26 de setembro de 2025 - por Millena Santos
A liquidez e a solvência são dois pilares fundamentais da saúde financeira de qualquer empresa. Esses indicadores revelam muito sobre a capacidade de um negócio se manter estável, cumprir compromissos e crescer de forma sustentável.
Se você deseja entender melhor como eles funcionam e por que são tão importantes na gestão empresarial, neste texto a gente vai te explicar mais detalhadamente sobre esses dois conceitos. Vamos lá?
O que é liquidez?
Quando falamos em liquidez, estamos nos referindo à facilidade que uma empresa tem para honrar seus compromissos de curto prazo, como o pagamento de dívidas, fornecedores ou outras obrigações que vencem em breve.
Em outras palavras, é a agilidade com que os bens e direitos de uma organização podem ser transformados em dinheiro disponível para cobrir essas despesas.
Imagine, por exemplo, que a empresa possua imóveis, máquinas ou até mesmo estoques. Esses ativos possuem valor, mas nem sempre podem ser convertidos em caixa de forma imediata.
Já recursos como aplicações financeiras de curto prazo ou o próprio saldo em conta bancária são considerados de maior liquidez, justamente porque podem ser usados quase de imediato.
Portanto, quando analisamos a liquidez, estamos avaliando a capacidade de resposta financeira da empresa em um período curto de tempo, geralmente de até um ano.
Logo, essa análise é fundamental para entender a saúde financeira do negócio e garantir que ele consiga manter suas operações em dia sem correr riscos de desequilíbrio.
Para que serve a liquidez?
A liquidez tem a função de mostrar o quanto um ativo, uma empresa ou até mesmo uma pessoa consegue transformar seus bens ou investimentos em dinheiro de forma rápida e sem perder muito valor nesse processo.
No universo dos investimentos, por exemplo, ela é um indicador bem importante. Ao avaliar a liquidez de uma aplicação, o investidor consegue entender em quanto tempo poderá ter o dinheiro de volta em mãos e com que facilidade isso pode acontecer.
Já do ponto de vista das empresas, a liquidez ajuda a garantir que o negócio não fique travado em ativos que, apesar de terem valor, não podem ser utilizados de imediato para pagar contas, fornecedores ou salários.
Como calcular a liquidez?
A liquidez pode ser avaliada por meio de diferentes índices financeiros, que relacionam o que a empresa possui (ativos) com o que deve (passivos).
Liquidez Corrente
Aqui, o objetivo é mostrar se a empresa consegue pagar as dívidas de curto prazo usando apenas os ativos de curto prazo.
Para calculá-la:
Liquidez Corrente= Ativo Circulante ÷ Passivo Circulante
Imagine que uma determinada empresa tem R$ 200.000 de ativo circulante e R$ 150.000 de passivo circulante:
Liquidez Corrente= 200.000 ÷ 150.000 = 1,33
Isso significa que, para cada R$ 1,00 de dívida, há R$ 1,33 disponível.
Liquidez Geral
Já a liquidez geral avalia a capacidade de a empresa pagar todas as dívidas, tanto de curto quanto de longo prazo.
Basta seguir a fórmula:
Liquidez Geral= (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) ÷ (Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo)
Agora, suponha que a empresa tenha:
- Ativo Circulante: R$ 200.000
- Realizável a Longo Prazo: R$ 100.000
- Passivo Circulante: R$ 150.000
- Exigível a Longo Prazo: R$ 100.000
Liquidez Geral= (200.000 + 100.000) ÷ (150.000 + 100.000)
Liquidez Geral= 300.000 ÷ 250.000 = 1,2
Logo, a cada R$ 1,00 de dívida total, a empresa tem R$ 1,20 em ativos realizáveis.
O que é solvência?
Enquanto a liquidez olha para a capacidade de cumprir compromissos no curto prazo, a solvência analisa a saúde financeira da empresa a longo prazo.
De maneira direta, trata-se da habilidade que a organização tem de se manter sólida ao longo do tempo, pagando suas dívidas e continuando suas atividades de forma sustentável.
Esse acompanhamento geralmente é feito por meio de índices de solvência, que permitem avaliar o equilíbrio entre dívidas, patrimônio e a capacidade de geração de recursos.
Veja os principais:
- Coeficiente Dívida-Patrimônio: esse indicador mostra a relação entre o capital de terceiros (empréstimos e financiamentos) e os recursos próprios da empresa (patrimônio líquido). Quanto menor for essa proporção, mais saudável tende a ser a situação financeira, já que a empresa depende menos de dívidas para se sustentar.
- Dívida Total sobre Ativos: mede o quanto dos ativos da empresa (bens, direitos e recursos) estão comprometidos com dívidas. Se a parcela for muito alta, isso pode indicar que a empresa tem pouca margem de segurança em caso de imprevistos ou perdas no mercado.
