26 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
Acordos comerciais são contratos entre países que definem regras para o comércio entre eles. Esses acordos podem reduzir tarifas, facilitar exportações e importações e incentivar investimentos. Além disso, ajudam a fortalecer relações econômicas e melhorar o acesso a produtos e serviços.
Existem diferentes tipos de acordos comerciais. Alguns são bilaterais, envolvendo apenas dois países, enquanto outros são multilaterais, abrangendo várias nações. O Mercosul, por exemplo, é um bloco econômico formado por países da América do Sul que têm acordos entre si para facilitar o comércio.
Ou seja, esses acordos promovem o crescimento econômico e tornam o comércio mais eficiente. Saiba mais sobre eles, lendo os textos a seguir.
O que são acordos comerciais?
Acordos comerciais são tratados firmados entre dois ou mais países com o objetivo principal de reduzir ou eliminar barreiras alfandegárias no comércio de bens. Por meio desses acordos, exportadores, importadores, produtores e investidores conseguem estabelecer relações comerciais de forma menos burocrática. Assim, ampliam o acesso a mercados externos, protegendo interesses nacionais e garantindo maior segurança jurídica nas transações econômicas.
Os benefícios proporcionados por esses acordos são diversos. Eles promovem uma maior integração econômica entre os países envolvidos, impulsionam a produtividade e a competitividade das economias e contribuem para um crescimento econômico sustentável.
Além disso, favorecem a redução de entraves ao comércio e aos investimentos, ampliando o acesso dos consumidores a produtos mais variados e com preços mais acessíveis. Para os produtos brasileiros, esses acordos representam uma importante oportunidade de inserção em novos mercados.
Atualmente, o Brasil é signatário de diversos acordos comerciais em vigor, que podem ser utilizados por empresas sediadas no país. Respeitadas as normas legais, esses acordos podem conceder até 100% de preferência tarifária no imposto de importação, abrangendo uma ampla gama de produtos, classificados por sua Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), incluindo itens dos setores químico, industrial, alimentício, automotivo, entre outros.
Com o aumento da busca das empresas por alternativas que reduzam seus custos operacionais — sejam eles tarifários ou logísticos —, a análise do aproveitamento dos benefícios previstos nos acordos comerciais torna-se um diferencial estratégico essencial para o ganho de competitividade.
Para que servem os acordos comerciais?
Os acordos comerciais existem para facilitar o comércio entre países. Eles reduzem ou eliminam tarifas, impostos e barreiras que dificultam a entrada e saída de produtos. Com isso, empresas conseguem vender mais facilmente para o exterior e comprar insumos de outros países a um custo menor.
Além disso, esses acordos ajudam a aumentar a competitividade das empresas, já que elas podem produzir com menos custos e alcançar novos mercados. Também para atrair investimentos, pois regras claras e estáveis trazem mais segurança para quem quer investir;
Outra serventia é para estimular a inovação e o acesso a tecnologias, ao permitir que empresas tenham contato com novos parceiros e soluções internacionais. Assim como para oferecer mais opções e preços melhores aos consumidores, já que há maior variedade de produtos circulando no mercado;
E, finalmente, fortalecer relações econômicas e políticas entre os países, criando ambientes de cooperação e crescimento conjunto.
Como funcionam os acordos comerciais?
Os acordos comerciais funcionam através de tratados firmados entre países ou blocos econômicos. Em alguns casos, podem envolver empresas de setores semelhantes ou distintos, com o objetivo de reduzir custos, facilitar o acesso a mercados internacionais e ampliar a competitividade.
No Brasil, a coordenação dessas negociações é de responsabilidade da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que tem, entre suas atribuições definir diretrizes para a negociação de acordos comerciais bilaterais, regionais ou multilaterais. Ela também propõe medidas para a defesa dos interesses comerciais brasileiros, inclusive por meio da abertura de contenciosos quando houver descumprimento de compromissos assumidos por países parceiros.
Embora os acordos comerciais busquem, em geral, vantagens mútuas, nem sempre seu propósito está apenas na cooperação. Em alguns casos, podem ser utilizados como instrumentos para promover a concorrência, desestruturando oligopólios ou monopólios que dominam determinados setores e praticam preços abusivos.
