente para medir essas oscilações que existe a volatilidade histórica (VH).
Esse indicador mostra o quanto o preço de um ativo variou ao longo de um determinado período, ajudando investidores a entender o nível de risco envolvido e o comportamento passado do mercado.
Vamos saber mais sobre esse tipo de volatilidade? Confira a seguir!
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O que é volatilidade histórica (VH)?
A volatilidade histórica (VH) é um indicador que mostra o quanto o preço de um ativo variou ao longo de um determinado período.
Em outras palavras, ela ajuda a entender se esse preço costuma oscilar muito ou se se mantém mais estável com o passar do tempo.
Sabe aquela sensação de olhar um gráfico e pensar: “esse ativo sobe e desce demais”? A VH transforma essa impressão em um dado concreto.
Quanto maior a volatilidade histórica, maiores foram as oscilações de preço; quanto menor, mais previsível foi o comportamento do ativo.
Por isso, esse indicador é um grande aliado do investidor. Ele ajuda a identificar cenários de maior ou menor incerteza e contribui para decisões mais conscientes antes de investir.
Afinal, entender o histórico de variações é um passo importante para alinhar expectativas e estratégias, concorda?
Leia também: Volatilidade: o que é e como impacta o mercado?
Para que serve e como funciona a volatilidade histórica?
No mercado financeiro, a volatilidade histórica é uma ferramenta fundamental para analisar o comportamento passado dos preços de um ativo.
Como já vimos, ela serve para medir o quanto esses preços oscilaram ao longo do tempo, ajudando investidores a entenderem melhor o nível de risco envolvido em cada operação.
Vale lembrar que esse indicador não tem a função de prever o futuro. Em vez disso, ele mostra como o ativo se comportou em períodos anteriores dentro do mercado financeiro.
Na prática, a volatilidade histórica é calculada a partir do desvio padrão dos retornos diários do ativo. Apesar do nome técnico, esse cálculo indica o quanto os preços se afastaram da média em determinado período, revelando se o ativo apresentou movimentos mais intensos ou mais estáveis.
Com essas informações em mãos, o investidor consegue enxergar os riscos do mercado financeiro e alinhar melhor suas decisões ao seu perfil e à sua estratégia.
Como calcular a volatilidade histórica?
No mercado financeiro, o cálculo da volatilidade histórica parte de um conceito estatístico bastante utilizado: o desvio padrão.
Para fazer esse cálculo, utiliza-se o histórico de preços do ativo e define-se o período que se deseja analisar, o qual pode ser alguns dias, meses ou até anos, dependendo do objetivo.
A partir desses dados, são calculados os retornos nesse intervalo.
Com os retornos em mãos, o desvio padrão mostra o quanto esses valores se afastaram da média, revelando o nível de oscilação do ativo no mercado financeiro.
Dito de outro modo, quanto maior o desvio, maior foi a volatilidade; quanto menor, mais estável foi o comportamento dos preços.
Assim, a volatilidade histórica transforma dados passados em uma leitura sobre risco e movimento de mercado.
Leia também: Análise técnica: o que é e como funciona esta metodologia?
Aplicações e usos da volatilidade histórica
No mercado financeiro, a volatilidade histórica possui diversas aplicações e é utilizada por investidores e profissionais da área. Ela ajuda a entender o nível de risco de um ativo e a tomar decisões mais equilibradas, especialmente quando o assunto é gestão de portfólio.
Um dos usos mais comuns da volatilidade histórica acontece na gestão de carteiras de investimento.
Gestores de portfólio analisam esse indicador para buscar um equilíbrio entre risco e retorno, evitando concentrações excessivas em ativos muito voláteis ou, ao contrário, excessivamente conservadores.
Vamos a um exemplo: imagine um gestor responsável por um portfólio composto por ações, fundos imobiliários e títulos de renda fixa. Ao analisar a volatilidade histórica, ele percebe que determinadas ações apresentam oscilações muito maiores do que os demais ativos da carteira.
Isso significa que, embora possam oferecer retornos mais altos, elas também aumentam o risco geral do portfólio.
Com essa informação, o gestor pode decidir reduzir a exposição a essas ações mais voláteis e compensar o risco com ativos mais estáveis, como títulos de renda fixa.
Dessa forma, ele constrói uma carteira equilibrada, capaz de atravessar diferentes momentos do mercado financeiro com maior estabilidade.
Limitações da volatilidade histórica
Até aqui, já exploramos vários aspectos da volatilidade histórica e como ela pode ajudar na análise do mercado financeiro. Mas, como todo indicador, ela também tem suas limitações.
A principal delas está no próprio nome: a volatilidade histórica é baseada em dados do passado. Ou seja, ela mostra como o ativo se comportou em outros momentos do mercado, mas não garante que esse padrão vá se repetir no futuro.
Além disso, o mercado financeiro não se move de forma uniforme. Períodos com retornos muito distintos e eventos inesperados, sejam positivos ou negativos, como crises, anúncios econômicos ou mudanças políticas, podem distorcer os resultados da volatilidade histórica.
Esses acontecimentos acabam criando assimetrias que nem sempre refletem o comportamento “normal” do ativo.
Por isso, a volatilidade histórica deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como uma resposta definitiva. Usada em conjunto com outros indicadores e análises, ela contribui para decisões alinhadas à realidade dinâmica do mercado financeiro.
Diferenças entre volatilidade histórica e volatilidade implícita
Tanto a volatilidade histórica quanto a volatilidade implícita estão ligadas à ideia de oscilação de preços de um ativo.
A principal diferença entre elas, então, está no foco de cada uma.
A volatilidade histórica olha para o passado. Ela mostra como o preço de um ativo se comportou em um período específico, com base em dados reais. Issoa gente já viu, certo?
Já a volatilidade implícita vai na contramão e aponta para o futuro. Ela reflete justamente a expectativa do mercado sobre o quanto esse ativo pode oscilar nos próximos períodos.
Essas expectativas aparecem, principalmente, no preço das opções e indicam o nível de incerteza percebido naquele momento.
Embora sejam diferentes, as duas estão conectadas. A volatilidade implícita costuma considerar o histórico do ativo, mas também incorpora fatores que ainda podem acontecer, como eventos, notícias e mudanças no sentimento dos investidores.
Logo, enquanto a volatilidade histórica mostra o que já aconteceu em um determinado intervalo de tempo, a volatilidade implícita revela o que o mercado acredita que pode acontecer.
Leia mais: Ativo livre de risco: o que é, como funciona e quais são?
Importância da volatilidade histórica
No mercado financeiro, pense na volatilidade como “termômetro” de um ativo: quanto mais intensa foi a variação de preços no passado, maior tende a ser o nível de incerteza envolvido.
Para o investidor, isso ajuda a responder uma pergunta simples: até onde esse ativo costuma oscilar?
Imagine dois ativos. Um deles apresenta movimentos suaves e previsíveis; o outro, fortes altas e quedas em curtos períodos. Mesmo que ambos tenham o mesmo preço hoje, o risco envolvido é bem diferente, e a volatilidade histórica é quem deixa isso claro.
Além disso, esse indicador é especialmente importante na precificação de opções. No mercado financeiro, opções funcionam como contratos que dão direitos futuros, e o valor desses contratos depende, entre outros fatores, da expectativa de variação do preço do ativo.
Logo, quanto maior a volatilidade histórica, maior tende a ser o preço da opção, já que aumentam as chances de movimentos significativos no mercado.
Leia também: Discriminação de preços: o que é, tipos e como funciona
Fonte: OpçõesPro, Investopedia, Fidelity, Toro Investimentos, Top Invest.