Se o seu dinheiro está em BANCOS DIGITAIS fique ATENTO!

16 de setembro de 2026 - por Raul sena


Nos últimos meses o noticiário financeiro parece um filme de terror com um banco quebrando atrás do outro. E por trás dessas notícias tem uma transformação que está acontecendo no sistema financeiro brasileiro, e ela não é exatamente positiva.

O número de instituições financeiras fraudulentas ou mal geridas vem crescendo. Isso, de certa forma, já era esperado. Há alguns anos o Brasil tinha seis bancos relevantes, hoje são centenas de instituições financeiras disputando espaço.

O lado bom dessa mudança é óbvio: ninguém sente saudade de precisar ir a uma agência resolver um boleto. O Nubank, o Inter, o Original e outras fintechs mudaram completamente a forma como a gente lida com dinheiro. O lado ruim é que as regras antigas, pensadas para um mercado com pouquíssimos players, não fazem mais sentido num cenário com centenas de bancos, e tem gente se aproveitando disso.

É nesse contexto que entram as mudanças no Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. E elas podem significar que o seu dinheiro ficará mais exposto do que você imagina.

Veja também: Passo a passo para receber do FGC quando o banco quebra

O que Galípolo está propondo

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu publicamente mudanças nas regras do FGC durante a 27ª Conferência do Santander Brasil, depois do rombo de 50 bilhões de reais causado pela liquidação do Banco Master. O objetivo declarado é reduzir os incentivos para que bancos pequenos captem dinheiro de forma excessiva, usando a garantia do FGC como vantagem competitiva, e aumentar a percepção de risco dos investidores.

Traduzindo: o Banco Central quer transferir para o investidor a responsabilidade de avaliar se um banco é confiável ou não.

E aqui vale uma reflexão, entendo perfeitamente a lógica por trás disso, mas discordo que essa responsabilidade deveria ser nossa. Se um banco não tem condições de honrar o que capta em CDBs, quem deveria estar de olho nisso é o próprio Banco Central, não o investidor de varejo lendo prospecto de instituição financeira no fim de semana.

Medidas para lidar com a situação

Desde junho, o Conselho Monetário Nacional já colocou em prática três mudanças:

Primeiro, instituições cuja captação garantida pelo FGC ultrapassa 60% do total, precisam pagar uma contribuição adicional ao fundo. Na prática, bancos menores e mais arriscados passam a contribuir mais, o que tende a reduzir a rentabilidade dos CDBs que eles oferecem hoje.

Segundo, a partir de 80% de captação nessa modalidade, o banco é obrigado a manter parte dos recursos em títulos públicos federais, uma forma de segurar um colchão de liquidez.

Terceiro, ficam restritos os chamados ativos de referência ligados a captações com garantia, o que limita o uso de certos ativos remarcados para inflar a base de captação.

Essa é a parte que, no fundo, parece justa: quanto mais arriscado o banco, mais ele contribui para o fundo que protege os investidores. O problema é o que pode vir depois.

O que realmente preocupa

Galípolo também falou sobre a necessidade de alinhar a remuneração de distribuidores e assessores de investimento com o interesse real do cliente, e sobre melhorar a percepção de risco de quem compra produtos cobertos pelo FGC. Isso é bom porque muitas pessoas compram CDB sem entender o risco por trás, só porque existe aquele selo mental de “tem garantia do FGC”.

No entanto, também existe um tópico sensível: será que essa “melhora na percepção de risco” vai significar, na prática, reduzir ou eliminar a cobertura de 250 mil reais por CPF que existe hoje?

Se isso acontecer, o efeito colateral é gigantesco. Todo mundo vai passar a emprestar dinheiro só para os bancos grandes, os chamados S1. Ninguém vai querer correr risco com bancos S2, S3 ou S4, porque sem a garantia do FGC o risco de perder dinheiro fica real demais. Para compensar, esses bancos menores vão precisar pagar taxas bem mais agressivas para atrair investidor, o que aumenta o risco deles quebrarem, exatamente o contrário do que a medida deveria proteger.

Concentração financeira

O FGC foi criado numa época em que existiam seis ou sete bancos no país. Fazia sentido os grandes bancos contribuírem para sustentar a confiança no sistema como um todo. Hoje, com centenas de instituições, os bancos grandes têm um interesse claro em reduzir a proteção dos menores: menos concorrência para eles.

E é aí que mora o risco real dessa discussão. O episódio do Banco Master pode ser usado como justificativa para o Brasil voltar a um cenário de concentração financeira, onde só os bancos gigantes inspiram confiança. Isso seria ruim para todo mundo, porque foi justamente a entrada de novos players que trouxe melhor atendimento, mais tecnologia e mais competitividade nos últimos anos.

Uma alternativa mais equilibrada seria manter a garantia de 250 mil reais como está e aumentar a contribuição dos bancos menores e mais arriscados proporcionalmente ao risco que eles representam. Isso preserva a competição saudável sem deixar o investidor comum desprotegido.

O que os investidores devem fazer diante desse cenário?

Se você tem dinheiro aplicado em CDBs de bancos pequenos ou médios, contando com a garantia total do FGC, vale acompanhar de perto como essa discussão vai evoluir nos próximos meses. Regras desse tipo não mudam da noite para o dia, mas o movimento já começou, e entender o que está em jogo ajuda a tomar decisões mais conscientes sobre onde deixar o seu dinheiro.

No fim das contas, o recado é o de sempre: garantia nenhuma substitui entender onde você está investindo. Quanto mais você conhece sobre o funcionamento do sistema financeiro, menos dependente fica de proteções que podem mudar de uma hora para outra.

Quer entender melhor tudo isso que está acontecendo? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

E se você quer aprender a investir, independente do cenário político atual, te convido a conhecer a AUVP, que é nossa escola de investimentos. Faça a sua análise de perfil e se você receber aprovação, além de utilizar um sistema inteligente para a gestão de seus ativos, você vai aprender a investir no Brasil e no mundo inteiro.

Por que a elite brasileira NÃO está investindo?

E para ficar por dentro das principais informações do mercado financeiro, acompanhe os conteúdos do canal @investidorsardinha e do perfil @oraulsena no Instagram.

Leia também:Os piores conselhos financeiros da internet

Os piores conselhos financeiros da internet

Se sentindo exausto? Assista esse vídeo, ele vai te mudar.

Como o TikTok vai destruir a vida dos brasileiros sem ninguém ver…

Antes de sair do Brasil, leia isso