- Índice de Cobertura de Juros: avalia a capacidade da empresa de pagar os juros de suas dívidas com os lucros obtidos nas operações. Quanto maior for esse índice, maior é a folga financeira para arcar com obrigações, sem comprometer o funcionamento do negócio.
Leia também: Insolvência: o que é, como funciona, o que ocorre com a empresa?
Para que serve a solvência?
A solvência é um indicador que vai além de mostrar se a empresa consegue pagar suas dívidas: ela revela a real força estrutural do negócio no longo prazo.
Avaliar a solvência significa entender se a organização tem condições de honrar todas as suas obrigações financeiras, mantendo estabilidade mesmo diante de cenários desafiadores.
Esse conceito também traz indícios importantes sobre o futuro da empresa. Uma companhia considerada solvente tem mais facilidade em:
- Crescer de forma sustentável, já que consegue financiar novos projetos sem depender excessivamente de capital de terceiros.
- Pagar dividendos aos acionistas, demonstrando solidez e confiabilidade para quem investe no negócio.
- Manter uma boa reputação no mercado, o que abre portas para melhores condições de crédito junto a bancos e fortalece o relacionamento com fornecedores.
Como calcular a solvência?
Como a gente viu, o cálculo da solvência permite avaliar se a empresa tem condições de cumprir suas obrigações de longo prazo.
Para isso, utiliza-se a seguinte fórmula:
Solvência= (LL + Dp) / P
Onde:
- LL= Lucro Líquido
- Dp= Depreciação
- P= Passivo Total (todas as dívidas e obrigações da empresa)
Essa relação mostra se os recursos gerados internamente, somando o lucro líquido com a depreciação, são suficientes para cobrir o passivo da companhia.
Imagine que uma empresa apresentou os seguintes valores:
- Lucro Líquido (LL): R$ 200.000
- Depreciação (Dp): R$ 50.000
- Passivo Total (P): R$ 500.000
Aplicando a fórmula:
Solvência= (200.000 + 50.000) / 500.000 = 0,5
Nesse caso, o índice de solvência foi 0,5, o que indica que a empresa cobre apenas metade de seu passivo total com os recursos considerados.
Quanto mais próximo de 1 (ou superior) for o resultado, maior será a capacidade da empresa de manter-se financeiramente saudável no longo prazo.
Quais são as diferenças entre liquidez e solvência?
Embora os dois conceitos estejam ligados à saúde financeira de uma empresa, liquidez e solvência não significam, na prática, a mesma coisa. A grande diferença entre eles está no tempo ao qual cada um se refere.
A liquidez está relacionada à capacidade imediata de a empresa honrar seus compromissos de curto prazo, como pagamento de fornecedores, salários e dívidas que vencem dentro de até um ano.
Por isso, seus indicadores funcionam como um verdadeiro termômetro de alerta rápido: quando o capital de giro começa a ficar baixo, é a liquidez que mostra as primeiras evidências de que pode haver dificuldades para manter o funcionamento diário em equilíbrio.
Já a solvência olha para o longo prazo, avaliando se a empresa tem condições de se manter financeiramente sólida ao longo dos anos. Seus índices revelam o quanto o negócio depende de dívidas em comparação ao patrimônio líquido, além de indicar se existe espaço seguro para crescer, financiar novos projetos e, principalmente, continuar pagando todas as obrigações futuras.
De forma simples, para ficar ainda mais claro, a gente pode pensar que a liquidez demonstra a resistência no presente, enquanto a solvência mostra o fôlego para o futuro.
Juntas, elas conseguem oferecer uma visão muito mais completa da estabilidade e da sustentabilidade financeira de uma organização.
Importância da liquidez e da solvência
A análise desses dois conceitos é fundamental para avaliar não apenas a capacidade de uma empresa de honrar seus compromissos, mas também a eficiência de sua gestão financeira.
Esses dois indicadores funcionam, portanto, como um reflexo direto da saúde do negócio e da forma como os recursos estão sendo administrados.
Quando uma organização apresenta baixa liquidez, geralmente precisa recorrer a empréstimos para manter as atividades. Esse movimento, embora comum, pode aumentar os custos financeiros e comprometer parte dos resultados.
Logo, uma gestão atenta busca sempre equilibrar a liquidez, garantindo que exista caixa suficiente para lidar com as despesas do dia a dia e manter as operações em funcionamento com tranquilidade.
Já a solvência vai além desse horizonte imediato, já que ela oferece a base sólida necessária para a continuidade da empresa no longo prazo. Ao demonstrar que os ativos superam os passivos, a solvência assegura que a organização tem fôlego para crescer, financiar novos projetos e manter sua reputação no mercado.
Assim, enquanto a liquidez garante a segurança nas operações cotidianas, a solvência dá confiança para que a empresa construa um futuro sustentável.
Fonte: Linkana, Clara, Investopedia, Quick Books.