5 de maio de 2025 - por Sidemar Castro
A classe social é um segmento da sociedade que se distingue dos demais com base em fatores econômicos, políticos ou culturais. Seus integrantes compartilham posições semelhantes nos processos de produção e consumo, o que resulta em estilos de vida, hábitos culturais, níveis de influência, mentalidades e interesses semelhantes.
Na sociologia, o conceito de classe social é interpretado de maneiras diversas, variando conforme os critérios utilizados para sua definição. Em sociedades capitalistas, a classificação costuma se basear principalmente em fatores econômicos, embora algumas abordagens também considerem aspectos como nível de escolaridade, capital cultural e influência política.
Leia no texto seguir o que são classes sociais e quais são as do Brasil.
O que é classe social?
Classe social é um conceito usado para classificar as pessoas em grupos de acordo com características como renda, profissão, nível de escolaridade e estilo de vida. Em outras palavras, é uma maneira de organizar a sociedade com base em fatores econômicos e sociais.
Por exemplo, quem tem acesso a melhores empregos, mais dinheiro e educação costuma pertencer a uma classe social mais alta. Já quem enfrenta dificuldades financeiras e tem menos oportunidades, geralmente faz parte de uma classe social mais baixa.
Essas divisões não são fixas. As pessoas podem mudar de classe social ao longo da vida, principalmente se conquistarem melhores condições de trabalho ou estudo. No entanto, é importante lembrar que as diferenças entre as classes sociais podem gerar desigualdade e dificultar o acesso a direitos básicos, como saúde e educação.
Leia também: Classe média: o que é, qual é a renda e quais características?
Teoria das classes sociais
Classe social para Karl Marx
Karl Marx tinha uma visão clara sobre classes sociais. Ele acreditava que elas são grupos formados com base na relação das pessoas com os meios de produção. Em outras palavras, é a forma como cada grupo contribui ou se beneficia da criação de bens e serviços.
Marx identificou duas principais classes sociais:
A burguesia, composta pelos proprietários dos meios de produção, como fábricas, terras e empresas. Eles acumulam riqueza ao explorar o trabalho de outras pessoas.
E o proletariado, formado pelos trabalhadores que não possuem meios de produção. Eles dependem da venda de sua força de trabalho para sobreviver e, segundo Marx, são explorados pela burguesia.
Essa divisão é central para a teoria marxista, pois Marx entendia que o conflito entre essas duas classes impulsionava as mudanças sociais e econômicas. Ele chamava isso de “luta de classes”. Para Marx, autor de “O Capital”, a solução seria superar esse sistema de exploração, através de uma sociedade sem classes, onde os meios de produção seriam coletivos.
Leia também: Capital: o que é, tipos, na economia e no mundo dos negócios
Classe social para Max Weber
Max Weber tinha uma abordagem diferente de Karl Marx em relação às classes sociais. Enquanto Marx enfatizava a economia e a luta de classes, Weber acreditava que a estrutura social era mais complexa e não dependia apenas da economia.
Ele dividiu a sociedade em três dimensões principais:
Primeiro, a Classe Econômica: semelhante à ideia de Marx, a classe econômica refere-se à posição das pessoas no mercado e sua capacidade de gerar renda e riqueza. Porém, Weber destacou que a classe não se limita apenas à propriedade dos meios de produção, mas também inclui habilidades, qualificações e oportunidades.
Em seguida, o Status Social: aqui, Weber introduziu algo que Marx não abordou diretamente. O status social está relacionado ao prestígio, honra e respeito que uma pessoa recebe em uma sociedade, independentemente de sua riqueza. Por exemplo, artistas ou professores podem ter alto status, mesmo sem uma grande renda.
Por fim, o Partido ou Poder Político: a terceira dimensão trata do poder, ou seja, a capacidade de influenciar decisões e políticas. Isso pode envolver grupos políticos, organizações ou indivíduos que buscam moldar a sociedade conforme seus interesses.
Weber via essas três dimensões como interconectadas, mas independentes. Para ele, as divisões sociais eram multifacetadas, e a mobilidade social poderia variar dependendo de fatores além da economia.
