Crise de crédito pode quebrar o setor de varejo?


Os problemas financeiros da Lojas Americanas (AMER3) fizeram surgir uma grave crise de crédito que pode afetar todo o varejo no Brasil. Com isso, podemos estar diante de um dos piores momentos para o setor varejista, com impactos diretos em empresas como a Marisa (AMAR3), a Tok&Stok e muitas outras. Mas, e sua carteira? Será que a crise no varejo pode ir além e prejudicar seus investimentos?

A verdade é que a economia de qualquer país, como um todo, pode acabar sofrendo em decorrência de alguns eventos específicos. E uma crise no varejo tem o potencial de respingar em vários outros setores.

Na prática, isso significa que você pode sentir as consequências de uma eventual quebradeira das varejistas, mesmo que você não invista em empresas do setor.

Quais os riscos do setor de varejo?

O setor de varejo é, naturalmente, muito arriscado e menos resiliente às crises. E muito disso se deve ao tipo de operação que as empresas desse setor realizam no dia a dia.

Quando a gente faz a compra de um móvel, eletrodoméstico ou equipamento eletrônico, é comum que a loja dê um prazo de pagamento mais esticado.

Ocorre que, antes mesmo da gente terminar de pagar aquela conta, a varejista já teve de comprar novos produtos para repor os estoques.

Assim, enquanto o seu preço foi travado no valor negociado, a varejista ficou imune às oscilações do dólar e da taxa de juros.

Logo, em cenários de alta do dólar e de taxa Selic mais elevada, como estamos tendo agora, as empresas do varejo sofrem demais.

Por que câmbio e juros prejudicam as varejistas?

As empresas do varejo ficam refém de um câmbio mais equilibrado, principalmente, porque a maioria dos produtos são importados. Assim, quando o dólar dispara, a empresa acaba perdendo dinheiro.

Da mesma forma, a alta dos juros acaba afetando o caixa das empresas porque os principais custos também aumentam.

Além disso, juros mais altos significam menos demanda pro varejo – ou seja, queda nas vendas. Pra piorar, quando os juros sobem o custo do crédito também aumenta, o que pode ser fatal para empresas muito endividadas, como é o caso das varejistas.

Por tudo isso, as empresas do varejo têm sérias dificuldades para fazer caixa, principalmente quando há a junção de alta do dólar e escalada da taxa Selic. Hoje, a Selic está em 13,75% ao ano.

Crise de crédito no setor varejista

O pedido de recuperação judicial da Americanas, para evitar a falência, fez desencadear uma nova crise no setor de varejo.

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Empresas como a Marisa e a Tok&Stok anunciaram a contratação de assessorias para lidar com o alto endividamento e buscar soluções para os problemas de crédito.

Ocorre que uma coisa leva a outra. A Americanas deve mais de R$ 17 bilhões apenas para os bancos. E isso causou uma crise de crédito que está se estendendo a todo o setor varejista.

Ou seja, os bancos não querem mais emprestar dinheiro para essas empresas. E, se as empresas não têm crédito, como vão manter as operações e pagar as dívidas? Se não conseguirem pagar, podem acabar falindo. Se falirem, os bancos ficam sem o dinheiro devido. E, se os bancos têm prejuízo, acabam cortando, ainda mais, o crédito para outras empresas.

Além disso, uma varejista quebrar significa uma possível crise de demanda na indústria, que fornece os produtos para as lojas. E, assim, a roda segue girando, num espiral de morte que pode prejudicar diversos setores da economia.

O varejo pode quebrar a economia?

O fato é que o setor de varejo é muito grande. Por isso, uma eventual crise generalizada no setor pode trazer consequências inesperadas.

Logo, a problemática do crédito concedido pelos bancos às empresas do varejo faz aumentar o risco geral do mercado financeiro. É o fim do mundo? Claro que não.

Mas é preciso fazer uma análise séria do setor, mapear a capacidade de pagamento de cada uma das empresas e, assim, evitar uma pressão muito grande que pode culminar no default de todo um ecossistema.

No fim das contas, o mundo não vai acabar por causa da crise das varejistas. Mas, é preciso fazer algo, e rápido, para estancar o sangramento e trazer o setor de volta à normalidade.

Gostou do conteúdo? Então, não deixe de assistir ao vídeo acima (do canal Investidor Sardinha) em que detalho como a crise do setor varejista pode afetar toda a economia. 

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