6 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Nos últimos anos, o sistema financeiro brasileiro passou por uma grande transformação. O surgimento de bancos digitais e fintechs trouxe mais concorrência, tarifas menores e serviços mais acessíveis. Ao mesmo tempo em que crises em algumas instituições levantaram uma dúvida cada vez mais comum: é seguro manter dinheiro em bancos digitais? É sobre isso que vou falar hoje, mas antes, é importante entender como os bancos funcionam afinal.
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Como os bancos ganham dinheiro?
O modelo de negócio bancário é relativamente simples: os bancos captam dinheiro e o emprestam cobrando juros.
Você deposita dinheiro na conta ou investe em produtos como CDBs e o banco utiliza esse dinheiro para conceder empréstimos, financiamentos e crédito. A diferença entre os juros pagos aos clientes e os juros cobrados dos tomadores é o lucro do banco, o chamado spread bancário.
E o banco não mantém todo o dinheiro parado em caixa. Na verdade, ele trabalha com um sistema de reservas fracionárias, ou seja, mantém apenas uma parte disponível para saques imediatos. Enquanto isso, o restante está emprestado ou investido.
Isso significa que a confiança no sistema financeiro é fundamental.
O aumento das instituições
Uma coisa muito legal que começou no Brasil nos últimos anos, foi a competitividade no sistema financeiro. Antigamente, existiam basicamente 4 bancões e todo mundo tinha conta em um desses bancos. No entanto, começaram a surgir várias empresas que tem “bank” no nome, mas que na verdade, não possuem autorização para funcionar como um banco de fato.
Essas empresas operam com conta corrente e etc, mas elas não tem autorização para fazer um financiamento imobiliário, por exemplo. Porque isso é algo que apenas os bancos tem autorização.
Outro ponto que é importante citar é que essas empresas tem uma segurança muito menor e operam com pouco dinheiro (um valor muito inferior ao dos bancões). E por isso, essas empresas se “desmancham” muito facilmente. Elas não possuem uma estrutura sólida para lidar com intempéries.
Por isso, se essas empresas não tiverem um banco muito sólido por trás, pode não fazer sentido manter seu dinheiro nelas. Porque deixar qualquer patrimônio nessas empresas, é assumir um certo nível de risco.
Como saber se a instituição é um banco?
Se você encontrou uma instituição que parece ser um banco, mas você não tem certeza, vou te mostrar como tirar a dúvida! Basta acessar o site do Banco Central, na aba “Encontre uma instituição” e pesquisar pelo nome dessa empresa. Assim, você vai conseguir descobrir se o banco é regulamentado pelo BC, ou seja, se realmente é um banco de verdade.
O Banco Central divide as instituições financeiras por porte e relevância sistêmica:
- Bancos S1 (sistêmicos): são bancos que têm impacto direto na economia brasileira. São os grandes bancos nacionais e são considerados essenciais para o pleno funcionamento do nosso sistema financeiro. Em uma crise extrema, a quebra de um banco desse porte poderia afetar toda a economia.
- Bancos S2 (médios relevantes): são instituições importantes, mas que não representam risco sistêmico nacional, podem causar impacto regional, mas nada tão significativo quanto o primeiro e por isso, eles seguem regras rígidas, mas menos severas que o S1.
- Bancos S3 e S4 (pequenos e digitais): aqui entram muitos bancos digitais e fintechs que tem uma atuação mais limitada. As exigências regulatórias são mais simples e eles possuem menor capital disponível. Essas instituições são mais sensíveis a crises de confiança.
Por isso, se você tem uma conta nesse tipo de banco, é importante que você tenha uma outra em um “bancão”, apenas para sua maior segurança.
Como saber se o banco é seguro?
Para saber se o banco é confiável, você pode analisar o índice de Basileia, pois esse é um indicador mede a solidez financeira do banco.
Em geral:
- abaixo de 11% indica uma situação crítica
- entre 11% e 14% requer atenção
- acima de 14% significa que essa é uma saudável
Quanto maior o índice, maior a capacidade de absorver perdas. O sistema financeiro evoluiu e trouxe mais opções para os consumidores. Isso é ótimo, mas esse aumento de opções também significa que o consumidor deve ter mais responsabilidade na hora escolher em qual instituição vai deixar seu dinheiro.
Por isso, antes de escolher onde deixar seu dinheiro, entenda o tipo de instituição, avalie sua solidez, respeite sempre os limites do FGC!
Quer se aprofundar um pouco mais no assunto? Então, assista ao vídeo em que falo mais sobre!
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