26 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
Impostos pigouvianos são taxas criadas para que quem causa um prejuízo à sociedade (como poluição) pague por isso, tornando o custo do dano visível no preço final. O oposto, subsídios pigouvianos, incentivam ações que trazem benefícios para todos (como a vacinação).
Ambos visam corrigir falhas de mercado e melhorar o bem-estar social, uma ideia que surgiu com o economista Arthur C. Pigou. Leia e veja exemplos.
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O que é o imposto pigouviano?
Sabe quando alguma atividade econômica acaba causando um problema para outras pessoas, mesmo que isso não esteja explícito no preço do que foi produzido? Tipo, você compra algo, mas não paga pelo estrago que aquilo causou no meio ambiente? É exatamente para isso que existe a taxa pigouviana, ou ainda, imposto pigouviano.
Pense na poluição: uma fábrica produz, mas não arca diretamente com os custos da fumaça que solta ou do lixo que gera. Essa taxa entra em cena para que o custo real dessas atividades seja incorporado, fazendo com que a empresa ou o consumidor pague, de certa forma, pelos danos. A ideia é simples: se custar mais caro poluir, a tendência é que se polua menos, e assim, o mercado se ajusta para corrigir essa “falha”.
Mas nem tudo é sobre penalizar! Existe também o outro lado da moeda: o subsídio pigouviano. Em vez de cobrar, ele oferece um incentivo para ações que trazem benefícios para todo mundo. Um ótimo exemplo é a vacinação contra a gripe.
Quando você se vacina, não está só se protegendo, mas também ajudando a frear a disseminação do vírus na comunidade. Nesse caso, um empurrãozinho financeiro ajuda a espalhar um comportamento que é bom para todos.
Esses conceitos, que são super importantes para entender como a economia pode nos ajudar a viver melhor, têm suas raízes nas ideias do economista Arthur Pigou, que foi o primeiro a se debruçar sobre essas “externalidades” (os efeitos que transbordam para outras pessoas). Mais tarde, William Baumol teve um papel fundamental em trazer essas ideias para o centro do debate econômico moderno.
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Por que o imposto pigouviano possui esse nome?
Já sabe por que a gente chama de “imposto pigouviano”, não é? A razão é para prestar uma grande homenagem a um economista britânico: Arthur Cecil Pigou.
Ele viveu numa época de efervescência, entre o final do século XIX e meados do século XX (nasceu em 1877 e nos deixou em 1959). Pigou não era qualquer um; ele era professor em Cambridge, e assumiu a cadeira de outro grande economista, Alfred Marshall.
Pensa no cenário daquele tempo: a Revolução Industrial bombando, cidades crescendo a olhos vistos, mas junto com o progresso vinha uma conta alta. Fábricas cuspindo fumaça sem parar, rios virando esgoto, ruas entupidas de gente e carroças. A produção estava a mil, o consumo também, mas os efeitos colaterais desse crescimento, tipo a poluição e a destruição do meio ambiente, ficavam de graça para a sociedade. Ninguém pagava por isso.
Foi nesse caldeirão que Pigou, lá por 1920, no seu livro famoso “A Economia do Bem-Estar”, começou a destrinchar a ideia das “externalidades”. Ele sacou que o mercado, por si só, não dava conta de resolver esses problemas. Uma fábrica, por exemplo, não tinha um motivo financeiro pra parar de sujar o ar, porque o custo daquela fumaça não aparecia no preço do que ela vendia.
A grande jogada de Pigou foi propor uma solução elegante: taxar aquilo que gerava esses “custos sociais”. Ele argumentou que, se a gente cobrasse um imposto sobre a poluição, por exemplo, o custo real de produzir algo seria internalizado. Ou seja, a fábrica teria que desembolsar uma grana pela fumaça, e isso a faria pensar em poluir menos ou investir em tecnologias mais limpas. E o contrário também: ele pensou em subsídios para coisas que faziam bem pra todo mundo, tipo a vacinação, que protege não só quem toma, mas a comunidade inteira.
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Quais são os objetivos do imposto pigouviano?
O imposto pigouviano é uma solução econômica que o governo usa para dar um jeito em problemas de mercado que surgem por causa de coisas que chamamos de externalidades negativas.
Seu principal objetivo é desestimular atividades que acabam gerando um custo pra todo mundo. Pensa numa fábrica que solta fumaça no ar. Essa poluição é um peso pra sociedade, mesmo pra quem nem compra o produto deles. Aí, o imposto entra pra encarecer a produção da fábrica, o que faz com que eles pensem duas vezes antes de poluir tanto, buscando formas mais limpas de trabalhar.
Em seguida, o imposto pigouviano ajuda a “internalizar” esses custos que antes ficavam por fora. A empresa que poluía de graça, agora tem que bancar uma parte do estrago que faz. Assim, o custo social da poluição aparece no preço final do que eles vendem, mostrando a real dimensão do impacto no meio ambiente.
