Warren Buffet vendendo ações loucamente: o medo tomou conta!

10 de junho de 2026 - por raulsena1


Se você abre qualquer portal de notícias financeiras hoje, a manchete é quase sempre a mesma:“É a vez da Inteligência Artificial”,“A tecnologia vai substituir a mão de obra humana”, etc.

Mas será que os maiores investidores do planeta, aqueles que construíram patrimônios que a maioria de nós mal consegue imaginar, estão realmente apostando tudo nessa onda especulativa?

Felizmente, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, existem ferramentas que nos permitem olhar o portfólio, a carteira de investimentos, dessas mentes brilhantes. Embora esses relatórios públicos saiam com um pequeno atraso, eles revelam com clareza o movimento real do “smart money”.

Se você quer entender o que dá para aprender com eles e como se posicionar estrategicamente agora, confira até o fim!

Veja também: 7 lições que eu aprendi com Warren Buffett

Warren Buffett: o maior caixa da história

Muito se fala que Warren Buffett está com um volume de dinheiro em caixa histórico e isso é verdade. A Berkshire Hathaway acumulou impressionantes 397 bilhões de dólares em caixa.

No entanto, o que as manchetes não explicam é que ele não vendeu todas as suas ações para ver o circo pegar fogo, ele está apenas rebalanceando.

Buffett sempre foi conhecido por ter uma carteira muito concentrada em negócios previsíveis. Se olharmos para o histórico, a postura dele mudou radicalmente em relação à tecnologia:

Em 2013, Buffett era um crítico ferrenho do setor de tecnologia. Suas maiores posições eram no setor financeiro e de consumo tradicional: Wells Fargo (20,81%), Coca-Cola (17,47%), IBM (14,17%) e American Express (12,34%).

Entre 2016 e 2020 ele mudou de ideia e adicionou Apple ao portfólio. A empresa cresceu tanto que chegou a concentrar 44% a 46%de toda a carteira da Berkshire Hathaway em 2020.

No entanto, recentemente, Buffett iniciou uma redução sistemática e acelerada na sua posição de Apple trazendo para cerca de 22,6%. E porquê ele fez isso? Por uma questão de gestão de risco e rebalanceamento. Ninguém quer ter quase metade de um fundo multibilionário dependente de uma única empresa.

Para onde foi o dinheiro? Buffet aumentou sua posição no setor de energia e commodities, antes mesmo das crises geopolíticas estourarem. E agora, está com um caixa robusto, provavelmente se preparando para oportunidades caso o mercado caia.

Bill Gates: copiando os mestres

Existe um grande mito de que o portfólio da Fundação Bill & Melinda Gates é focado em startups de tecnologia disruptiva. No entanto, a realidade é muito mais conservadora.

Historicamente, quase 50% da carteira da fundação esteve alocada na própria Berkshire Hathaway (de seu amigo Warren Buffett), além de posições sólidas em Coca-Cola, Femsa, McDonald’s, Caterpillar e Walmart.

Em 2022, vimos a Microsoft saltar repentinamente para mais de 26% da carteira da fundação. Muitos analistas disseram que ele estava apostando tudo em tecnologia e na OpenAI. No entanto, isso não foi um investimento ativo de compra. Na verdade, a fundação recebeu uma incorporação massiva de ações da Microsoft que estavam guardadas em outros veículos patrimoniais do bilionário.

Logo em seguida, o fundo começou a realizar vendas graduais dessa posição, trazendo a Microsoft de volta para patamares menores e aumentando posições como a Waste Management (uma gigantesca empresa americana de tratamento de resíduos e reciclagem).

O fantasma da bolha de 2000

Michael Burry, o investidor que ficou famoso no filme A Grande Aposta por prever e lucrar com a crise do Subprimeem 2008, trouxe um alerta recente e desconfortável: o mercado atual lembra muito os últimos meses de 1999, logo antes do estouro da bolha das empresas pontocom.

Segundo Burry, qualquer empresa que adicione a palavra “semicondutores” ou “IA” ao modelo de negócios está experimentando múltiplos inflados e perigosos.

Estamos vendo o maior número de investidores operando “vendidos” na bolsa americana desde 2022. Além disso, a BlackRock retirou cerca de 2 trilhões de dólares do mercado americano recentemente.

Quando os grandes players começam a jogar esse jogo de forma massiva, é sinal de que o otimismo excessivo com as Magnificent Seven (as 7 maiores empresas de tech dos EUA) está minguando.

Onde estão as oportunidades reais hoje?

Diante de um cenário internacional altamente especulativo, a melhor estratégia para o investidor conservador e de longo prazo não é vender tudo o que tem de tecnologia, mas sim parar de comprar aos múltiplos atuais e focar em setores esquecidos e que estão extremamente baratos.

As oportunidades estão naquilo que é viável, seguro e gerador de lucros consistentes. No Brasil, os bancos estão “de graça”, o mercado brasileiro apresenta distorções inacreditáveis em empresas resilientes. Alguns exemplos, para além dos bancos, são as empresas do segmento de saneamento (Sanepar), saúde (Odontoprev), energia e commodities (Klabin e Suzano).

É perfeitamente possível imaginar o mundo percebendo que exagerou no otimismo com a Inteligência Artificial e as ações de tecnologia sofrerem uma forte correção.

No entanto,é impossível imaginar o mundo entrando em uma crise onde as pessoas parem de comer, de tomar banho ou de usar produtos de limpeza.

Durante as crises, bebês continuam precisando de fraldas, pessoas continuam comprando molho de tomate para fazer macarrão e produtos de higiene pessoal continuam sendo consumidos.

Investir não é o mesmo que participar de um cassino especulativo para tentar acertar a próxima grande tacada, é sobre proteger o seu patrimônio. Os primeiros anos do seu investimento são os que vão render por mais tempo; escolha empresas sólidas, com múltiplos atrativos e lucros reais, é o único caminho seguro para colher resultados fantásticos no longo prazo.

Quer conferir mais detalhamento a carteira de Buffet e dos outros grandes nomes do mercado financeiro? Então, assista ao vídeo em que falo mais sobre!

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