Ao restaurar um ambiente competitivo, o consumidor final tende a se beneficiar com preços mais justos e maior oferta de produtos.
Leia mais: Formas de mercado: o que são e quais são suas características?
Tipos de acordo comerciais
1) Acordo de Livre Comércio
Este tipo de acordo elimina ou reduz tarifas e barreiras comerciais entre dois ou mais países. O objetivo é facilitar a circulação de bens e serviços, tornando-os mais acessíveis e competitivos no mercado internacional.
2) União Aduaneira
Além de eliminar tarifas internas, os países membros adotam uma tarifa externa comum para produtos vindos de fora do bloco. Assim, isso significa que todos aplicam as mesmas taxas para importações de terceiros, promovendo maior integração econômica.
Leia mais: União aduaneira, o que é? Características, vantagens e desvantagens
3) Mercado Comum
Neste modelo, além da livre circulação de bens, há também liberdade para pessoas, capitais e serviços entre os países membros. Um exemplo famoso é o Mercado Comum Europeu, que permite que trabalhadores e empresas se estabeleçam em qualquer país do bloco.
4) União Econômica e Monetária
Este acordo vai além do mercado comum, pois inclui a adoção de políticas econômicas e, em alguns casos, uma moeda única. O exemplo mais conhecido é a Zona do Euro, onde vários países compartilham o euro como moeda oficial.
Leia também: União monetária: o que é, quais são as vantagens e desvantagens
5) Acordo de Cooperação Econômica
Trata-se de um compromisso mais flexível, no qual os países colaboram em áreas específicas, como tecnologia, infraestrutura ou pesquisa, sem necessariamente eliminar tarifas ou criar regras rígidas de integração.
6) Acordo de Parceria Estratégica
Este tipo de acordo envolve cooperação ampla, incluindo não apenas comércio, mas também temas como educação, segurança e meio ambiente. Geralmente, são firmados entre países que buscam fortalecer laços políticos e econômicos.
7) Acordo Bilateral
Envolve apenas dois países, que negociam condições específicas para facilitar o comércio e investimentos entre si. Desse modo, é uma forma rápida e personalizada de estreitar relações comerciais.
8) Acordo Multilateral
Este tipo de acordo inclui vários países e, normalmente, é negociado em fóruns internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Os acordos multilaterais buscam criar regras comuns para o comércio global, promovendo previsibilidade e estabilidade.
Importância dos acordos comerciais
Os acordos comerciais são muito importantes para a ampliação das oportunidades de exportação ao reduzirem barreiras tarifárias e não tarifárias. Ao facilitar o acesso a mercados internacionais, esses acordos fortalecem as relações entre países e impulsionam os fluxos de comércio e investimento.
Além da redução de tarifas, os acordos comerciais estabelecem regras claras e disciplinas que promovem um ambiente mais previsível e equilibrado para as empresas. Sendo assim, isso inclui a garantia de condições justas de concorrência em mercados estratégicos, maior integração nas cadeias globais de produção e acesso ampliado a insumos, tecnologias e conhecimentos.
Quando bem estruturados, esses acordos contribuem para a modernização da economia doméstica, estimulam reformas internas, permitem ganhos de escala e reduzem custos de produção, elevando a competitividade das empresas nacionais.
Entre os principais motivos que justificam a celebração de acordos comerciais, destacam-se a eliminação ou redução de tarifas alfandegárias; o fortalecimento da integração econômica entre os países envolvidos; o estímulo ao crescimento das economias parceiras e simplificação dos processos de importação e exportação.
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Quem negocia os acordos comerciais pelo Brasil?
No Brasil, a negociação de acordos comerciais envolve principalmente três ministérios: o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Além disso, outros órgãos do governo podem participar dependendo do tema tratado. Por exemplo, o Banco Central pode atuar em questões financeiras, enquanto o Ministério do Meio Ambiente pode contribuir em temas de sustentabilidade.