Além disso, a grana que entra com esses impostos pode ser usada pra consertar os danos que essas externalidades negativas causaram. A arrecadação de um imposto sobre a poluição, por exemplo, pode ir pra projetos de despoluição de rios, tratamento de quem ficou doente por causa da fumaça ou até pra bancar o desenvolvimento de tecnologias mais verdes.
Por último, mas não menos importante, o imposto pigouviano é um empurrãozinho pra inovação e pro avanço de tecnologias mais limpas. Quando poluir fica mais caro, as empresas se sentem incentivadas a investir em pesquisa e em soluções novas que diminuam o impacto ambiental. No fim das contas, todo mundo sai ganhando.
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Como funciona o imposto pigouviano?
A lógica por trás da taxa pigouviana é fazer com que o custo de uma atividade econômica reflita também os impactos negativos que ela gera para a sociedade. Isto é, o que os economistas chamam de “externalidades negativas”.
Então imagine uma fábrica que emite poluentes ao produzir seus produtos. Sem nenhuma regulação, essa poluição não entra no cálculo do custo de produção, mas afeta o ar que todos respiram.
Ao aplicar uma taxa pigouviana, o governo adiciona um custo extra justamente para cobrir esse dano. No gráfico que normalmente acompanha esse tipo de explicação, a curva de custo privado (o que a empresa paga para produzir) é deslocada para cima, até se alinhar com o custo social total (que inclui a poluição).
Essa taxa pode funcionar de duas maneiras. Se for cobrada com base na quantidade total de poluentes emitidos, os donos da fábrica têm um motivo financeiro para reduzir a produção até um nível considerado menos prejudicial à sociedade. Por outro lado, se a taxa for aplicada com base na quantidade de poluição por unidade produzida, a empresa será incentivada a adotar tecnologias mais limpas, que poluam menos por produto fabricado.
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Exemplos do imposto pigouviano
- Uma usina termoelétrica pode optar por investir em filtros e sistemas mais modernos para reduzir suas emissões, diminuindo assim o valor do imposto que paga.
- Já uma indústria que fabrica produtos plásticos pode repensar seu processo produtivo ou reduzir sua escala para escapar dos custos mais altos gerados pela taxa.
No fim das contas, a ideia é alinhar os interesses das empresas com o bem-estar coletivo, tornando mais vantajoso poluir menos, ou até não poluir.
Qual é a diferença entre um imposto pigouviano e um subsídio pigouviano?
A diferença entre o imposto e o subsídio pigouviano é como olhar os dois lados de uma mesma moeda: um desestimula o que faz mal, o outro incentiva o que faz bem. Ambos existem para corrigir falhas do mercado e tornar a convivência em sociedade mais equilibrada.
O imposto pigouviano funciona como uma cobrança extra para atividades que prejudicam o meio ambiente ou a saúde pública, como a poluição de uma fábrica. A ideia é que, ao encarecer essas ações, as empresas passem a buscar alternativas menos nocivas.
Já o subsídio pigouviano faz o contrário: oferece incentivos para comportamentos que trazem benefícios coletivos, como a vacinação, que protege quem se vacina e quem está ao redor. Como o mercado normalmente não recompensa esse tipo de benefício, o subsídio entra para dar uma forcinha.
No fim, é tudo sobre responsabilidade: quem causa um dano, paga; quem ajuda a sociedade, recebe apoio.
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Críticas ao imposto pigouviano
Apesar de parecer uma ideia inteligente para lidar com problemas como a poluição, a taxa pigouviana enfrenta críticas importantes, especialmente quando sai do papel.
Um dos maiores desafios é calcular, com precisão, o prejuízo que uma atividade causa à sociedade e transformar isso num valor justo de imposto. Economistas como Pigou, Hayek e Baumol lembram que isso é muito difícil, já que envolve fatores subjetivos, como impacto psicológico e percepção individual. Por isso, Baumol sugere algo mais prático: criar padrões mínimos de aceitabilidade, em vez de tentar adivinhar o “valor ideal”.
Ronald Coase, economista britânico, acrescenta que os danos são recíprocos, ou seja, não dá pra colocar toda a culpa na fábrica se há pessoas morando ao redor. Ele também defende que, uma vez criado, o imposto não deve ficar mudando, para evitar penalizações constantes e imprevisíveis.
Além disso, a política entra no jogo. Lobbies e interesses econômicos muitas vezes distorcem o valor do imposto, fazendo com que ele sirva mais para arrecadar dinheiro do que para proteger o meio ambiente. E como os políticos preferem soluções com efeitos mais visíveis, medidas como licenças de emissão acabam sendo mais comuns, mesmo que sejam menos eficientes no longo prazo.
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Fontes: Mais Retorno, Tax Foundation, Investopedia e Corporate Finance Institute.