6 de novembro de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Nos últimos meses, o Brasil tem vivido o início de um movimento histórico: uma das maiores transferências de riqueza já registradas no país. E o mais curioso é que boa parte das pessoas está olhando para isso pela ótica errada.
Enquanto muitos investidores e analistas se concentram nas manchetes negativas, nos conflitos internacionais e nas incertezas do mercado, os números contam uma história completamente diferente e muito mais reveladora.
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O que o PL da Bolsa está mostrando?
O indicador Preço/Lucro (P/L) é uma das formas mais diretas de medir se uma empresa está cara ou barata na bolsa. Ele mostra quantas vezes o lucro de uma empresa o investidor está pagando para ser sócio dela.
Por exemplo: se o P/L está em 5, isso significa que você está pagando o equivalente a cinco anos de lucro pelo valor atual da empresa.
Quando esse número sobe muito, como aconteceu em 2021, quando chegou a quase 19, significa que os investidores estão pagando caro demais pelos lucros futuros. Quando cai, significa que o mercado está pessimista e as ações estão baratas.
Hoje, o P/L da bolsa brasileira está por volta de 8,6, praticamente no mesmo nível da pandemia. A pergunta é: será que o Brasil vive um momento de risco tão grave quanto aquele?
O que os empresários estão fazendo
Para entender o sentimento real do mercado, não basta ouvir o que os empresários dizem, é preciso observar o que eles fazem com o próprio dinheiro.
Quando o mercado está otimista e os preços estão altos, os empresários correm para abrir capital (fazer IPOs) e vender parte das suas empresas. Mas, quando as ações estão baratas demais, eles fazem o movimento oposto: recompram as próprias empresas.
E é exatamente isso que está acontecendo agora. Empresas como EDP, Cielo, BR Properties, Consórcio Alfa, Banco Alfa e até o Carrefour estão fechando o capital ou recomprando ações. O motivo é simples: os controladores acreditam que o mercado está pagando muito pouco por negócios que valem muito mais.
Como isso afeta o investidor comum?
Enquanto os grandes empresários estão comprando, muitos investidores pessoas físicas estão vendendo.
É a velha lógica do mercado: o dinheiro se move dos ansiosos para os pacientes.
Quando o noticiário é pessimista, o investidor iniciante entra em pânico, vende suas ações e busca segurança na renda fixa. Já quem entende o ciclo do mercado aproveita para comprar barato e vende de volta quando o entusiasmo retorna.
É um ciclo que se repete há décadas.
Um problema estrutural
Há um ponto importante de reflexão. O mercado de capitais brasileiro ainda é muito desfavorável para o investidor minoritário.
Hoje, uma empresa pode abrir e fechar capital praticamente quando quiser. Isso significa que o investidor comum pode ser forçado a vender suas ações justamente no pior momento, quando o preço está mais baixo.
O resultado é um mercado que carece de confiança e estabilidade, algo essencial para formar uma base sólida de investidores de longo prazo.
Uma possível solução seria impedir empresas que fecharam capital de voltarem a abrir IPOs por um determinado período, criando uma barreira regulatória que proteja o pequeno investidor e traga mais responsabilidade para os controladores.
Oportunidade à vista
Mesmo com todos esses desafios, o mercado brasileiro continua oferecendo oportunidades impressionantes para quem investe com paciência e visão de longo prazo.
Essas empresas, com lucros consistentes e baixa alavancagem, atravessam crises e continuam crescendo. O segredo é simples: não ser ansioso. O mercado é, e sempre será, uma transferência de dinheiro dos impacientes para os calmos.
Quer entender melhor sobre esse momento que estamos vivendo? Então, assista ao vídeo em que falo mais sobre!
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