Classe social para Durkheim
Émile Durkheim tinha uma visão distinta sobre classes sociais. Para ele, o foco estava na integração e coesão social, em vez de conflitos como na perspectiva de Marx. Durkheim acreditava que as classes sociais emergiam da divisão do trabalho e eram uma parte funcional da sociedade.
Durkheim abordou as classes sociais da seguinte forma:
Pela Divisão do Trabalho: Ele via a sociedade como um organismo onde diferentes funções e ocupações trabalhavam juntas para criar harmonia. Essa divisão do trabalho resultava em classes distintas, mas ele acreditava que elas deveriam ser integradas de forma a beneficiar a sociedade como um todo.
Através da Solidariedade Social: Durkheim identificou dois tipos de solidariedade que explicam a relação entre os indivíduos e as classes:
- Solidariedade Mecânica: ocorre em sociedades mais simples, onde todos compartilham valores e tarefas semelhantes. Há pouca divisão de trabalho.
- Solidariedade Orgânica: presente em sociedades complexas, onde há maior divisão de trabalho e as classes dependem umas das outras para funcionar.
E pela Consciência Coletiva: Segundo Durkheim, as normas, valores e crenças compartilhadas por uma sociedade ajudam a manter as classes em equilíbrio e evitam rupturas. Ele se preocupava com problemas como o anomia, que ocorre quando há um desequilíbrio e a sociedade perde o sentido de ordem e coesão.
Durkheim enxergava as classes como parte de um sistema maior, onde a integração social era essencial para evitar conflitos e garantir estabilidade.
Leia sobre: Política econômica: o que é, objetivos e instrumentos
Classe social para a sociologia
A classe social é um conceito central para a sociologia e tem sido, desde a origem da disciplina, um dos temas mais debatidos entre as diversas correntes sociológicas. A principal fonte de divergência entre essas correntes está nos critérios adotados para definir e distinguir as classes sociais.
Esses critérios envolvem indicadores, parâmetros ou índices utilizados para fundamentar essa diferenciação, como o prestígio associado a determinadas posições sociais ou a pertença a grupos étnicos ou raciais específicos. A grande questão é até que ponto esses critérios são realmente objetivos e capazes de refletir a realidade social — ou se representam apenas interpretações subjetivas dessa realidade.
Conheça mais sobre: ESG: o que é, como funciona e quais são os pilares?
Classes sociais no Brasil
No Brasil, a definição das classes sociais costuma se basear, principalmente, na renda familiar, associada a outros critérios que ajudam a compor o perfil socioeconômico da população.
Entre esses critérios complementares, destacam-se a estrutura familiar, o nível de escolaridade dos membros do domicílio e a posse de bens de consumo, que indicam o poder de compra.
Com base nessas informações, a população é geralmente dividida em três grandes categorias: classe alta, classe média e classe baixa. Cada uma dessas categorias pode ser subdividida em grupos menores, o que permite uma análise mais precisa das desigualdades e das variações internas entre as classes sociais.
Classificação das classes sociais no Brasil
As principais instituições, como o IBGE, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) e a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), utilizam critérios parecidos para segmentar a população. O modelo mais comum divide a sociedade em cinco grandes classes:
Classe A
Famílias com renda superior a 15 ou 20 salários mínimos, dependendo do critério. Essas pessoas têm alto padrão de vida, acesso a bens de luxo, boa escolaridade e ocupam cargos de destaque na sociedade, como grandes empresários, executivos e profissionais liberais de sucesso.
Classe B
Inclui famílias com renda entre 5 e 20 salários mínimos. Aqui estão profissionais liberais, pequenos empresários, gerentes e pessoas com boa formação. Essa classe é subdividida em B1 e B2, conforme a renda e o acesso a bens.
Classe C
Composta por famílias que recebem entre 3 e 10 salários mínimos. É a chamada classe média, formada por trabalhadores formais, pequenos comerciantes, funcionários públicos e autônomos. Apesar de ter renda estável, precisa fazer escolhas financeiras cuidadosas.
Classe D
Famílias com renda entre 1 e 4 salários mínimos. Geralmente, são trabalhadores informais, com baixa escolaridade e acesso limitado a bens e serviços. Muitos dependem de programas sociais.
