Bull market: o que é, como funciona e quais as características?

Entenda o que é Bull Market, como identificar suas fases, o que o diferencia do Bear Market e como aproveitar esse ciclo de alta sem cair em armadilhas.

23 de setembro de 2020 - por Jaíne Jehniffer


O Bull Market é um dos termos mais citados quando o assunto é bolsa de valores, mas nem sempre fica claro o que ele realmente significa na prática. Trata-se de um ciclo de valorização prolongada dos ativos, com regras específicas para sua identificação e uma origem que remete diretamente ao comportamento de um touro.

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O que é Bull Market?

Bull Market é o nome dado à fase em que os preços dos ativos sobem de forma continuada por um bom tempo, normalmente com uma valorização de 20% ou mais a partir do último ponto baixo.

Essa alta costuma vir junto com uma economia em boas condições: PIB crescendo, desemprego baixo e empresas reportando lucros maiores.

A expressão nasceu da forma como o touro ataca, com os chifres subindo de baixo para cima, e por isso virou símbolo da trajetória ascendente do mercado.

Causas do Bull Market

O Bull Market não surge do nada: ele é resultado direto de uma economia funcionando bem e de juros mais baixos, que juntos abrem espaço para o crescimento dos lucros das empresas. Com o PIB em expansão e o desemprego controlado, o dinheiro circula mais e as ações passam a valer a pena para quem busca retorno.

Isso cria uma demanda maior por ativos, enquanto quem já investiu prefere segurar suas posições esperando lucrar ainda mais, o que reduz a oferta disponível no mercado e empurra os preços para cima.

Por trás dos números, porém, existe também uma engrenagem emocional. O medo de ficar de fora, conhecido como FOMO, faz com que cada vez mais gente entre no mercado só para não perder a onda de valorização.

Esse movimento costuma atrair capital estrangeiro e estimular novas empresas a abrirem capital, reforçando ainda mais o ciclo de alta que caracteriza o Bull Market.

Como funciona o Bull Market?

O funcionamento segue um roteiro que se repete em diferentes ciclos: tudo começa com uma recuperação silenciosa, quando poucos investidores mais atentos percebem o fundo do poço e começam a comprar enquanto o resto do mercado ainda está cético.

Aos poucos, essa percepção se espalha, mais gente entra na disputa por ativos e a procura cresce de forma visível, empurrando os preços para cima em uma trajetória que raramente é reta, mas que no acumulado dos meses ou anos aponta sempre para patamares mais elevados.

A etapa final costuma ser quando a euforia toma conta, quase ninguém quer vender por medo de perder ganhos futuros e essa escassez de oferta faz os preços dispararem ainda mais rápido. Nesse ponto que o FOMO atinge o pico, atraindo capital novo, aumentando o volume de negociações e movimentando também a abertura de novas empresas na bolsa.

Quais são as fases do Bull Market?

No início, quem compra são os investidores mais experientes, aqueles que enxergam valor onde a maioria ainda vê incerteza e aproveitam os preços baixos antes que o resto do mercado perceba a virada.

Conforme a confiança se espalha, entra o público em geral: mais pessoas passam a acreditar na recuperação, a demanda cresce e os preços sobem de forma mais evidente, atraindo até quem normalmente evita renda variável.

O ápice chega com a euforia, quando comprar ativos vira quase uma obsessão coletiva e a pressa por não ficar de fora supera qualquer cautela.

Esse revezamento entre cautela e euforia, embalado por uma economia forte e pelo medo de perder oportunidades, é o que sustenta a trajetória ascendente ao longo de meses ou até anos.

Qual é a diferença entre bull market e bear market?

Pensa assim: se o mercado fosse uma pessoa, o Bull Market seria aquele momento em que ela está confiante, gastando sem medo e acreditando que amanhã será ainda melhor que hoje.

O Bear Market é o oposto completo desse estado de espírito, quando a mesma pessoa guarda o dinheiro, corta gastos e passa a desconfiar de qualquer promessa de retorno.

Os dois cenários têm um ponto em comum curioso, ambos são reconhecidos oficialmente a partir de uma variação de 20%, só que em direções opostas. Uma alta acumulada desse tamanho a partir do fundo do poço caracteriza a fase otimista, enquanto uma queda equivalente partindo do topo já é suficiente para configurar o cenário pessimista.

Os apelidos “touro” e “urso” vieram bem depois desses movimentos existirem, mas ajudam a fixar a ideia na cabeça de quem está aprendendo.

O touro ficou associado à subida por causa do jeito como ele ataca, chifrando de baixo para cima, um gesto que lembra bastante a trajetória ascendente dos gráficos em período de valorização.

O urso, por sua vez, golpeia com as patas de cima para baixo, e essa imagem colou como símbolo perfeito para os momentos em que o mercado despenca e a cautela toma conta de quem investe.

O que fazer quando estiver em Bull Market?

Ver os preços subindo mês após mês desperta um instinto perigoso: a vontade de arriscar mais só porque tudo parece estar dando certo. O antídoto para isso é simples na teoria e difícil na prática, manter a cabeça fria e seguir o plano traçado antes da euforia começar.

Tentar prever exatamente quando a festa vai acabar é um exercício quase inútil, já que ciclos de alta costumam surpreender pela duração e continuam batendo recordes bem depois do ponto em que muita gente já decidiu vender por medo.

Por isso, esse é justamente o momento de revisar a carteira com calma, realizando lucro em posições que cresceram acima do previsto e redistribuindo esse dinheiro entre outras classes de ativos, sempre respeitando o quanto de risco você realmente está disposto a carregar.

Só que o Bull Market não deveria virar assunto restrito à carteira de investimentos. A economia aquecida costuma abrir portas também na vida profissional, com empresas mais dispostas a promover, contratar e reconhecer bons resultados, então é um bom momento para negociar um aumento ou considerar uma virada de carreira.

Qualquer ganho extra que sobrar no bolso vale mais transformado em segurança do que em consumo imediato: guardar de três a seis meses de despesas como reserva de emergência é o tipo de decisão que passa despercebida durante a alta, mas faz toda diferença quando o cenário inevitavelmente inverter para um período de queda.

Origem do nome bull market

A resposta está no jeito de atacar do animal: ele avança com a cabeça baixa e finaliza o golpe erguendo os chifres, um movimento que replica quase perfeitamente o desenho de um gráfico subindo no papel.

Foi essa semelhança visual que investidores começaram a explorar como linguagem informal ainda no século XVIII, num período em que a Inglaterra já negociava ações e títulos em rodas de especuladores muito antes de existir qualquer bolsa nos moldes atuais.

Com o passar das décadas, a palavra deixou de ser só uma expressão de mercado e ganhou peso cultural próprio.

Prova disso é a Charging Bull, escultura de bronze instalada perto de Wall Street que hoje funciona quase como um monumento não oficial ao otimismo financeiro, atraindo turistas do mundo inteiro que nem sabem a origem exata do termo, mas reconhecem o touro como símbolo de dinheiro e força.

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