Esses acordos são fundamentais para fortalecer o comércio exterior, ampliar mercados e garantir melhores condições para empresas e consumidores brasileiros. Atualmente, o Brasil mantém acordos comerciais com mais de 30 países, incluindo Argentina, México, Canadá e Coreia do Sul. Muitos desses acordos fazem parte do Mercosul, um bloco econômico que facilita o comércio entre países da América do Sul.
Além dos acordos bilaterais e regionais, o Brasil também participa de organismos comerciais internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Essas parcerias ajudam a garantir que o país tenha acesso a mercados estratégicos e possa competir globalmente.
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Principais acordos comerciais do mundo
Existem diversos acordos comerciais importantes ao redor do mundo, moldando as relações econômicas entre países e blocos. Esses acordos buscam facilitar o comércio, reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias, e promover a integração econômica entre os membros.
Um dos maiores e mais recentes é a Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP). Ela reúne quinze países da Ásia-Pacífico, incluindo China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, criando uma vasta zona de livre comércio que abrange uma parcela significativa do PIB e da população mundial.
Na América do Norte, o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) substituiu o antigo NAFTA. Este acordo moderniza as regras comerciais entre os três países, abordando temas como comércio digital, propriedade intelectual e regras de origem para diversos produtos, especialmente no setor automotivo.
O Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP) é outro pacto relevante na região do Pacífico. Ele envolve onze países, como Canadá, México, Japão, Austrália e Chile, e visa aprofundar a integração econômica entre eles. O Reino Unido também aderiu recentemente a este bloco.
A União Europeia (UE), por si só, representa um dos mais profundos e integrados blocos econômicos do planeta. Os países membros compartilham um mercado único com livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas, além de possuírem uma política comercial comum para negociar com países de fora do bloco, tendo diversos acordos bilaterais e regionais em vigor.
Na América do Sul, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é uma união aduaneira que congrega Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de outros países associados. O bloco busca facilitar o comércio e a integração entre seus membros, embora ainda enfrente desafios em sua consolidação plena.
Além desses, há muitos outros acordos bilaterais e regionais essenciais que regem o comércio global, como os firmados por países individualmente com seus parceiros estratégicos. Todos esses acordos, juntos, formam a complexa rede que impulsiona o comércio internacional na atualidade.
Principais acordos comerciais do Brasil
O Brasil participa de uma série de acordos comerciais que buscam fortalecer suas relações econômicas e ampliar as oportunidades de negócio para as empresas brasileiras no mercado global. Esses acordos variam em abrangência e nos parceiros envolvidos.
Sem dúvida, o principal acordo comercial do Brasil é o Mercosul. Como membro pleno, o Brasil integra este bloco econômico com Argentina, Paraguai e Uruguai, o que facilita o comércio e busca a integração regional. Dentro do escopo do Mercosul, o Brasil também tem acordos com outros países da América do Sul e México, muitos deles no âmbito da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), visando preferências tarifárias e facilitação do comércio.
Além da sua participação no Mercosul, o Brasil tem buscado ampliar sua rede de acordos com outros parceiros relevantes. Um exemplo notório é o Acordo Mercosul-União Europeia. Embora já concluído em nível técnico, ele aguarda as ratificações necessárias pelos países envolvidos para entrar em vigor, prometendo um grande potencial de liberalização comercial.
Outras negociações importantes estão em andamento, como os acordos do Mercosul com o Canadá, Coreia do Sul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O Brasil também concluiu um acordo de livre comércio com Singapura, que está em processo de internalização.
Além disso, o Brasil tem vários ACEs (Acordos de Complementação Econômica) com países como México, Argentina, Chile e Colômbia. Esses acordos ajudam a reduzir barreiras comerciais e a promover o comércio regional
Esses acordos são fundamentais para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, atrair investimentos e promover o desenvolvimento da economia do país. Portanto, o Brasil atua em diversas frentes para consolidar e expandir sua participação no comércio internacional através desses pactos.
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Fontes: Portal da Indústria, Mais Retorno, Siscomex, TTMS Tecnnologies e DC Logistics Brasil.