Classe E
Pessoas com renda de até 1 ou 2 salários mínimos, dependendo do critério. Representa a base da pirâmide social, com grande vulnerabilidade, baixa escolaridade e poucas oportunidades de ascensão.
Subdivisões e outros critérios
Além dessas faixas principais, algumas classificações detalham ainda mais, criando subgrupos como A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E, para refletir nuances dentro das próprias classes. Outros fatores, como escolaridade do chefe da família, quantidade de bens e acesso a serviços básicos, também entram na análise, especialmente no Critério Brasil da ABEP.
A maioria dos brasileiros está concentrada nas classes C, D e E, que representam cerca de 75% da população. Já as classes mais altas, A e B, somam menos de 10% dos brasileiros, mostrando a desigualdade na distribuição de renda.
Pirâmide de classes sociais no Brasil
A pirâmide de classes sociais no Brasil é uma representação gráfica que ilustra a distribuição da população de acordo com sua posição socioeconômica. Essa estrutura mostra que a maior parte da população está concentrada nas classes mais baixas, enquanto a menor parte se encontra no topo da pirâmide, representando a elite econômica. Essa forma piramidal evidencia as desigualdades sociais existentes no país.
Topo da pirâmide – Classe Alta (A)
- Representa a menor parcela da população (cerca de 2% a 5%).
- Possui alta renda, acesso amplo a bens de consumo, educação de qualidade e serviços de saúde privados.
- Grande poder de consumo e influência econômica e política.
Centro da pirâmide – Classe Média (B e C)
Compreende uma parte significativa da população (cerca de 50% a 60%, dependendo do critério adotado).
Divide-se comumente em:
- Classe B (média alta): renda relativamente estável, acesso a ensino superior, plano de saúde, consumo de bens duráveis.
- Classe C (média baixa ou emergente): renda moderada, acesso limitado a bens e serviços, mas com maior inserção no mercado de consumo nos últimos anos.
Base da pirâmide – Classe Baixa (D e E)
- Abrange cerca de 30% a 40% da população.
- Enfrenta dificuldades relacionadas à renda, moradia, saúde, educação e segurança alimentar.
- Alto grau de vulnerabilidade social e dependência de políticas públicas.
A pirâmide social é importante por que permite compreender a estrutura da desigualdade no país e serve como base para a formulação de políticas públicas voltadas à redução da pobreza e à ampliação do acesso a direitos sociais.
Quais são as diferenças entre classe social e estrato social?
Embora muitas vezes sejam usados como sinônimos, os termos “classe social” e “estrato social” possuem significados distintos e complementares dentro das ciências sociais.
Classe social
Sob influência do pensamento de Max Weber, o conceito de classe social é geralmente entendido de forma mais restrita, centrando-se nas desigualdades econômicas e na relação dos indivíduos com os meios de produção. Nesse sentido, refere-se à posição que uma pessoa ou grupo ocupa com base em critérios como riqueza, poder econômico e função no sistema produtivo.
Teoricamente, a noção de classe social enfatiza a existência de grupos sociais com condições distintas, permitindo comparações entre suas características e formas de inserção na estrutura econômica.
Estrato social
Por outro lado, o conceito de estrato social é mais abrangente. Ele considera não apenas fatores econômicos, mas também aspectos como nível educacional, prestígio social, ocupação e estilo de vida. Trata-se, portanto, de uma categoria mais complexa, que busca explicar as origens da estratificação social e sistematizar a posição dos indivíduos em uma hierarquia baseada em múltiplos critérios.
Enquanto a classe social está fortemente vinculada à dimensão econômica, o estrato social contempla uma variedade de elementos que influenciam o lugar ocupado por alguém na estrutura social. Por exemplo, uma pessoa com alto nível de escolaridade — indicador de estrato social — pode não pertencer à classe alta caso não possua renda elevada ou poder econômico significativo.
Leia também: Viés do status quo: o que é e como funciona na vida e nas finanças
Fontes: Brasil Escola, Toda Matéria, Mundo Educação e eInvestidor.